247 – Milhares de manifestantes se mobilizaram neste sábado (24) em Orléans, na França, contra a realização de um congresso do Reunião Nacional (RN), partido da extrema direita francesa. O protesto ocorre em meio à preocupação com o avanço da legenda e um dia depois de um atentado de caráter racista que deixou uma pessoa morta e outras cinco feridas na região de Paris.
Segundo informações da Rádio França Internacional (RFI), a manifestação integra uma jornada nacional de mobilizações convocadas por sindicatos, organizações estudantis e movimentos sociais. Mais de 700 atos estão previstos em diferentes regiões do país, incluindo aproximadamente 500 manifestações contra o aumento do custo de vida.
A secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet, alertou para os riscos representados pelo crescimento da extrema direita e defendeu a mobilização da sociedade francesa contra o RN. “Para nós, o RN nunca será um partido como os outros.
É um partido perigoso para a nossa democracia (…) estamos em um momento decisivo”, afirmou a dirigente sindical. Atentado racista aumenta tensão política
A realização do congresso ocorre em um ambiente de tensão agravado pelo ataque registrado na sexta-feira (23), nas localidades de Trappes e La Verrière, a sudoeste de Paris. Um homem armado abriu fogo contra pedestres, deixando um morto e cinco feridos.
De acordo com os primeiros elementos das investigações, o suspeito, identificado como Kevin T., de 39 anos, teria escolhido suas vítimas com base na origem étnica, mirando especificamente pessoas de ascendência africana ou árabe. O homem foi detido pelas autoridades francesas.
Sua mãe também está sob custódia policial, após ter se apresentado voluntariamente à polícia. O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público Antiterrorista.
O episódio provocou reações de lideranças políticas que relacionaram o ambiente de hostilidade contra imigrantes ao fortalecimento eleitoral da extrema direita, cuja plataforma política inclui uma oposição contundente à imigração. O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, classificou o ataque como parte de uma sequência de episódios de violência motivados por racismo e xenofobia e convocou a população a participar das manifestações.
“Este é mais um de tantos atentados racistas, xenófobos (…) Agora precisamos agir. E agir significa, naturalmente, estarmos presentes em grande número hoje”, declarou Bagayoko.
A associação entre o atentado e o crescimento do RN foi feita por políticos franceses. Até o momento, as informações divulgadas sobre a investigação não estabelecem uma ligação direta entre o suspeito e o partido.
Mobilização nacional reúne sindicatos e movimentos sociais Além dos protestos contra o congresso da extrema direita em Orléans, a França enfrenta neste sábado uma ampla jornada de manifestações com reivindicações econômicas e sociais.
Sindicatos, estudantes e integrantes do movimento dos “coletes amarelos” participam das convocações, que abrangem mais de 700 atos em todo o território francês. Cerca de 500 manifestações têm como principal reivindicação o enfrentamento do alto custo de vida, uma preocupação que mobiliza diferentes setores da população.
A coincidência entre as manifestações sociais, o congresso do RN e a repercussão do atentado racista coloca em evidência duas questões centrais do debate político francês: as dificuldades econômicas enfrentadas pela população e a crescente polarização em torno da imigração e do avanço da extrema direita.
Em Orléans, a mobilização também assume um caráter de defesa das instituições democráticas, diante dos alertas de organizações sindicais e lideranças políticas sobre as consequências de uma eventual ampliação da influência do RN no cenário nacional. A dimensão dos protestos previstos para este sábado evidencia a capacidade de mobilização de sindicatos e movimentos sociais em um momento de acirramento das disputas políticas e de preocupação com a violência racista na França.
Brasil 247