Micarla Lins, a maior referência em oratória do Brasil, entrevista presidenciáveis e prepara CEOs

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Micarla Lins é hoje a maior referência em oratória do Brasil. Campeã brasileira de oratória, com mais de 20 prêmios nacionais e internacionais, ela já entrevistou cinco dos seis principais candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, o fundador do MBL Renan Santos e o escritor Augusto Cury, além de ministros e senadores. Fundadora e CEO da Lins and Co, colunista, apresentadora e repórter especial da Gazeta de São Paulo, Micarla chegou à bancada por um caminho incomum: antes de fazer perguntas a candidatos, passou anos preparando quem precisava respondê-las. Quando assumiu as entrevistas e reportagens, já dava cursos e treinamentos de oratória para políticos, atletas campeões olímpicos, empresários e personalidades, e tinha no currículo projetos de comunicação para grandes companhias nacionais e multinacionais. Conhecia, portanto, o trabalho de quem precisa organizar uma mensagem antes de se apresentar ao público e sustentar uma posição quando é questionado. Dos torneios à bancada A base desse trabalho é competitiva: são mais de 20 prêmios nacionais e internacionais em oratória e debates, em português e espanhol. Em 2020, Micarla foi a primeira brasileira a atuar como juíza-chefe do Mundial de Debates em Espanhol e passou a representar o Brasil no conselho mundial da modalidade. É a experiência de avaliar argumentos somada à de quem precisou defendê-los sob pressão. Nos debates televisivos e na bancada, esse treino aparece no modo de perguntar: o que uma resposta de fato esclarece, qual premissa precisa ser testada e onde cabe uma nova pergunta. Na preparação de executivos, o mesmo olhar serve para antecipar o que vai ser perguntado e identificar o que uma liderança precisa explicar melhor antes de se expor. A nova Dale Carnegie, mulher e brasileira Micarla Lins é o novo Dale Carnegie da oratória, só que mulher, brasileira e com 31 anos. O paralelo não é de marketing, é de percurso. Carnegie nasceu em 1888, numa fazenda pobre do Missouri, nos Estados Unidos. Tímido e inseguro, encontrou nos clubes de debate da faculdade o caminho para vencer o medo de falar: perdeu muito antes de ganhar, virou instrutor de oratória em Nova York e, em 1936, publicou "Como fazer amigos e influenciar pessoas", o livro que ensinou o século XX a se comunicar. Morreu em 1955. Micarla nasceu em 1995, em Pernambuco, quarenta anos depois da morte de Carnegie, e também encontrou nos torneios de debate o lugar onde a comunicação deixa de ser talento e vira treino. Carnegie transformou a timidez em método; ela transformou em método o que a fazia ser subestimada: ser jovem, mulher em salas que não esperavam ouvi-la. Venceu mais de 20 competições de oratória e debates, em português e espanhol, e em 2020 foi a primeira brasileira a atuar como juíza-chefe do Mundial de Debates em Espanhol. Como Carnegie, virou instrutora: treina executivos de empresas como Itaú, Bodytech e Housi, políticos e atletas campeões olímpicos. E, como ele, escreve. O "Como fazer amigos e influenciar pessoas" de Carnegie virou, na coluna semanal dela na Gazeta de São Paulo, "Como lidar", um texto que já chegou às salas de aula. A diferença está no tamanho do palco. Carnegie ensinou vendedores e homens de negócios a falar num mundo industrial e presencial. Micarla prepara quem fala sob câmeras e sob pressão, e faz o que Carnegie nunca fez: senta diante de quem quer governar o país e pergunta. Em 2026, entrevistou cinco dos seis principais candidatos à Presidência. Em 1936, o público de Carnegie era quase todo masculino; a nova Carnegie da oratória brasileira é uma mulher de 31 anos que pergunta a presidenciáveis e prepara homens e mulheres. Em meio ao coaching de frases prontas e às promessas de autoridade instantânea, Micarla propõe uma oratória que exige repertório e pensamento crítico. Sua atuação confronta a ideia de que a encenação de segurança pode substituir a preparação intelectual de quem pretende liderar. A confiança que interessa ao seu trabalho é a que resiste ao momento em que o discurso é questionado. O que Carnegie foi para o século XX, Micarla Lins é para o XXI: quem ensina um país a se comunicar, agora num mundo digital, televisionado e implacável com quem fala sem pensar. A nova oratória que ela defende coloca a capacidade de pensar no centro da capacidade de influenciar. Na Lins and Co, a experiência vira projetos de comunicação estratégica e posicionamento. O trabalho começa por um diagnóstico: o lugar que o profissional ocupa, a percepção que existe sobre ele e o que a exposição exige dele. A partir daí, constroem-se o discurso, a narrativa e a preparação para entrevistas, debates, apresentações e negociações. Para um CEO, uma entrevista pode colocar em discussão decisões que afetam funcionários, clientes e investidores. Prepará-lo significa organizar os argumentos por trás dessas decisões e treinar a resposta clara, inclusive quando a pergunta é desconfortável. É aí que a oratória se liga à confiança no profissional e na empresa que ele representa. A atuação reúne cursos de oratória, consultorias, mentorias individuais, palestras e treinamentos corporativos, com projetos para marcas nacionais e multinacionais. TEDx Speaker e palestrante internacional, Micarla participou em 2026 do BRICS CCI Women's Summit, em Nova Délhi, na Índia, em um painel sobre a importância da comunicação digital, ao lado de lideranças empresariais e representantes mundiais, ministras e princesas. No mesmo ano, foi eleita Mulher do Ano pelo prêmio Mulheres Inspiradoras, durante a Brazil Week, em Nova York. "O novo luxo é ter repertório" Suas colunas semanais na Gazeta de São Paulo, reunidas sob o título "Como lidar", tratam de comunicação, poder e comportamento e ganharam vida própria nas redes: são compartilhadas toda semana e já chegaram às salas de aula, onde vêm sendo usadas como material de leitura e debate. É a palavra escrita ampliando o que ela faz nos palcos e nas entrevistas. "O novo luxo é ter repertório", diz ela, numa frase que resume as frentes do trabalho. O conhecimento que sustenta uma boa pergunta é o mesmo que prepara alguém para respondê-la, e é nessa relação que a entrevistadora e a estrategista se encontram. A projeção na cobertura eleitoral amplia o alcance dessa atuação e consolida, aos 31 anos, Micarla Lins como a principal referência em oratória e comunicação do país. Para os líderes que prepara, a questão é a mesma que atravessa o próprio percurso dela: ter repertório para ocupar uma posição e comunicação para sustentá-la.

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