Meteorito achado no Saara veio de Marte e tem 4,1 bilhões de anos, aponta Nasa

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Fonte da notícia: D24am D24am

EUA – Uma rocha de coloração rosada encontrada no Deserto do Saara, em 2022, pode ajudar cientistas a compreender como era Marte. Identificado como um fragmento da crosta do planeta, o meteorito Teghaza 001 tem cerca de 4,1 bilhões de anos e está entre os três meteoritos marcianos mais antigos já encontrados na Terra, segundo a Nasa.

(Foto: Reprodução/Darryl Pitt/Maine Mineral & Gem Museum) Com aproximadamente 800 gramas, a rocha foi descoberta no Mali e recebeu o nome da planície salina onde foi localizada.

A idade e as características dos minerais foram determinadas por pesquisadores que utilizaram técnicas de datação para investigar a história geológica do material. Os resultados, publicados na revista científica Science, oferecem indícios de como a crosta marciana se formou a partir do resfriamento do magma e foi posteriormente modificada pela ação da água.

As descobertas também levantam a possibilidade de que o ciclo da água no Marte primitivo fosse mais ativo do que se imaginava. Minerais ajudam a reconstruir o passado de Marte

A composição do Teghaza 001 diferencia o meteorito de outras rochas marcianas identificadas na Terra. O material reúne diferentes minerais de origem vulcânica, entre eles cristais de zircão, que preservam informações importantes sobre a formação e a idade das rochas.

Segundo a Nasa, as características mineralógicas do meteorito são compatíveis com materiais observados pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter nas terras altas do hemisfério sul de Marte. Os pesquisadores identificaram 13 possíveis regiões do planeta que apresentam semelhanças com a composição da amostra, mas ainda não é possível determinar o local exato de sua origem.

A análise também indicou que a rocha sofreu alterações provocadas pela água marciana há aproximadamente 4,1 bilhões de anos. Como esse processo pode ter ocorrido depois da formação inicial do material, o meteorito pode ser ainda mais antigo do que a idade estimada para essas transformações.

Yang Liu, pesquisadora do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e principal autora do estudo, afirmou que a singularidade da amostra ficou evidente durante a investigação. Um dos revisores do artigo chegou a comparar o meteorito à Pedra de Roseta, referência histórica utilizada para decifrar hieróglifos egípcios.

Lee Saper, coautor da pesquisa e cientista do Centro de Pesquisa Ames da Nasa, destacou que a rocha oferece uma oportunidade inédita de estudar uma parte da crosta marciana que ainda não havia sido representada por amostras disponíveis na Terra. Para estabelecer a cronologia dos acontecimentos registrados na rocha, a equipe utilizou um método de datação baseado na análise de rubídio e estrôncio.

A técnica permite examinar grãos minerais individualmente, sem precisar dissolver toda a amostra. O procedimento foi aplicado a um fragmento menor do que uma unha, o que possibilitou investigar a idade do material e identificar alterações associadas à presença de água.

O trabalho contou com a participação de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Meteoritos marcianos chegam à Terra depois que impactos de grande intensidade lançam fragmentos da superfície do planeta ao espaço.

Parte desse material percorre uma trajetória que termina na Terra, onde pode ser encontrado em regiões desérticas ou cobertas de neve. A origem dessas rochas é confirmada por meio da comparação de suas características químicas e minerais com dados obtidos por missões espaciais.

No caso do Teghaza 001, análises anteriores dos isótopos de oxigênio já haviam indicado sua procedência marciana. A pesquisa sobre a rocha integra um conjunto de estudos voltados à compreensão da presença de água no passado do planeta.

Outro trabalho, publicado em junho na revista Science Advances, investigou o conteúdo de água do meteorito e como esse elemento pode ter influenciado a formação da superfície de Marte. Os pesquisadores pretendem aprofundar as análises do Teghaza 001 para identificar outros registros da evolução do planeta.

Segundo Liu, os resultados atuais representam apenas o início das investigações sobre o material.

Publicação Original D24am d24am.com
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