247 – O líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do petista no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25). Em mensagem dirigida aos brasileiros, gravada em Paris, o dirigente chamou o senador da extrema direita de “marionete” e denunciou que o parlamentar é subordinado aos interesses dos Estados Unidos.
O dirigente também destacou a trajetória política de Lula e sua identificação com trabalhadores e setores de menor renda. Mélenchon afirmou que o presidente brasileiro conquistou reconhecimento na França por suas políticas sociais e pela defesa de melhores condições de vida.
“Lula, há muito tempo agora, é, de certa forma, nosso herói comum”, declarou, ao comentar a imagem do presidente brasileiro entre movimentos sociais franceses. “Para nós, os franceses, Lula é o homem que fez recular massivamente a pobreza no Brasil.
E nós, em nosso país tão desenvolvido, é o contrário que acontece”, continuou. “Enquanto nós mesmos estamos na luta, Lula representa a possibilidade de uma outra forma de governar, quer dizer, a possibilidade de governar ao serviço do maior número do povo, e não dos bilionários, dos que têm muito dinheiro, pegam tudo e não compartilham nada”, afirmou.
Mélenchon associa disputa brasileira à influência dos Estados Unidos O dirigente francês dedicou parte de sua mensagem a críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro e à influência dos EUA sobre a política internacional.
Na avaliação de Mélenchon, uma eventual vitória do senador representaria a continuidade de uma orientação política subordinada a Washington. “Nós sabemos muito bem quem é Bolsonaro, o filho.
Nós sabemos que ele é nada mais do que um agente, uma marionete, uma aparência de pessoa completamente controlada pelos EUA”, declarou. O líder da esquerda francesa também acusou os EUA de adotar uma política externa baseada em pressões econômicas, ameaças e intervenções contra outros países.
Segundo ele, essa atuação afeta tanto a América Latina quanto a Europa e a China. Mélenchon descreveu Washington como “um império que quer dominar todos os povos e toda a planeta” e afirmou que as relações internacionais norte-americanas seguem uma trajetória histórica marcada pelo militarismo e pela tentativa de exercer influência sobre outras nações.
O político francês citou as pressões exercidas sobre países europeus e as tensões com a República Popular da China. Para ele, a eleição brasileira integra um cenário internacional de disputas envolvendo soberania nacional e autonomia política.
Ao relacionar o segundo turno brasileiro a esse contexto, Mélenchon apresentou a derrota de Flávio Bolsonaro como um acontecimento que, em sua avaliação, teria repercussão sobre a influência dos EUA no cenário mundial. Eleição brasileira mobiliza atenção da esquerda francesa
Mélenchon afirmou que acompanha a disputa presidencial brasileira por considerar que seu resultado poderá influenciar debates políticos em outros países. Segundo o dirigente, Lula possui uma trajetória reconhecida entre movimentos sociais e organizações de esquerda da França.
O líder francês apresentou o presidente como uma figura associada às reivindicações de trabalhadores e pessoas que enfrentam dificuldades econômicas. Em sua avaliação, essa identificação explica a atenção dedicada ao segundo turno por setores políticos franceses.
Ao longo do pronunciamento, Mélenchon reforçou a proximidade que enxerga entre os movimentos sociais dos dois países e afirmou que a sociedade francesa acompanha os acontecimentos brasileiros com interesse. O político também destacou que a eleição acontece em um contexto internacional marcado por conflitos, disputas econômicas e questionamentos sobre a influência das grandes potências.
Na parte final da gravação, Mélenchon dirigiu uma mensagem aos brasileiros e ressaltou os vínculos políticos e sociais que, em sua avaliação, aproximam Brasil e França. “Então, nós contamos com o Brasil como com um país e uma nação, irmã da nossa.
E com vocês todos, brasileiros e brasileiras, como nossos irmãos e irmãs”, concluiu o dirigente francês. Agressões dos EUA à soberania brasileira
Ao longo de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) realizaram articulações políticas nos EUA para pressionar o governo do presidente estadunidense, Donald Trump, a impor sanções ao Brasil. As iniciativas ocorreram em reação à condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no processo que investigou a tentativa de golpe de Estado.
No mesmo ano, a administração Trump anunciou duas rodadas de tarifas contra produtos brasileiros, com alíquotas de 25% e 12,5%. Washington também classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Essas medidas ampliaram os instrumentos de pressão econômica e diplomática dos EUA sobre o Brasil, além de abrirem caminho para eventuais sanções adicionais. La victoire de Lula sera la victoire du peupleCe dimanche, le monde entier retient son souffle.
Nous qui sommes dans la lutte, nous avons besoin de la victoire de Lula. Sa victoire sera celle du peuple contre l'empire américain.Nous comptons sur le Brésil comme sur un… pic.twitter.com/sxHlN8HWxz— Jean-Luc Mélenchon (@JLMelenchon) October 23, 2026
Brasil 247