'Medidas serão tomadas': Crise entre Seul e Kiev envolvendo prisioneiros norte-coreanos ganha tons de ameaça

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, elevou a temperatura da crise diplomática com a Ucrânia, ligada à revelação pública do envio de soldados norte-coreanos, capturados na guerra contra a Rússia, para o território sul-coreano. Segundo Lee, “medidas poderão ser tomadas” contra o Kiev, cujas ações considera que o fizeram parecer “como se fosse um mentiroso”. “Se eles continuarem a recusar o reconhecimento dos fatos e um pedido público de desculpas, tomaremos medidas adicionais. Como se trata de uma questão relacionada à honra dos cidadãos e do Estado da República da Coreia, não podemos deixar passar em branco”, escreveu Lee na rede social X, na manhã de sexta-feira.

Crise na Zona Desmilitarizada: Coreia do Norte nega responsabilidade por explosão de mina na fronteira com o Sul Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países No fim do mês passado, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou na Assembleia Geral da ONU que transferiu dois soldados norte-coreanos, capturados em seu território, para a Coreia do Sul. A revelação enfureceu Seul, que alega ter firmado um pacto de confidencialidade com Kiev sobre a operação, algo refutado pelos ucranianos. A transferência foi negociada ao longo de um ano e culminou com a chegada dos combatentes à Coreia do Sul no mês passado.

Na quinta-feira, o chanceler ucraniano Andriy Sybha, chamou o incidente de “mal-entendido diplomático”, e garantiu que estava “trabalhando” em sua resolução.

— Para nós, a Coreia do Sul é um país importante. E eu realmente espero dinamismo, continuidade e resultados concretos que estamos, de fato, alcançando com eles — declarou a jornalistas. Contexto: Kim Jong-Un promete estreitar laços com a China em mensagem a Xi Jinping Para Lee, os argumentos não foram suficientes. Além da preocupação com as famílias dos norte-coreanos — que normalmente são punidas quando um de seus membros decide emigrar para o Sul — o presidente teme os impactos do anúncio. Políticos de oposição o acusaram de tentar abafar o caso para não desagradar o regime de Kim Jong-un, com quem Seul tenta restabelecer o diálogo.

No passado, a Coreia do Norte afirmou que seus cidadãos estariam sendo sequestrados, e ameaçou responder militarmente. O incidente também poderia, na visão de analistas, atrapalhar as negociações para um encontro entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump, que pode ocorrer no mês que vem. Na segunda-feira, o embaixador ucraniano ouviu da diplomacia sul-coreana que um pedido de desculpas é inegociável. — O presidente está bastante irritado. Precisamos receber um pedido de desculpas oficial da Ucrânia — disse Song Young-gil, membro do Partido Democrático da Coreia e Conselheiro Especial do Presidente para a Paz e Diplomacia, em entrevista à rádio MBC.— Convocar o embaixador ucraniano na Coreia foi o primeiro passo, e se nenhuma posição adicional for divulgada, iremos chamar de volta o nosso embaixador. Veja: Coreia do Norte lança múltiplos mísseis balísticos; disparo seria resposta a treinamento militar da Coreia do Sul com os EUA Na mesma publicação na rede social X desta sexta-feira, Lee Jae-myung disse que o lado ucraniano “fez com que o chefe de Estado de um país parceiro parecesse um mentiroso”, e que “expressa nosso profundo pesar pela Ucrânia, que parece estar conspirando para o início de uma guerra na Península Coreana”. No mesmo dia, um representante do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul sugeriu que haveria documentos comprovando o compromisso do sigilo sobre as transferências. — Sempre que conversamos com nossas contrapartes, documentamos as discussões desde o início. As autoridades do governo sul-coreano, incluindo o presidente Lee e o ministro das Relações Exteriores, Cho Hyun, fazem comentários oficiais com base nos documentos firmados com Kiev. No entanto, em princípio, documentos diplomáticos não podem ser divulgados — disse o diplomata, citado pelo jornal Korea Times. Segundo ele, os sul-coreanos sabiam que o tema dos soldados norte-coreanos seria mencionado no discurso de Zelensky. Mas a confirmação pública da transferência foi uma surpresa desagradável.

— O lado sul-coreano respondeu por mensagem, afirmando que desejava que Zelensky não violasse o acordo entre as duas nações sobre manter a transferência em sigilo, acordo que a Ucrânia acabou por descumprir — acrescentou, citado pelo Korea Times.

Na ONU: Presidente sul-coreano propõe alívio de sanções contra Coreia do Norte em troca de congelamento de programa nuclear Desde 2024, quando Coreia do Norte e Rússia firmaram um pacto amplo de segurança, estima-se que 15 mil soldados do país asiático se juntaram às tropas russas nas linhas de frente na guerra na Ucrânia. Centenas morreram, segundo observadores independentes, e uma quantidade considerável foi capturada pelas forças de Kiev. Alguns, garantem os ucranianos, pediram para serem repatriados ao Sul, alegação rejeitada por Pyongyang.

Apesar das farpas, analistas não acreditam que Seul adotará medidas concretas contra a Ucrânia. Desde 2022, os sul-coreanos forneceram US$ 445 milhões em assistência humanitária, e Lee prometeu, em julho, mais US$ 100 milhões em ajuda. Até o momento, a Coreia do Sul se recusa a contribuir com armamentos, e a agência de inteligência sul-coreana acredita que a decisão de Zelensky de mencionar os soldados foi uma tentativa de obter apoio público por dinheiro e armas.

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