Marinho procura Gilmar Mendes em meio a escalada de tom da campanha de Flávio contra Moraes e o STF

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Fonte da notícia: Valor Valor

Em meio à escalada de ataques ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, senador Rogério Marinho (PL-RN), procurou o ministro Gilmar Mendes com o objetivo de manter relações institucionais diante da crise na Suprema Corte. A informação foi primeiro publicada pelo jornal O Globo.

O encontro foi confirmado por Marinho e por fontes ligadas a Gilmar Mendes. O movimento ocorre diante de uma subida de tom por parte da campanha de Flávio ao Palácio do Planalto, que tem apostado em críticas ao Supremo e ataques a Moraes, com pedidos de impeachment e a campanha “Fora Moraes”, que deverá ser o mote do ato do dia 7 de Setembro.

Segundo relato feito ao Valor, Marinho disse a Gilmar Mendes ter convicção que a campanha bolsonarista sairá vitoriosa das eleições e que o próximo governo deverá preservar o diálogo institucional com o Supremo, o respeito às instituições e a normalidade democrática.

“A conversa foi objetiva, sou o coordenador da campanha e fui pra dizer o óbvio: que temos todo o interesse de manter a relação institucional e queremos a compreensão do ministro de que iremos cobrar a Suprema Corte, mas o tribunal não é nosso adversário. Podemos ter coisas objetivas contra um ministro que cometer irregularidades, mas fui lá conversar e dizer o que a campanha e o futuro novo governo tem todo interesse em manter as relações institucionais”, afirmou Marinho ao Valor.

O grupo bolsonarista tem apostado na narrativa de que sempre apontou irregularidades na atuação de Moraes no STF. Aliados de Flávio insistem em pedidos de impeachment e preveem ganhos eleitorais para a campanha.

Na avaliação de Marinho, Alexandre de Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são “faces diferentes da mesma moeda” aos olhos do eleitorado e o ministro já foi identificado pela população como alguém ligado a Lula, o que naturalmente poderá trazer ganhos eleitorais para a campanha de Flávio.

Depois que o magistrado pediu que o seu colega na Corte André Mendonça seja investigado, Marinho disse, em nota, que Moraes transforma a investigação em “instrumento de poder pessoal” e que o episódio expõe “deterioração institucional”.

“Alexandre de Moraes transforma mais uma vez o Inquérito 4.781, aberto há sete anos e de limites cada vez mais elásticos, em instrumento de poder pessoal. Agora, recorre ao mesmo inquérito para avançar contra André Mendonça justamente quando o ministro conduz apurações que alcançam fatos graves envolvendo o próprio Moraes”, afirmou o senador.

Ele pontuou, ainda, que o episódio expõe o grau de “deterioração institucional” produzido pela perpetuação desse inquérito. “Nenhum ministro pode estar acima do escrutínio, muito menos dispor de poderes excepcionais para reagir contra quem o escrutina. Se Moraes tem explicações a dar, deve dá-las. Usar o Inquérito das fake news como escudo e instrumento de intimidação não protege o Supremo: corrói sua autoridade e transforma poder sem controle em ameaça ao próprio Estado de Direito”, declarou o coordenador da campanha de Flávio.

O próprio candidato subiu o tom contra Moraes desde as revelações de supostas mensagens entre o ministro e o ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, e chamou o magistrado de “advogado de Vorcaro” durante transmissão nas redes sociais nesta semana:

“Alexandre de Moraes, como nós já suspeitávamos, é um advogado de fato de Daniel Vorcaro. Um ministro da Suprema Corte, um ministro da mais alta Corte deste país, advogando e, ao que tudo indica, vendendo proteção para Vorcaro”, disse.

O senador afirmou ter convicção de que o Plenário do STF irá autorizar a investigação contra Moraes. “Semana que vem, pessoal, vai ter o julgamento público, aberto, no plenário do Supremo Tribunal Federal, onde vai ser decidido se Alexandre de Moraes vai ser investigado ou não por causa dessas várias denúncias. Várias denúncias. Eu estou confiante de que ele vai ser formalmente investigado, com autorização do plenário do Supremo”, disse.

Segundo Marinho, o ato convocado para o dia 7 de setembro terá como mote "Fora Lula” e "Fora Moraes", porque o ministro “precisa responder” e "se explicar" em relação aos últimos acontecimentos que vieram à tona pela imprensa.

Rogério Marinho Carlos Moura/Agência Senado

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