Coordenador da candidatura derrotada de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou nesta terça-feira que foi surpreendido pelas notícias sobre a possível saída do aliado do Brasil e que esperava que ele assumisse a liderança da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Marinho disse que não foi informado sobre qualquer viagem e relatou ter recebido uma mensagem de Flávio pela manhã, na qual o senador afirmou que precisava de um tempo antes de voltar a conversar com seus aliados. — Então até compreendo caso Flávio tenha saído do Brasil.
Não digo que concordo porque não fui consultado — afirmou. Marinho contou que esteve com Flávio até as 16h de segunda-feira, quando os dois discutiram os próximos passos após a derrota eleitoral.
Segundo ele, a expectativa era que o senador aproveitasse os quase 60 milhões de votos recebidos para assumir uma posição de destaque na articulação da oposição ao governo Lula. — Fiquei surpreso porque ontem conversamos sobre a necessidade de que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição.
Temos um governo que fez mal ao país e precisamos ficar vigilantes — disse. O coordenador da campanha afirmou que tentou entrar em contato com Flávio depois de ser procurado pela imprensa nesta terça-feira.
Segundo ele, o senador respondeu por mensagem, mas não informou onde estava. — Hoje pela manhã, quando tive o contato da imprensa, tentei contactar Flávio.
Eu recebi uma mensagem de texto em que ele dizia que queria dar um tempo hoje e depois conversaríamos de novo — relatou. Marinho ressaltou que, até o momento da declaração, não tinha confirmação de que Flávio havia deixado o país nem informações sobre a possibilidade de receber asilo político do governo de Donald Trump.
— Nós todos não temos informações ainda sobre o paradeiro. Apenas algumas notícias que saíram na imprensa que demonstram que pode ter havido um deslocamento do senador Flávio a outro país — afirmou.
— Não tenho a notícia de que Trump daria asilo ao Flávio. Apesar de reconhecer que não foi consultado, Marinho procurou justificar uma eventual decisão do senador de deixar o Brasil.
Ele criticou as medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação sobre a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz. Na avaliação do parlamentar, as suspeitas investigadas não justificariam as restrições impostas ao ex-candidato à Presidência.
Marinho também questionou a rapidez com que, segundo ele, a Polícia Federal solicitou as medidas após a confirmação do resultado eleitoral. — Em uma democracia, é muito estranho que um candidato a presidente seja alvo de medidas cautelares — afirmou.
— Me parece uma preparação para uma coisa mais persecutória. O senador disse ainda que compreende a possibilidade de Flávio ter decidido deixar o país diante do cenário político e jurídico, embora tenha reiterado que não participou de qualquer discussão sobre a viagem.
Questionado se Flávio poderia exercer a liderança da oposição mesmo fora do Brasil, Marinho citou a venezuelana María Corina Machado, uma das principais figuras da oposição ao governo de Nicolás Maduro. — María Corina faz isso há muito tempo — respondeu.
Marinho também afirmou que as conversas realizadas nesta terça-feira com dirigentes e parlamentares do PL trataram das articulações para a escolha dos próximos presidentes da Câmara e do Senado, previstas para 2027. O senador é um dos nomes envolvidos nas negociações para o comando da Casa.
O Globo