O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a defesa de um projeto de lei que propunha a retirada de marcação de munições se deu porque o texto diminuía os custos de produção de munição por clubes de tiro. Flávio não respondeu ao ser questionado sobre o tema na sabatina da TV Globo e no debate da TV Band, os dois feitos na última semana. Leia mais
"O que existe é que os CACs [Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador] querem reaproveitar a munição. Não é evitar a rastreabilidade [das munições]. Então, fica mais barato para eles pegarem cápsulas de munição e fazerem o enchimento. Ele [Flávio] era favorável ao projeto como um todo. Esse item específico é uma particularidade [do texto] de mais de quarenta", declarou o Marinho à Globonews em debate promovido com os coordenadores das campanhas presidenciais deste segundo turno.
"A justificativa que foi dada pelos CACS era essa que eu quero apresentar a vocês: não é dificultar a rastreabilidade. É permitir que houvesse menor custo na fabricação da munição dos cubos de tiro", finalizou o senador.
Nos últimos dias, Flávio foi perguntado por que já tinha defendido o assunto duas vezes: a primeira pela jornalista Renata Lo Prete, durante a sabatina da TV Globo, e a segunda por Lula no debate da TV Band, e não respondeu a nenhum dos questionamentos. De acordo com especialistas em segurança pública, retirar essas marcações pode dificultar o rastreamento da munição.
Pouco antes da resposta de Marinho, Edinho Silva, coordenador da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamou de "contradição" Flávio defender o fortalecimento da segurança pública e, simultaneamente, já ter defendido a retirada da marcação de munições.
"Uma das maiores contradições dessa campanha é o Flávio Bolsonaro falar de segurança pública. Ele coloca um projeto de lei para ser votado para que não tenha numeração nas munições. A pergunta que tem que se fazer é: a quem interessa o não rastreamento das munições? Evidente, interessa a quem compra munição ilegal, a quem usa munição para atividades ilegais", disse o petista.
A campanha petista tenta desgastar a imagem do bolsonarista por meio da defesa dele a essa matéria do Congresso Nacional com o objetivo de desconstruir o discurso do senador de endurecimento do combate ao crime organizado.
Valor