247 – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acertaram na noite desta sexta-feira (30) a realização de uma reunião bilateral presencial até meados de dezembro, antes de um possível encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.
A decisão foi tomada durante uma breve conversa entre os dois diplomatas em Atlanta, nos Estados Unidos. Segundo a coluna da jornalista Mariana Sanches, do UOL, Vieira e Rubio conversaram durante um coquetel do G20 e concordaram em organizar uma reunião nos próximos 45 dias.
O objetivo é avançar nas negociações sobre questões consideradas prioritárias pelos dois governos e preparar as condições para uma eventual conversa entre Lula e Trump, prevista para ocorrer à margem do encontro de líderes do G20, em 15 de dezembro, em Doral, na Flórida. A aproximação diplomática ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasília e Washington, marcado pela reação do governo estadunidense à reeleição de Lula para um quarto mandato presidencial e pela fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, poucos dias depois da eleição.
Apesar desse contexto, a situação de Flávio Bolsonaro não foi abordada na conversa entre Rubio e Vieira. O governo brasileiro procura evitar que o episódio se transforme em uma questão bilateral e concentra seus esforços na resolução de pendências econômicas e de segurança.
Entre os principais assuntos que deverão integrar a agenda da reunião estão as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e a cooperação no enfrentamento ao crime organizado. A intenção da diplomacia brasileira é estruturar as discussões de maneira que os dois presidentes possam avaliar propostas e encaminhamentos concretos em dezembro.
Reeleição de Lula e declarações de Trump O diálogo entre os chefes da diplomacia ocorre antes de um reconhecimento oficial, pelo governo estadunidense da reeleição de Lula no último domingo (25).
Desde a votação, Trump fez cinco manifestações públicas sobre o resultado eleitoral brasileiro. Embora tenha reconhecido manter uma boa relação pessoal com Lula, o presidente dos EUA questionou o processo eleitoral, classificando-o como uma “vergonha” e afirmando que pareceu “fraudulento”.
Trump também declarou que Flávio Bolsonaro teria recebido um tratamento “injusto”. As manifestações ocorreram após a saída do senador do Brasil, em meio às repercussões políticas da eleição presidencial.
O governo estadunidense concedeu um visto humanitário com validade de um ano a Flávio Bolsonaro e seus familiares. De acordo com o jornal The New York Times, Jason Miller, assessor da Casa Branca, participou das articulações para facilitar o transporte aéreo do senador.
A viagem teria ocorrido em um jato de luxo que partiu da Argentina com destino aos Estados Unidos. Apesar das declarações de Trump e da concessão do visto, o governo brasileiro mantém a orientação de não incluir a situação do senador nas negociações diplomáticas com Washington.
Brasil 247