Manifestantes relatam balanço da 3ª Ponte em ato pró-Lula; o que dizem especialistas

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Fonte da notícia: A Gazeta A Gazeta

Participantes de uma manifestação favorável à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no sábado (24), relataram ter sentido a Terceira Ponte, entre Vitória e Vila Velha, balançar durante a travessia. Segundo relatos recebidos pela organização do ato, a movimentação foi percebida principalmente no final da passagem dos manifestantes, na região do vão central da estrutura, e provocou susto em algumas pessoas.

O secretário de Juventude do PT no Espírito Santo, Emanuel Couto, afirmou que recebeu relatos de participantes que estavam mais para o fim da caminhada. Segundo ele, algumas pessoas chegaram a correr após perceberem a movimentação da ponte. “Essas pessoas passaram por um momento de desespero”, disse.Couto afirmou ainda que a organização já havia sido informada sobre a possibilidade de a estrutura apresentar movimentação, especialmente na região do vão central.

Ele relatou, porém, que só soube do episódio quando já estava em Vila Velha, depois de atravessar a ponte. A Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb-ES) informou que os ventos estavam dentro da normalidade no dia da manifestação e que as condições eram seguras para a operação da ponte.

Segundo a companhia, o movimento percebido pelos manifestantes foi causado pela circulação de pedestres. Já a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) afirmou que a Terceira Ponte é monitorada e acompanhada tecnicamente, sem irregularidades estruturais.

A pasta explicou que pequenas movimentações e vibrações são características previstas em projetos de pontes de grande porte e não representam, por si só, comprometimento da segurança. O engenheiro civil e de segurança do trabalho Giuliano Battisti explica que pontes precisam ter certa flexibilidade para absorver as forças provocadas pela circulação de veículos e pedestres e pela ação dos ventos.

Segundo Battisti, a passagem de um grande número de pessoas pode contribuir para intensificar as vibrações, principalmente quando os passos dos pedestres produzem forças em relativo sincronismo.  Esse fenômeno se chama ressonância, que acontece quando um sistema recebe energia de uma fonte externa que vibra na mesma frequência natural desse sistema, fazendo com que ele oscile com amplitude máxima.

É desse conceito da física que se originou a ideia de que "soldados não marcham sobre pontes", visto que a sincronia da marcha poderia acarretar fortes vibrações, capazes de rachar estruturas. Ele também aponta que outros fatores podem atuar simultaneamente, como a ação do vento e as vibrações provocadas pelo som de carros utilizados na manifestação.

Você tem uma somatória de forças que realmente pode causar uma movimentação um pouco maior em um momento em que essas forças estão atuando juntas Giuliano Battisti, engenheiro civil e de seguraça do trabalho

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que não houve condições meteorológicas que justificassem a emissão de um aviso especial para ventos costeiros em Vitória e Vila Velha no sábado (24), especialmente na região da Terceira Ponte. De acordo com o instituto, entre as 14h e as 18h de sábado, a velocidade média do vento registrada na estação meteorológica de Vitória variou de 2,4 metros por segundo (8,6 km/h) a 3,6 m/s (13 km/h).

As velocidades máximas registradas no período ficaram entre 7,8 m/s (28 km/h) e 9,2 m/s (33 km/h). Segundo a Semobi, a estrutura foi projetada para suportar cargas muito superiores às geradas pela circulação de pedestres.

A secretaria acrescentou que as oscilações de pontes podem estar associadas a fatores como a ação dos ventos e as cargas dinâmicas provocadas pela passagem de pessoas e veículos. Para Battisti, embora a movimentação seja prevista nos projetos, é necessário que os responsáveis pela conservação da estrutura acompanhem o comportamento da ponte para verificar se as oscilações permanecem dentro dos limites estabelecidos pela engenharia.

“Para afirmar que isso causa problemas, tem que identificar. Depende muito do estado de conservação da ponte e do que o projeto previa”, diz.

O engenheiro destaca ainda a importância da manutenção das juntas de dilatação, espaços existentes nas pontes que permitem a movimentação dos elementos estruturais. Segundo ele, problemas nesses pontos podem representar riscos para quem atravessa a estrutura.A Ceturb-ES informou que a Terceira Ponte passa por vistorias periódicas.  

Além dos aspectos estruturais, o engenheiro chama a atenção para os efeitos que a movimentação pode provocar nas pessoas que atravessam a ponte. Segundo ele, mesmo oscilações pequenas podem causar tontura em algumas pessoas, especialmente em locais altos.

O desequilíbrio pode aumentar o risco de acidentes, como esbarrões no guarda-corpo. “Antes mesmo de falar do risco para a estrutura da ponte, existe o risco para as pessoas que acabam ficando tontas e esbarrando”, afirma.

Publicação Original A Gazeta agazeta.com.br
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