Os desdobramentos da eleição presidencial seguem influenciando os mercados locais, enquanto os investidores aguardam a decisão de juros do Federal Reserve (Fed) nesta quarta-feira, nos Estados Unidos. No Brasil, os gestores começam a recompor suas estratégias e a avaliar as perspectivas para o quarto mandato do presidente Lula (PT).
Na frente política, as atenções se voltam à saída do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), do país. Menos de dois dias após a derrota na disputa pela Presidência, o senador fugiu com a família e avalia pedir asilo político ao governo americano.
Ele descumpriu a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de entregar seus passaportes e não deixar o Brasil. Segundo apurou o Valor com uma autoridade do governo americano, o Departamento de Estado dos EUA emitirá vistos para o senador, sua esposa e as duas filhas e permitirá o ingresso deles no país.
No exterior, a expectativa é que o Fed mantenha os juros inalterados. Os investidores também acompanham os preparativos para o anúncio trimestral de refinanciamento do Tesouro dos EUA, previsto para a próxima semana.
A divulgação ocorrerá após uma intensa onda de vendas de títulos, que levou os rendimentos dos Treasuries de dez e 30 anos aos maiores níveis em 24 anos no início deste mês. Por volta das 8h10, o futuro do S&P 500 subia 0,13%, enquanto o do Nasdaq avançava 0,47%.
Na renda fixa, o rendimento dos Treasuries de dez anos subia de 5,003% para 5,009%, e o dos títulos de 30 anos caía de 5,314% para 5,312%. No mercado doméstico, o Ibovespa voltou a recuar ontem, após perder quase 14% na segunda-feira, em meio ao ajuste dos investidores às perspectivas fiscais após a reeleição de Lula.
O índice cedeu 0,51%, aos 175.710 pontos, enquanto o dólar à vista fechou em queda de 0,97%, a R$ 5,3502. Na avaliação de operadores de câmbio, a reação à eleição pode ter sido “exacerbada”, mas o ajuste observado na terça-feira não necessariamente sinaliza o fim do pessimismo com o real.
Para esses profissionais, o quadro fiscal e a falta de perspectiva de sustentabilidade da dívida pública seguem como fontes de preocupação.
Valor