Os ativos brasileiros devem passar por um forte rali nesta segunda-feira, refletindo a onda da direita que deixou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial. O efeito já pode ser observado nos recibos de ações (ADRs) e nos papéis de empresas brasileiras listadas no exterior, que disparam no pré-mercado em Nova York.
Por volta das 8h, o EWZ, fundo que acompanha as ações do país, subia 12,95%, a US$ 43,23. Os ADRs da Petrobras ON avançavam 9,28%, a US$ 23,66; os recibos do Itaú subiam 13,04%, a US$ 9,71; Ambev, 9,36%, a US$ 3,27; Vale, 6,70%, a US$ 14,68; Gerdau, 6,79%, a US$ 5,35; Bradesco, 13,15%, a US$ 4,13; Embraer, 4,39%, a US$ 78,51; e Suzano, 5,82%, a US$ 9,00.
Flávio obteve 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula, vantagem de 2.224.965 votos. A força da direita no Congresso também chamou atenção.
O PL elegeu 19 senadores e terá 28 representantes, a maior bancada da Casa, segundo projeção da GloboNews. O partido também elegeu cinco governadores no primeiro turno: Sergio Moro (PR), Zucco (RS), Jorginho Mello (SC), Marcos Rogério (RO) e Arthur Henrique (RR).
No segundo turno, disputa o Rio de Janeiro com Douglas Ruas e o Amazonas com a professora Maria do Carmo. O J.P.
Morgan destaca que a surpresa do primeiro turno foi a vantagem de cerca de 2 pontos percentuais de Flávio sobre Lula, o que tornou o senador favorito na disputa. Em relatório, o banco afirma que o “terceiro bloco”, formado principalmente por candidatos de centro e centro-direita e com aproximadamente 8% dos votos, ainda pode alterar o resultado.
As pesquisas e os padrões históricos, porém, sugerem que Flávio deve receber uma parcela maior desses votos. Para a bolsa, os analistas esperam uma expansão de 20% a 25% do múltiplo preço/lucro (P/L) do MSCI Brasil, calculado com base nos lucros projetados para os próximos 12 meses, com a previsão de que metade desse movimento poderia ocorrer no curtíssimo prazo.
O restante ficaria para o fim da disputa, condicionado a maior clareza sobre o plano macroeconômico, a composição do ministério e um cenário externo relativamente favorável. Já no câmbio, o banco espera que o dólar teste o patamar de R$ 5,00 e já está posicionado para esse cenário por meio de uma estrutura de opções de venda de dólar contra o real, com prazo de três meses e preços de exercício de R$ 5,00 e R$ 4,80, na proporção de uma opção comprada para duas vendidas.
Além disso, a casa espera uma queda dos juros acompanhada de um achatamento da curva, com recuo maior nas taxas longas. O J.P.
afirma considerar atraentes as posições aplicadas no DI de janeiro de 2037, com alvo de 13,00%, mas qualquer operação precisaria esperar a abertura de hoje, diante da provável abertura dos mercados com um salto nas cotações. Nesse contexto, o exterior deve ficar em segundo plano para os investidores locais nesta segunda.
Os futuros dos índices de Nova York recuam, com os papéis de tecnologia perdendo força após atingirem as máximas históricas, enquanto os preços do petróleo seguem elevados, com o Brent acima de US$ 102 por barril. Senador Flávio Bolsonaro comemora resultado do primeiro turno eleitoral
Adriano Machado/Reuters
Valor