Mais de cem países e 11 blocos felicitaram Lula por vitória; do G20, só EUA e Argentina não se manifestaram

Mais de cem países e 11 blocos felicitaram Lula por vitória; do G20, só EUA e Argentina não se manifestaram - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Até o momento, ao menos 107 países se manifestaram oficialmente e parabenizaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória na eleição do último domingo. Entre os países do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, apenas dois não deram declarações expressas reconhecendo o resultado do pleito: Argentina e Estados Unidos.

Do visto humanitário ao risco de deportação: Entenda a situação jurídica de Flávio Bolsonaro após a fuga para os EUA Deu no New York Times: Jato que levou Flávio para os EUA teria sido conseguido por funcionário da Casa Branca

Os dados constam em um painel elaborado por um diplomata cedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citado como referência pelo Itamaraty em resposta enviada ao GLOBO. Até a noite desta quinta-feira, o sistema não havia incluído ainda a manifestação de outro integrante do G20, a Indonésia.

O presidente Prabowo Subianto parabenizou o petista pelas redes sociais. Blocos econômicos e organizações internacionais também parabenizaram o petista.

Na lista estão a União Europeia, a União Africana, a Organização Mundial da Saúde (OMS), as Nações Unidas (ONU) e outros. Entre os países vizinhos, todos com a exceção da Argentina reconheceram a vitória de Lula.

Canadá, México, Reino Unido, França, Espanha, China, Índia, Rússia, Austrália também parabenizaram a reeleição. Nesta quinta-feira, Lula respondeu a uma mensagem no X, antigo Twitter, do ex-presidente argentino Mauricio Macri, que o havia parabenizado pela vitória.

O petista agradeceu e alfinetou o atual mandatário, Javier Milei: "Compartilho plenamente o desejo de uma região que trabalhe unida pelo desenvolvimento e pela prosperidade de nossos povos.

E lembro com saudades dos tempos em que diferenças circunstanciais entre nossos países se discutiam e se solucionavam de maneira civilizada e republicana", escreveu Lula. Milei ainda não se manifestou sobre o resultado das eleições.

Também nesta quinta, o argentino parabenizou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pelo resultado do partido Likud nas eleições. Na terça-feira, ao ser questionado durante uma coletiva, o porta-voz da Casa Rosada se limitou a dizer que o governo havia tomado conhecimento do resultado.

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deu ainda uma declaração expressa reconhecendo o resultado das eleições brasileiras e fez críticas ao pleito, sugerindo, sem provas, que poderia se tratar de uma fraude eleitoral. Ele, no entanto, também afirmou não ter tomado partido na disputa a pedido de Lula e acrescentou que ainda iria parabenizar o petista.

— Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha.

O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu — declarou Trump, que, ao longo da semana, disse também que a eleição foi "muito estranha".

— Parecia outra eleição fraudada, francamente (...) Gosto do Lula, me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha. Tanto a Argentina quanto os Estados Unidos fizeram parte da rota de fuga de Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e foi de avião até a Flórida após a derrota para Lula nas urnas.

A saída do país aconteceu na última quarta-feira após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que o senador entregasse o passaporte. A Polícia Federal (PF) suspeita que o governo argentino possa ter ajudado Flávio.

Já segundo o jornal americano The New York Times, o jato que transportou Flávio foi providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca. O governo americano concedeu um visto humanitário ao senador.

Ano de crises diplomáticas Em comum, tanto a Argentina quanto os Estados Unidos são governados por presidentes de direita que protagonizaram conflitos diplomáticos sem precedentes com o Brasil ao longo do último ano.

No início da campanha eleitoral, Javier Milei declarou publicamente apoio ao adversário de Lula e fez ofensas tanto ao petista quanto ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Em resposta, o Brasil rebaixou o nível das relações bilaterais com o país vizinho e retirou o embaixador de Buenos Aires.

Já o americano Donald Trump deu início a um tarifaço contra produtos brasileiros às vésperas do julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Trump também adotou medidas contrárias a interesses do governo brasileiro ao declarar facções criminosas como organizações terroristas.

A decisão foi interpretada pelo Itamaraty como um risco à soberania nacional. Os atritos também envolveram a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

A medida ocorreu em meio à demora do Brasil em aceitar o nome indicado pelo americano para assumir a representanção diplomática dos EUA em Brasília. Em maio, Flávio Bolsonaro foi recebido por Trump na Casa Branca.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →