Novo líder da direita? Derrite peita o próprio partido e busca protagonismo para além de São Paulo

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Com votação expressiva em São Paulo e proximidade com Tarcísio de Freitas, senador eleito começa a testar sua força nas articulações políticas nacionais O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) começa a desenhar seu espaço na próxima legislatura com movimentos que contrariam até mesmo a direção de seu partido.

Ao declarar oposição à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para a presidência do Senado e defender uma candidatura única da direita, o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo sinaliza que pretende ter participação ativa nas articulações nacionais do campo conservador.

A movimentação também coloca Derrite em destaque em um momento de reorganização da direita após as eleições. Com forte votação em São Paulo e proximidade com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o parlamentar pode ganhar projeção nacional.

A questão é até onde essa influência poderá chegar e se ele conseguirá construir uma liderança própria, para além da associação com o governador paulista. Em 27 de outubro, a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre para a presidência do Senado.

A decisão, no entanto, provocou divergências dentro das próprias bancadas. Derrite foi um dos parlamentares que se posicionaram publicamente contra o acordo.

Em manifestação nas redes sociais, o senador eleito afirmou que não votará em Alcolumbre e defendeu que a oposição se organize em torno de um único nome para disputar o comando da Casa em 2027. Entre as alternativas mencionadas por ele estão Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).

O principal argumento de Derrite é que o Senado precisa ter uma presidência comprometida com as pautas defendidas pela direita, especialmente em relação ao STF (Supremo Tribunal Federal). O parlamentar critica o que considera omissão de Alcolumbre diante dos pedidos de impeachment contra ministros da Corte.

A posição contraria a estratégia das cúpulas partidárias, que justificaram o apoio ao atual presidente da Casa pela necessidade de estabilidade institucional e equilíbrio político. A disputa, porém, não está definida.

A eleição será realizada em fevereiro de 2027, por votação secreta entre os 81 senadores. Enquanto Alcolumbre busca consolidar apoios no centro e entre partidos da base governista, Rogério Marinho e Tereza Cristina articulam uma alternativa capaz de reunir a oposição.

Um dos principais ativos de Derrite para conquistar espaço na direita é o resultado eleitoral de 2026. O ex-secretário recebeu 13.273.880 votos, equivalentes a 30,59% dos votos válidos em São Paulo.

Com o resultado, tornou-se o senador mais votado da história do país, superando a marca anterior de Aloysio Nunes, que havia recebido 11,1 milhões de votos em 2010. O desempenho também ampliou o poder político de Tarcísio, que conseguiu eleger os dois candidatos ao Senado que apoiava: Derrite e André do Prado (PL).

Os dois superaram nomes conhecidos nacionalmente, como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). O resultado reforçou a capacidade de articulação eleitoral do governador e a força do grupo que construiu em São Paulo.

A relação entre os dois foi construída principalmente a partir da passagem de Derrite pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, entre 2023 e 2025. Ex-policial militar e com experiência na Rota, ele ganhou visibilidade nacional ao comandar a pasta durante o governo Tarcísio.

Sua atuação também o aproximou do eleitorado conservador, especialmente pela defesa de medidas de endurecimento penal e de maior rigor no combate à criminalidade. Apesar da proximidade, Derrite não ocupa o mesmo patamar de influência de Tarcísio.

O governador tem uma estrutura política mais ampla, controla o Executivo do maior estado brasileiro e foi reeleito em primeiro turno, com 14,49 milhões de votos e 62,65% dos votos válidos. Além disso, sua liderança ultrapassa as fronteiras paulistas e o coloca entre os principais nomes da direita com projeção nacional.

Outro ponto importante é que a relação entre os dois não foi isenta de divergências. Durante a pré-campanha ao Senado, integrantes do PP chegaram a reclamar de uma suposta falta de empenho de Tarcísio na candidatura de Derrite, avaliando que o governador demonstrava preferência por André do Prado.

Também houve desgaste após a saída de Derrite da Secretaria de Segurança Pública, em 2025, para assumir a relatoria do projeto antifacção na Câmara dos Deputados. Apesar dos episódios, os dois mantiveram a aliança e conseguiram eleger os candidatos apoiados pelo governador.

A chegada ao Senado com votação recorde e a disposição de confrontar decisões das cúpulas partidárias dão a Derrite condições de ampliar sua projeção nacional. A segurança pública, tema que marcou sua trajetória política, também pode funcionar como uma plataforma para construir uma identidade dentro do campo conservador.

A possibilidade de disputar o governo de São Paulo em 2030 já aparece nas análises sobre seu futuro político. Uma eventual candidatura poderia colocá-lo como um dos nomes para suceder Tarcísio, caso o atual governador deixe o cargo ao fim do mandato para disputar a Presidência da República.

No curto prazo, o Senado será o principal espaço para Derrite consolidar sua liderança. A disputa pela presidência da Casa será um primeiro teste de sua capacidade de articulação, especialmente porque ele terá de conciliar a posição individual com os interesses do PP e construir alianças com parlamentares de outras legendas.

O mandato de senador, que começa em 2027 e tem duração de oito anos, oferece a Derrite uma plataforma nacional e autonomia para participar de decisões importantes do Congresso. Camila Souza é repórter do ND Mais em São Paulo, de onde apura e escreve sobre os principais assuntos da maior cidade do Brasil.

Integrante do Núcleo Nacional, cobre política, economia, segurança pública e o que mais impacta a população do estado. Acompanha especialmente movimentações políticas e o que acontece na Grande São Paulo, incluindo a capital paulista, Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo, Osasco e a região.

Formada pela UniRitter, em Porto Alegre, trabalha com comunicação desde 2020 e tem experiência em redação multimídia e edição de conteúdo, com passagens por portais de notícias e jornal impresso. Foi repórter nas Eleições 2022 e integrou o Projeto Comprova, iniciativa nacional de checagem de fatos.

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