Lula virou na sua cidade? Veja como votou o município onde você mora

Lula virou na sua cidade? Veja como votou o município onde você mora - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

De 2022 a 2026, Lula conquistou 31 novas cidades nas eleições. As maiores foram as capitais Rio e Macapá.

Entre as duas disputas presidenciais, houve 311 viradas municipais, e a maioria foi pró Bolsonaro. Ainda assim, o presidente conseguiu ampliar a sua votação total.

Mapa da votação: veja voto por estado e por cidade Virada inédita: Flávio protagoniza segunda derrota consecutiva do bolsonarismo e força direita a discutir renovação

A vitória no Rio foi especialmente importante para a campanha de Lula por se tratar do berço bolsonarista no país. Desde a eleição de 2018, é a primeira derrota do Clã Bolsonaro.

Na capital carioca, Lula saiu de 47,3% dos votos em 2022 para 51,5% neste domingo, um ganho de 164 mil votos. Já em Macapá, Lula ganhou 22 mil votos, aumento de 22% na comparação com a última eleição.

Assim, o petista subiu de 45% em 2022 para 51% em 2026, enquanto Flávio caiu de 54,9%, do seu pai, para 49%. Outra virada importante foi em Ananindeua (PA), na Região Metropolitana do Pará.

Lá, Lula teve 52,6% dos votos. Em 2022, o resultado foi de 49,7%.

Flávio Bolsonaro conquistou o maior número de viradas, 280. Entretanto, na maioria dos casos são cidades de menor porte.

Seu maior triunfo foi em Teixeira de Freitas (BA), um dos estados mais lulistas do país. Na cidade, o senador teve 41,4 mil votos, e 50,06% do total.

Em 2022, a disputa já tinha sido acirrada, com vitória de Lula por 50,3% dos votos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente em 14 estados, contando o Distrito Federal, e 2.694 dos 5.571 municípios brasileiros nas eleições 2026.

Já Lula venceu em 2.876 municípios e 13 estados. O Rio Grande do Sul concentrou o maior número de municípios que mudaram de lado, com 69, seguido por Minas Gerais (56), Paraná (43), São Paulo (34) e Goiás (31).

Lula cresceu nas maiores cidades Segundo análise do GLOBO, Lula passou de 47,1% dos votos válidos nas 200 cidades com maior número de eleitores para 49,57%, um crescimento de 2,4 pontos percentuais.

No conjunto dos outros municípios analisados, a votação do petista caiu de 54,6% para 53,9%. No exterior: Líderes estrangeiros parabenizam Lula pela reeleição; Trump não se manifesta

Além disso, no conjunto das 27 capitais, a votação de Lula subiu de 49,7% dos votos válidos em 2022 para 52,8% em 2026, um ganho de 3,1 pontos percentuais. O resultado reflete a mobilização bem sucedida da militância petista, que ocupou as ruas e fez diversos atos de grande impacto nas principais cidades brasileiras.

Desempenho nas regiões A mudança no peso das grandes cidades não significou uma alteração da geografia tradicional do voto petista.

O Nordeste, região que concentra municípios de menor renda e onde programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, têm presença expressiva, continuou sendo o principal reduto eleitoral do partido. Nos municípios nordestinos analisados, Lula recebeu 69,37% dos votos válidos, praticamente o mesmo percentual de 2022, quando teve 69,34%.

O petista venceu exatamente a mesma quantidade de quatro anos atrás. Nas demais regiões, Lula ampliou sua participação de 43,9% para 44,8%, mas passou a liderar em 1101 municípios, contra 1349 em 2022.

Em outras palavras, toda a perda de 248 municípios sob liderança do PT ocorreu fora do Nordeste. O contraste, entretanto, reforça que a mudança na votação de Lula ocorreu graças ao aumento da força eleitoral do partido fora de seus redutos tradicionais, com avanços concentrados nos maiores centros urbanos.

Estratégia nas capitais surtiu efeito O avanço nas capitais indica que funcionou a estratégia de mobilização de Lula e de Flávio, nas ruas e nas redes sociais, que foi uma tônica das últimas semanas de campanha.

Ambos participaram de manifestações volumosas em capitais do Sudeste, região que concentra a maior parte do eleitorado brasileiro, na véspera do segundo turno. A campanha do PT também concentrou esforços em um canal de WhatsApp, o “Exército do Lula”, que atraiu dez milhões de usuários, ajudando a esquerda a pautar o debate nas redes, que vinham sendo uma fortaleza da direita nas últimas eleições.

No conjunto das 27, a participação do PT subiu de 49,7% dos votos válidos em 2022 para 52,8% em 2026, um ganho de 3,1 pontos percentuais. O número de capitais em que o candidato petista venceu a disputa passou de 11 para 13.

A trajetória nas capitais, porém, foi marcada por uma queda ao longo das últimas décadas. O PT havia vencido em todas as 27 em 2002, quando somou 66,9% dos votos válidos nesse conjunto.

Em 2018, conquistou apenas seis, com 40,4% dos votos. Esse resultado pode ser analisado de outra forma: dividindo os 5.570 municípios comparáveis em dez grupos de acordo com o número de votos válidos em 2022.

No primeiro deles, que reúne os 557 maiores municípios, a participação proporcional de Lula avançou de 47,6% para 49,6%. Nos outros nove grupos, a votação proporcional do partido caiu.

Considerados em conjunto, os 557 maiores municípios registraram um avanço de dois pontos percentuais para o PT. Nos outros 5.013, houve recuo de 1,4 ponto.

A redução foi mais acentuada no grupo das 557 cidades com menor votação: nelas, o percentual petista caiu de 50,6% para 46,7%, uma diferença de 3,9 pontos percentuais. Duas cidades deixam claro o aprofundamento do PT como um partido com força proporcionalmente urbana: no Rio de Janeiro, em 2022, Lula perdeu para Jair Bolsonaro por 52,66% a 47,34%.

Neste ano, o cenário se inverteu: Lula teve 51,54% dos votos e venceu a disputa na capital fluminense. Mesmo em capitais em que Lula já havia vencido em 2022, como São Paulo, ele conseguiu ampliar sua fatia.

Há quatro anos, na capital paulista, o petista teve 53,54% dos votos válidos. Neste ano, sua votação foi para 55,50%.

O mesmo ocorreu em Porto Alegre, onde Lula passou de 53,50% para 55,84%. Em Macapá, Jair Bolsonaro havia conquistado 54,92% dos votos em 2022.

Neste ano, foi Lula quem venceu, com 50,99%. A mudança foi particularmente acentuada fora do grupo das 200 maiores cidades.

Nesse conjunto, o PT passou de 3.062 para 2.807 municípios sob sua liderança, um recuo de 255. Entre as 200 maiores, ocorreu o contrário: o partido passou de 61 para 68 cidades em que ficou à frente do adversário.

No país inteiro, a quantidade de municípios liderados pelo PT caiu de 3.123 para 2.875, uma redução de 248. A participação do PT nas grandes cidades vem mudando ao longo das últimas décadas.

Em 2002, quando Lula venceu sua primeira eleição presidencial, o partido obteve 66,3% dos votos válidos no conjunto das 200 maiores cidades consideradas no levantamento. Essa participação, entretanto, foi diminuindo: chegou a 59,6% em 2006, 53,6% em 2010 e 46,8% em 2014.

O pior resultado ocorreu em 2018, quando Fernando Haddad disputou o segundo turno contra Jair Bolsonaro. Naquele ano, o PT obteve apenas 38,1% dos votos válidos nas mesmas 200 cidades.

A recuperação começou em 2022, com o retorno de Lula à disputa. A participação do PT subiu para 47,1%, com liderança em 61 municípios do grupo, e chegou a 49,6% em 2026, quando ficou à frente em 68.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →