Terremoto das Bolsas é 1º grande desafio de Lula 4

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O presidente Lula, após ser eleito para o 4º mandatoRedação DW Os agentes do mercado que acompanhavam com expectativa os rumos da eleição foram dormir tranquilas na sexta-feira (23) crentes de que na segunda (26) o Brasil teria um novo presidente eleito.Era isso o que apontavam as pesquisas.

Com base nisso, o PIB já coçava as mãos com as projeções de ganhos com os terrenos na lua vendidos por Flávio Bolsonaro (PL). Ele prometia um grande corte nas despesas públicas sem apontar exatamente onde passaria a tesoura – ou tesouraço.Aqui e ali seus aliados deixavam vazar os planos.

Transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família, reversão do fim da escala 6 por 1, desregulamentação de atividades como bets e big techs.Na leitura mais óbvia, esses agentes se frustraram com o resultado das eleições porque não veem em Lula (PT) a confiança necessária de que, no governo dele, as contas estarão em dia, a dívida pública, a inflação e os juros, idem.

Flávio não era a garantia de nada disso, mas tinha um trunfo com os empresários com seu projeto de desestatização, cortes de despesas e enxugamento da máquina pública.As propostas eram menos interessantes sob o ponto de vista fiscal do que para os negócios. Quanto menos investimento do Estado, menos concorrente para a iniciativa privada.Pense em gestores de educação privada, que veem no cinturão do ensino público gratuito uma barreira para a expansão dos negócios.

O mesmo vale para empresas de saúde em relação ao SUS, outro sistema para o qual já estava apontada a tesoura do Zero Um. O ministro da Saúde escolhido, por exemplo, defendia investimento zero no setor.Flávio representava uma possibilidade de abrir aos investidores a participação em mercados hoje dominados pela Petrobras e outras empresas públicas ou de economia mista.

Com Lula, esse jogo trava, e a penalização veio nas primeiras horas do anúncio de sua reeleição, com queda acentuada das ações na Bolsa e a disparada do dólar.No pior momento do dia, o Ibovespa caiu 16,26%, o que levou ao acionamento do circuit breaker – espécie de pausa para hidratação dos mercados.A moeda norte-americana subiu 12,52%, e chegou a ser negociada a R$ 5,605, depois de inúmeras quedas desde o resultado do primeiro turno.Todos no governo sabiam que o tranco viria, mas não dessa dimensão.Tanto que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, acionou o Tesouro Nacional para intervir comprando papeis de títulos públicos.O fato de o mercado não saber se ele seguirá à frente da economia ou quem serão os novos futuros ministros de Lula lança uma dose extra de incerteza entre atores que trabalham com previsibilidade.Passada a eleição, Lula precisa agora dar um recado claro de como pretende conduzir as contas públicas daqui em diante.

Se a volatilidade do mercado for o novo normal, a conta logo chega para as camadas mais populares, a base dos seus eleitores, afetadas pelo aumento dos preços de produtos ancorados no dólar.Lula 4 só começa inicialmente em 2027.Mas a fatura dos desafios já chegou no dia seguinte.

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