Petista reverte desvantagem do primeiro turno após campanha marcada por ataques, disputas judiciais e tensão no dia da votação O presidente Lula (PT) foi reeleito neste domingo, 25, para um quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026.
Com 98,76% das urnas apuradas, o petista tinha 51,75% dos votos válidos (63.388.523), contra 48,25% do adversário (59.099.143), em uma disputa marcada por forte polarização e que terminou sob tensão após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) alterar o horário de votação no dia do pleito.
A vitória representa uma virada em relação ao primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%.
A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual. Lula chega, assim, ao quarto mandato presidencial.
Ele foi eleito pela primeira vez em 2002, reelegeu-se em 2006, voltou ao Planalto em 2023 e, agora, conquista mais quatro anos no cargo. A campanha do segundo turno foi marcada menos pela apresentação de programas de governo e mais pela tentativa dos dois lados de elevar a rejeição ao adversário.
Lula e Flávio trocaram acusações sobre corrupção, segurança pública, economia e suas respectivas trajetórias políticas. Os dois só se enfrentaram diretamente em debates no segundo turno.
O primeiro confronto ocorreu na Band, em 18 de outubro, depois de uma campanha de primeiro turno sem debates entre os principais candidatos. No encontro, houve sucessivas provocações e acusações, além da apresentação de algumas propostas.
Na reta final, Lula também intensificou a mobilização de rua e digital. Um dos principais instrumentos foi o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que chegou ao centro de uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os limites da mobilização coordenada de apoiadores.
Outra frente de confronto foi a discussão sobre a abertura dos sigilos dos candidatos. Lula desafiou Flávio durante o debate da Band a autorizar a divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos.
Nos dias seguintes, as duas campanhas passaram a trocar acusações sobre as condições para a abertura das informações e levaram o impasse ao TSE. O governo também chegou à reta final anunciando medidas direcionadas a diferentes segmentos.
Entre elas estiveram benefícios a microempreendedores e iniciativas voltadas a pequenas empresas, enquanto Flávio explorou na campanha propostas de mudança na segurança pública, na economia e a promessa de retomada do Perse para o setor de eventos. A votação deste domingo terminou sob forte tensão jurídica e política.
Durante a tarde, a campanha de Lula denunciou problemas no transporte público de eleitores, principalmente na Bahia, e pediu ao TSE a extensão do horário de votação. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, levou depois a questão ao STF.
O ministro Cristiano Zanin acolheu o pedido e determinou a prorrogação da votação até as 19h, horário de Brasília. A decisão ocorreu quando o horário inicialmente estabelecido para o encerramento, às 17h, já havia chegado em parte do país.
O episódio provocou confusão no processo de encerramento do pleito. O TSE chegou a iniciar a divulgação dos resultados e, às 17h20, interrompeu a totalização dos votos em razão da decisão do Supremo.
Zanin posteriormente esclareceu que a ordem deveria ser cumprida nos locais em que as urnas ainda não haviam sido fechadas. Nas seções já encerradas, os votos poderiam ser computados e totalizados.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, enviou ofício aos Tribunais Regionais Eleitorais orientando que as seções que ainda estivessem abertas permanecessem em funcionamento até as 19h e determinando a adoção das providências necessárias ao cumprimento da decisão. A mudança provocou forte reação da campanha de Flávio.
O coordenador da candidatura, Rogério Marinho (PL-RN), acusou o STF de “intervenção” e falou em risco de “golpe judiciário” ou “chicana administrativa”. Parlamentares aliados também passaram a questionar a segurança jurídica da eleição.
O Ministério Público Eleitoral havia se manifestado contra a ampliação do horário, sob o argumento de que o encerramento às 17h estava previsto nas regras do pleito e que medidas já haviam sido tomadas para garantir o transporte dos eleitores. A controvérsia acrescentou um último capítulo de judicialização a uma campanha já marcada por sucessivas disputas no TSE e no STF.
Lula chegou ao segundo turno em situação diferente das eleições presidenciais anteriores que venceu. Desta vez, entrou na etapa decisiva atrás do adversário e precisou buscar votos de eleitores que haviam escolhido outros candidatos no primeiro turno.
Na manhã deste domingo, depois de votar em São Bernardo do Campo, o presidente já havia atribuído à mobilização popular uma eventual vitória. “Se eu ganhar essas eleições, eu só devo a minha eleição ao povo brasileiro, que foi efetivamente um exército”, afirmou.
Com a vitória confirmada, Lula permanecerá no Palácio do Planalto até 2030. O novo mandato começará em 1º de janeiro de 2027.
O Antogonista