Em discurso da vitória, Lula agradece Janones, reclama de 'intromissão' externa e diz que fará um governo 'diferente'

Em discurso da vitória, Lula agradece Janones, reclama de 'intromissão' externa e diz que fará um governo 'diferente' - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

No discurso após vitória neste domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou de "intromissão de fora para dentro" das big techs, disse que fará um governo "diferente" e agradeceu ao deputado André Janones (Rede-MG), que ajudou a impulsionar a campanha digital do petista.

Com a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL), a primeira vez que um presidente é eleito para um quarto mandato na Presidência e a primeira vez desde a redemocratização que um candidato derrotado no primeiro turno consegue uma virada. "Essa foi uma eleição que teve que vencer com uma intromissão de fora para dentro através das plataformas digitais", acusou o presidente.

Ele acompanhou a reta final da apuração em hotel na região da Avenida Paulista, em São Paulo, com lideranças do governo e da campanha. "Nós vamos ter de regulá-las", prometeu.

"Não é possível que a gente não tenho consciência que o crime no mundo digital tem de ser tratado igual o crime no mundo real." O presidente prometeu um quarto mandato diferente.

"Essas eleições me ensinaram muitas lições. Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país", afirmou, indicando que fará uma gestão mais inclusiva e digital.

"Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões." Lula voltou a criticar Flávio.

"Esta eleição foi uma derrota para o negacionismo, foi uma derrota da mentira, e eu confesso a vocês que, cada vez que eu ia no debate, ficava constrangido", disse. "Nunca pensei em me deparar com o representante genuíno do milicianismo neste país, nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez, como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo."

Janones foi um dos poucos citados nominalmente por Lula, agradecendo pelo engajamento no canal de WhatsApp "Exército do Lula". "A comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no nosso governo", ponderou, chamando o deputado de "general", apelido autoimplicado por ele como comandante do canal.

"Daqui pra frente, vou conversar muito com o povo brasileiro", prometeu. "Uma vez que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário, tenho que governar para 215 milhões", completou.

Antes, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também fez agradecimentos. "Gratidão ao povo brasileiro , saldar as mulheres, que fizeram toda a diferença, e aos idosos que se sacrificaram", disse.

"Ao senhor, presidente, meu profundo respeito. O senhor pela segunda vez salvou a democracia brasileira.

Parabéns!" Em um auditório lotado por apoiadores, o presidente foi recebido com gritos de "Olê olê olá, Lula, Lula" e "Lula, guerreiro do povo brasileiro".

A vitória foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, com 97% das urnas apuradas. Lula tinha 51,74% dos votos, contra 48,26% de Flávio.

No palco, além de Alckmin e a primeira-dama Janja da Silva, estavam com ele membros do governo, como o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), aliados políticos, como o presidente do PSB, João Campos, e lideranças da campanha, como o senador Camilo Santana (PT-CE) e o presidente petista, Edinho Silva.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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