Lula tem chance de virar sobre Flávio Bolsonaro? Veja análise de colunistas sobre a última pesquisa Quaest

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Sob o comando da jornalista Vera Magalhães, os colunistas Míriam Leitão, Renato Meirelles, Mauricio Moura e Thays Oyama analisam a segunda pesquisa Quaest do segundo turno para a Presidência da República, que trouxe o empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45% x 44%. O GLOBO ELEIÇÕES: Participe da comunidade e saiba tudo sobre as campanhas, debates e sabatinas Para Míriam Leitão, a eleição "ficou um pouco mais empatada".

— Flávio oscilou negativamente de 46% para 45% e Lula se manteve. Essa é a característica dessa eleição. A favor do presidente Lula tem a rejeição que caiu e a aprovação que oscilou positivamente um ponto. É como se a eleição ficasse um pouquinho mais empatada — disse a colunista Míriam Leitão, acrescentando. — Ainda não podemos dizer quem vai ganhar a eleição. Felipe Nunes: para vencer, PT precisa repetir o que fez em 2014 com Dilma e reduzir a 'alienação eleitoral'; entenda A colunista Thays Oyama acredita que o debate da Band surtiu efeito na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira. Sobretudo pela postura agressiva de Flávio Bolsonaro. — O debate já deu uma mexida na rejeição. Pode ter sido fruto direto das performance dos candidatos, principalmente a arrogância do Flávio. E o presidente Lula, em vez de velho, é maduro, que tem experiência — analisa Thays Oyama.

Mauricio Moura vê um segundo turno muito estável, sendo favorável ao candidato bolsonarista. — O número de aprovação é o número central dessa eleição. Em 2014, a Dilma tinha mais de 50% de aprovação. E os dados de hoje dialogam com os números de Jair Bolsonaro em 2022. Dois fatores são fundamentais para a virada do Lula que não tenho visto nas pesquisas. Primeiro, é a conversão de votos, tem que roubar do Flávio. A segunda coisa, se estiver empatado, o que mais pega é abstenção maior dos eleitores do PT. Esse cenário, com o tempo passando, é desfavorável ao presidente Lula. Temos um cenário de segundo turno muito estável — disse o especialista em pesquisas Mauricio Moura. Abstenção, nulo e terceira via: como migram os votos do primeiro turno para Flávio ou Lula Veja ainda: Medo do retorno dos Bolsonaro volta a superar o da reeleição de Lula Na opinião dos colunistas, a eleição pode ser analisada como um plebiscito sobre Lula: se ele merece ou não continuar à frente da Presidência da República. — A eleição é sobre Lula, é o julgamento do governo Lula. Essa é a principal dificuldade que o presidente tem enfrentado. O PT estava esperando uma virada que não veio depois de alguns indícios, como a mobilização nas ruas, na internet, as bondades. Mas são apenas oscilações, por enquanto. É difícil o Lula encarnar a mudança depois de tanto tempo de poder, e ele fica empacado nesses níveis de aprovação. É uma eleição marcada pela rejeição e pelo cansaço — diz Oyama. Renato Meirelles acredita que o antipetismo ainda é muito forte no país, dificultando a virada esperada pela campanha de Lula: — Contra o Flávio, o Lula tem chances de ganhar, contra o antipetismo, não tem como. Debate econômico A discussão sobre economia também pode ser fundamental no debate da TV Globo, na próxima sexta-feira, para alguma mudança nas urnas no dia 25. Um dos principais problemas do PT, segundo Míriam Leitão, é a dificuldade de Lula falar para o novo tipo de trabalhador. — O MEI veio de fato do governo Lula, mas ele ainda fala como sindicalista. Ele fala para o público formal e não para o resto da economia. E, para os economistas, o Lula é gastador, enquanto o governo Bolsonaro foi austero, e não é verdade.

O debate, na opinião dos colunistas, pode ser a última chance de os programas de governo serem realmente conhecidos, principalmente o do candidato bolsonarista. Até o momento, Flávio não soube explicar como fará o corte de mais de R$ 200 bilhões nos gastos públicos.

— Flávio ou está enganando o mercado ou está enganando o eleitor. Um dos dois está sendo enganado — argumenta Mauricio Moura. Onda final Para além dos números da pesquisa, os movimentos nas ruas e nas redes sociais, por onde os eleitores têm se informado, também indicam que pode haver uma onda final como já aconteceu em eleições anteriores.

— No primeiro turno, foi tudo muito frio e, esse segundo turno, está muito quente. Esse maior interesse pode anular um pouco o fato de não ter o chamariz das disputas locais, com as eleições estaduais definidas. Pela primeira vez, está tendo mobilização. A vantagem do Flávio é não ter perdido a dianteira. Se esse movimento de aproximação é suficiente para o Lula, só o tempo vai dizer. Aonda da direita do primeiro turno era fácil ser sentida. Isso fez o Flávio ir para o primeiro lugar. Da mesma forma, teve uma onda final em 2022 que aproximou o Jair Bolsonaro do Lula. Aindaé uma eleição em aberto, tem muitos movimentos a acontecer. A dinâmica dessa eleição é muito diferente das outras —disse Míriam Leitão. — Não dá para dizer quem vai ganhar a eleição. Não dá para saber o que vai acontecer. Talvez esse debate seja o mais importante desde a redemocratização — enfatiza Renato Meirelles.

Interferência do TSE A notícia de que o TSE estuda proibir os canais de WhatsApp a 48 horas das eleições foi lida como uma possível interferência do tribunal no pleito pelos colunistas. — Eles estão discutindo porque pela primeira vez o bolsonarismo está perdendo no WhatsApp. Várias pesquisas comprovam que quanto mais se informam pelas redes sociais, os eleitores votam mais na extrema-direita. E agora está tendo uma reação dos apoiadores do Lula com o exército do Lula. É interessante tirar os canais do ar agora — afirma Renato Meirelles.

—Acho isso de uma gravidade sem par. Assim como o STF foi aparelhado recentemente, é inegável que o TSE está agindo de maneira direcionada. E isso pode resultar na contestação de resultado — alega Thays Oyama. 'Contagem regressiva' até o fim das eleições A cobertura do GLOBO traz na reta final das eleições 2026 a live diária "Contagem Regressiva", comandada pela jornalista Vera Magalhães com a com a presença dos colunistas do jornal para discutir as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os bastidores e os resultados das últimas pesquisas.

Nesta quarta-feira, Míriam Leitão, Renato Meirelles, Mauricio Moura e Thays Oyama analisaram a segunda pesquisa Quaest do segundo turno. O primeiro convidado da live foi o comentarista político Thomas Traumann, que analisou o desempenho dos candidatos no debate da Band, realizado na véspera. Na terça-feira, os jornalistas Míriam Leitão e Bernardo Mello Franco avaliaram as propostas populistas de última hora dos dois candidatos.

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