Lula se reúne com André Lara Resende para romper a ditadura dos juros altos

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O encontro agendado para esta semana em Brasília entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o economista André Lara Resende, noticiado pelo Brasil 247, recoloca no centro do poder a urgência de demolir a muralha da ortodoxia que trata os juros estratosféricos como uma fatalidade brasileira.

A audiência ocorre na largada da transição para o quarto mandato petista e abre a oportunidade histórica de corrigir o maior erro político do ciclo que se encerra, marcado pela atenção insuficiente às formulações do pensador carioca e pela concessão excessiva aos dogmas do mercado financeiro.

Reconhecido como um dos intelectuais mais sofisticados e inteligentes do país, o ex-diretor da autoridade monetária leva ao Palácio do Planalto um roteiro detalhado para encerrar a ditadura rentista que drena o orçamento público e trava o investimento produtivo. Longe da caricatura de gastador irresponsável pintada hoje por seus adversários ortodoxos, ele sustenta uma visão lúcida, pragmática e honesta da macroeconomia, segundo a qual a verdadeira responsabilidade com as contas nacionais começa pelo fim da transferência bilionária de recursos dos contribuintes para os bancos.

O diagnóstico que desmonta a farsa do terrorismo orçamentário A proposta que será debatida com o chefe do Executivo foi apresentada no ensaio Eu Acuso, publicado em setembro no Substack e discutido em outubro no Centro Brasileiro de Relações Internacionais.

No documento, o autor demonstra com estatísticas do Fundo Monetário Internacional que o Brasil registra um resultado primário equilibrado para os padrões mundiais, mas padece com um rombo nominal explosivo fabricado pela própria conta de encargos financeiros. Em junho de 2026, o custo médio da dívida bruta de R$ 10,9 trilhões, equivalente a 82,5% do Produto Interno Bruto, atingiu a marca de 12,68% ao ano.

Esse patamar impõe ao Tesouro Nacional uma fatura anualizada de R$ 1,4 trilhão, ou 10,5% de toda a riqueza gerada no território brasileiro, volume que nenhum corte convencional de despesas sociais conseguiria compensar sem mergulhar a sociedade em uma recessão profunda. A aritmética exposta pelo formulador desmascara a narrativa repetida diariamente pelos editoriais da velha imprensa corporativa.

Enquanto o passivo público cresce quase 13% ao ano por força exclusiva da taxa Selic e a economia nominal avança perto de 7%, a proporção do endividamento sobe 5,7% a cada doze meses, provando que o Banco Central agrava o desequilíbrio que declara combater. “Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater.

Acuso a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica.

E acuso todos os que, sabendo que juros absurdos inviabilizam o país, preferem o conforto do consenso ao incômodo da verdade.” André Lara Resende, no ensaio Eu Acuso

O plano de André Lara Resende para reduzir a Selic e aliviar o custo da dívida pública em 4% do PIB ao ano (Arte O Cafezinho com dados de Substack / CEBRI) Conselho integrado e Selic situada na faixa de 3% a 5,5%

Para desarmar essa armadilha, o plano propõe a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional, colegiado encarregado de fixar diretrizes conjuntas para quatro a cinco anos e de superar a separação rígida entre a gestão do Orçamento e o controle da moeda. Nessa nova arquitetura institucional, a autarquia monetária preserva sua condução operacional, mas atua submetida a metas coordenadas que separam o custeio corrente dos investimentos plurianuais e simplificam a tributação.

A engrenagem principal da estratégia consiste em estabelecer um intervalo permanente para o juro básico situado entre o piso de 3% ao ano, correspondente à meta de inflação, e o teto de 5,5% ao ano, calculado pela soma do índice inflacionário ao crescimento real potencial de 2,5% do produto.

Para evitar choques abruptos, a transição ocorreria ao longo de um ano até alcançar o degrau intermediário de 7,5% anuais, composto pelo limite estrutural acrescido de uma margem temporária de segurança de 2%. O recuo do encargo médio de quase 13% para 7,5% geraria uma economia anual próxima de quatro pontos percentuais do PIB, derrubando o déficit nominal de 10,5% para cerca de 6% da renda nacional.

Como mais da metade dos títulos públicos é formada por Letras Financeiras do Tesouro indexadas diretamente à Selic, o alívio nas contas estatais seria transmitido com rapidez, enquanto os mais de US$ 350 bilhões em reservas cambiais serviriam de escudo contra movimentos especulativos no dólar.

Do principado liberal à ruptura com os dogmas atrasados A autoridade política deste manifesto brota da biografia singular de quem conhece por dentro todas as engrenagens do Estado e do sistema bancário.

Nascido no Rio de Janeiro em 1951 e filho do célebre escritor mineiro Otto Lara Resende, formou-se pela Pontifícia Universidade Católica carioca, concluiu o doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em 1979 e construiu carreira como professor universitário e sócio dos bancos Garantia, Unibanco e Matrix.

Nos anos 1980, concebeu ao lado de Pérsio Arida a famosa proposta Larida de moeda indexada para vencer a hiperinflação inercial e integrou a equipe que desenhou o Cruzado em 1986. Na década seguinte, atuou como negociador da dívida externa, diretor do Banco Central, presidente do BNDES e um dos pais fundadores do Plano Real em 1994, trajetória que o consagrou durante muito tempo como um dos príncipes do liberalismo brasileiro.

Ao contrário de antigos colegas que se cristalizaram na defesa cega de modelos fracassados, teve a grandeza intelectual de revisar premissas quando a crise global de 2008 escancarou a falência do receituário neoclássico. Em livros premiados como Os Limites do Possível, Juros, Moeda e Ortodoxia, Consenso e Contrassenso e Camisa de Força Ideológica, demonstrou que um Estado soberano emissor de sua própria moeda não enfrenta risco de insolvência interna e que o terrorismo de mercado serve apenas para interditar o desenvolvimento.

O sonho de uma virada histórica no governo Lula 4 Durante a transição de 2022, um grupo coordenado pelo economista no CEBRI, do qual fazia parte o atual presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, já havia entregado ao gabinete eleito diretrizes para coordenar a política econômica.

Embora tenha recusado na época um convite para comandar o Ministério do Planejamento, seus alertas sobre o estrangulamento imposto pelo juro real mais elevado do planeta mostraram-se proféticos ao longo dos últimos quatro anos. Agora, com a legitimidade de uma vitória consagradora nas urnas e a necessidade de destravar obras de infraestrutura, reindustrialização e inovação tecnológica, o quarto mandato de Lula tem diante de si a chance de promover uma inflexão definitiva.

Dar protagonismo a André Lara Resende na condução macroeconômica, com o verdadeiro sonho de vê-lo indicado para comandar o Ministério da Fazenda, significaria libertar o Brasil da camisa de força ortodoxa e inaugurar um ciclo duradouro de prosperidade produtiva e soberania popular.

LULA SE REÚNE COM ANDRÉ LARA RESENDE PARA ROMPER A DITADURA DOS JUROS ALTOS O encontro desta semana em Brasília abre a chance histórica de corrigir o maior erro do Lula 3 e quebrar a muralha da ortodoxia econômica no início do governo Lula 4.

pic.twitter.com/lararesende — O Cafezinho (@ocafezinho) 1 de novembro de 2026

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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