Lula reeleito. E agora? O agro vai se ajoelhar?

Lula reeleito. E agora? O agro vai se ajoelhar? - Foto
Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Com a FPA alinhada a Flávio e uma bancada ruralista fortalecida no Congresso, o quarto mandato de Lula começa com cobranças por crédito, seguro, renegociação de dívidas e diálogo. Lula está reeleito.

Recebeu 51,74% dos votos válidos e terá um quarto mandato, de 2027 a 2030. A disputa acabou, mas a conversa com o agro, nem começou.

Em setembro, num comício em Florianópolis, o presidente disse que, se dependesse do dinheiro destinado pelo governo, o agronegócio catarinense deveria “não só votar, mas se ajoelhar” para ele. A fala veio no contexto de uma defesa dos recursos de crédito para o setor.

Agora, com a eleição decidida, a pergunta é outra: como transformar crédito anunciado em acesso, seguro em proteção e discurso em diálogo? O Plano Safra 2026/27 já está em execução: são R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões para operações do Pronaf.

O próximo governo terá de conduzir esse ciclo e começar a desenhar o seguinte. O tamanho do anúncio importa, mas também importam juros, garantias e a hora em que o recurso chega ao produtor.

A conta do crédito merece atenção. Estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com dados do Banco Central, aponta que a inadimplência no crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,7% em agosto.

A chamada carteira problemática somava R$ 205 bilhões, ou 23,8% do crédito rural, um indicador que também inclui operações renegociadas ou prorrogadas, e não apenas parcelas vencidas. O seguro rural também espera resposta.

Em 2025, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural beneficiou 42 mil produtores e cobriu 3,2 milhões de hectares. Em 2024, foram mais de 86 mil produtores e 7,3 milhões de hectares.

O próprio relatório do governo aponta insuficiência de recursos para atender à demanda. Com clima cada vez mais imprevisível, proteção não pode aparecer só depois da perda.

E a pauta não termina no caixa: inclui pesquisa, mão de obra qualificada, infraestrutura, autonomia em fertilizantes e sustentabilidade para manter mercados abertos. É um roteiro extenso, mas o produtor não escolhe qual problema vai bater primeiro à porteira.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Seu presidente, Pedro Lupion, estima que a bancada poderá chegar a 330 deputados e 47 senadores ligados às pautas do agro.

É uma projeção da própria FPA, ainda sujeita à formação da lista da próxima legislatura. A frente tem força para pautar o Congresso, embora seus integrantes não votem sempre como um bloco.

Lula, portanto, encontrará uma bancada que apoiou o adversário e chega fortalecida. Isso não significa que a relação esteja condenada à briga permanente: crédito, seguro e renegociação de dívidas são problemas concretos, e a negociação será necessária qualquer que seja a preferência política de cada parlamentar.

A FPA também terá de decidir se transforma o apoio eleitoral a Flávio em oposição automática ou em capacidade de cobrar entregas para o setor. Então, o agro vai se ajoelhar? A campanha passou.

O que o campo precisa agora é sentar à mesa, sem pedir favor e sem aceitar que política pública seja tratada como dívida de gratidão. Lula terá de mostrar resultado e a bancada ruralista também.

Publicação Original ND Mais ndmais.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →