Expectativa de política fiscal mais rigorosa numa troca de governo havia valorizado ativos brasileiros nas últimas semanas A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que derrotou Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial de domingo, 25, provocou uma forte turbulência nos mercados financeiros na manhã desta segunda-feira, 26.
Por volta das 9h40, o dólar havia disparado mais de 10%, superando R$ 5,50, enquanto os contratos futuros do Ibovespa chegaram a registrar perdas próximas de 20%. A intensidade dos movimentos levou a B3 a ampliar sucessivamente os limites de oscilação das negociações.
O dólar comercial abriu em alta de 8,65%, cotado a R$ 5,425. Às 9h36, a valorização havia alcançado 10,69%, com a moeda americana negociada a R$ 5,5231.
O movimento foi predominantemente doméstico: no início da manhã, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de moedas internacionais, subia apenas 0,08%. Na Bolsa, o Ibovespa futuro abriu em queda de 14,84%, aos 177.215 pontos, e teve as negociações praticamente paralisadas.
Após a retomada, as perdas se aprofundaram. Às 9h40, o contrato recuava 19,70%, aos 167.095 pontos.
A B3 ampliou o limite de queda dos contratos futuros para 20% e elevou o limite de alta do dólar futuro para 12%. A pressão começou antes da abertura dos negócios no Brasil.
Em Nova York, o EWZ, fundo negociado em Bolsa que acompanha ações brasileiras, chegou a cair 27% no pré-mercado. Em Tóquio, um fundo semelhante perdeu 15%, sua maior queda diária desde 2008.
Títulos brasileiros denominados em dólar também registraram desvalorização. A reação contrariou as posições assumidas por grande parte dos investidores nas semanas anteriores.
A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno havia provocado forte valorização dos ativos brasileiros, alimentada pela expectativa de uma política fiscal mais rigorosa e de redução futura dos juros. Bancos internacionais, como JPMorgan, Morgan Stanley, UBS e Citigroup, haviam divulgado recomendações favoráveis ao mercado brasileiro.
Com a vitória de Lula, essas expectativas foram revistas. O JPMorgan reduziu sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros.
A avaliação predominante entre os analistas é que a continuidade do governo petista aumenta as dúvidas sobre a capacidade de controlar o déficit público e estabilizar a dívida. A turbulência também atingiu o mercado de juros.
Os contratos futuros registraram fortes altas em diferentes vencimentos, refletindo a elevação do risco percebido pelos investidores. O DI para janeiro de 2031 chegou a 14,46%, avanço de aproximadamente 1,9 ponto percentual.
O Antogonista