247 – As expectativas dos brasileiros em relação ao futuro econômico garantiram a primeira reação positiva na confiança das famílias após cinco recuos seguidos. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (26) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou avanço de 0,5 ponto no mês de outubro na comparação com setembro, atingindo a marca de 84,7 pontos.
Apesar da interrupção na sequência de quedas, o setor segue operando em patamar de pessimismo, informa a Folha de S.Paulo. O desempenho no mês foi impulsionado exclusivamente pelo otimismo em relação aos próximos meses.
O Índice de Expectativas (IE) avançou 2,8 pontos no período, saltando para 88 pontos. Em contrapartida, a avaliação sobre o cenário contemporâneo sofreu deterioração: o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 2,6 pontos e recuou para 81,4 pontos, atingindo o patamar mais baixo observado desde março de 2025, quando marcou 81,2 pontos.
Especialistas alertam que o momento exige prudência, uma vez que a reação pontual não consolida uma mudança definitiva de tendência. O orçamento doméstico e o comprometimento de renda continuam atuando como barreiras para um crescimento sustentado da percepção positiva no mercado nacional.
“A influência para alta em outubro foi concentrada nos indicadores de expectativas, com piora na percepção sobre o momento presente”, disse Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre. “O cenário das condições financeiras das famílias, com alto endividamento e inadimplência, parece ser um limitador para continuidade do avanço da confiança dos consumidores no último trimestre do ano.”
A recuperação verificada no indicador serve apenas para anular o revés registrado no levantamento anterior, sem alterar a dinâmica geral do consumidor em relação à economia. “Ainda é preciso cautela com o resultado do mês dado que ele apenas compensa a queda observada no mês passado e o nível do ICC se mantém em terreno de pessimismo”, disse Tobler.
Brasil 247