247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera a possibilidade de convidar o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para assumir o Ministério da Fazenda em seu quarto mandato, que começa em janeiro de 2027. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o petista reúne experiência na administração das contas públicas e capacidade de articulação política.
Embora aliados afirmem que ele aceitaria renunciar ao governo estadual para integrar a equipe federal, o chefe do Executivo piauiense declarou nesta segunda-feira (26) que não discutiu a hipótese e pretende permanecer no cargo. De acordo com reportagem das jornalistas Adriana Fernandes e Catia Seabra, publicada pela Folha de S.Paulo, o presidente já comunicou a pessoas próximas seu interesse em incorporar Fonteles ao próximo governo.
O comando da Fazenda aparece como a principal possibilidade, mas Lula ainda não tomou uma decisão sobre quem conduzirá a política econômica nos próximos quatro anos. A movimentação ocorre um dia após a reeleição de Lula, que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno de domingo (25).
O presidente começou a avaliar a composição ministerial para o novo mandato, enquanto integrantes de sua base discutem nomes capazes de combinar experiência administrativa, confiança política e capacidade de negociação com o Congresso Nacional. Segundo auxiliares presidenciais, Lula considera Fonteles preparado para assumir responsabilidades na Esplanada dos Ministérios.
A avaliação leva em conta sua trajetória na gestão fiscal do Piauí, a experiência no diálogo com governadores e o desempenho eleitoral que garantiu sua recondução ao Executivo estadual. Governador nega negociação para assumir o Ministério da Fazenda
Apesar das informações sobre uma eventual disposição para deixar o governo piauiense, Fonteles afastou publicamente a possibilidade de assumir a Fazenda. Em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira, o governador afirmou que não recebeu convite nem discutiu sua participação no próximo ministério.
“Qualquer menção positiva ao nosso nome, a gente agradece, mas eu nunca tratei com o presidente da república sobre qualquer cargo, um eventual mandato dele, antes da eleição ou depois da eleição”, disse Fonteles. O governador também declarou que não considera abandonar o mandato para o qual acaba de conquistar a reeleição.
Segundo ele, sua expectativa é receber a diplomação e continuar à frente da administração estadual a partir de janeiro. A posição contrasta com relatos de aliados apresentados pela Folha.
Segundo esses interlocutores, Fonteles estaria disposto a aceitar uma missão no governo federal caso Lula formulasse pessoalmente o convite, mesmo que isso exigisse sua renúncia ao cargo de governador. A eventual transferência para Brasília dependeria de uma reorganização política no Piauí.
Fonteles venceu a eleição estadual para um segundo mandato e teria de entregar a chefia do Executivo ao vice-governador eleito, Washington Bandeira, caso decidisse assumir um ministério. Escolha do vice facilita eventual mudança para Brasília
A composição da chapa de Fonteles nas eleições de 2026 passou a integrar as análises sobre seu futuro político. Durante a preparação da campanha estadual, o governador escolheu Washington Bandeira, então secretário de Educação, para disputar a vice-governadoria.
A decisão teria provocado divergências com dirigentes locais do PT, mas Fonteles manteve sua preferência por Bandeira, integrante de seu círculo de confiança. A proximidade entre os dois é apontada por aliados como um fator que poderia facilitar uma eventual sucessão no governo estadual.
De acordo com pessoas próximas ao governador, Fonteles priorizou a presença de um aliado com quem mantém relações políticas e pessoais. Esse arranjo permitiria uma transição no comando do Piauí caso Lula decidisse convidá-lo para integrar o ministério.
Participação na campanha aproximou Fonteles de Lula A projeção de Fonteles entre os possíveis integrantes do próximo governo ganhou força durante o segundo turno das eleições presidenciais.
O governador participou da coordenação da campanha de Lula e assumiu funções relacionadas à preparação do candidato para os debates. Nessa atividade, trabalhou ao lado do senador Camilo Santana (PT-CE) e do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira.
Os três participaram da organização da estratégia eleitoral que acompanhou a recuperação de Lula na disputa contra Flávio Bolsonaro. O presidente reconheceu a contribuição de Fonteles durante o pronunciamento da vitória, no domingo.
O agradecimento reforçou a percepção de integrantes do PT de que o governador passou a ocupar um espaço de maior proximidade com o núcleo político presidencial. A participação na campanha também ampliou as discussões sobre a renovação dos quadros petistas.
Fonteles e Camilo Santana aparecem entre os nomes mencionados para assumir responsabilidades no novo governo, em meio às articulações sobre a composição ministerial. Experiência na Fazenda do Piauí fortalece nome do governador
Antes de conquistar o governo estadual em 2022, Fonteles construiu parte de sua trajetória política na administração das finanças públicas. Durante o governo de Wellington Dias, ocupou a Secretaria da Fazenda do Piauí e participou das negociações fiscais entre estados e União.
Entre 2019 e 2021, presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Na função, coordenou discussões envolvendo arrecadação, tributação e interesses financeiros dos governos estaduais.
A experiência levou integrantes da área econômica do PT a identificar Fonteles como um possível nome para assumir responsabilidades nacionais. Aos 37 anos, quando venceu sua primeira eleição para governador, ele representava uma aposta na renovação dos quadros do partido.
Naquele período, aliados passaram a chamá-lo de “Tarcísio da esquerda”, em referência a Tarcísio de Freitas, eleito governador de São Paulo em 2022 com apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL). A comparação refletia a expectativa de que Fonteles ganhasse projeção nacional como representante de uma nova geração de dirigentes petistas, combinando experiência administrativa e atuação eleitoral.
Alckmin e Galípolo também aparecem nas discussões A possibilidade de indicação de Fonteles integra uma disputa mais ampla pelo comando da equipe econômica.
O vice-presidente Geraldo Alckmin figura entre os nomes examinados por interlocutores de Lula, assim como integrantes do governo com experiência em política monetária e administração pública. Auxiliares presidenciais também consideram a possibilidade de escolher um profissional ligado ao mercado financeiro.
O presidente ainda não definiu qual perfil pretende priorizar na condução da Fazenda. Entre os nomes que circulam nas conversas estão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Renan Calheiros (MDB-AL).
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, tende a permanecer na função. Pessoas próximas ao presidente atribuem essa perspectiva à confiança de Lula em seu conhecimento técnico e à capacidade de negociar propostas com parlamentares.
Definição da Fazenda integra reorganização do governo Lula A escolha do futuro ministro ocorre em um momento de discussões sobre a política econômica do quarto mandato.
O novo governo terá de apresentar suas prioridades fiscais e estabelecer os instrumentos que pretende utilizar para administrar as contas públicas. Durante entrevista à GloboNews, Fonteles comentou a reação do mercado financeiro à reeleição de Lula.
O governador avaliou que investidores haviam incorporado aos preços dos ativos a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e precisariam rever suas posições após o resultado. “Nós temos que esperar alguns dias para poder ver como vai ser o comportamento também desses investidores, para ver o que isso, de fato, vai afetar a economia real”, afirmou.
O governador também defendeu a condução fiscal de Lula e declarou que o presidente apresentará suas propostas econômicas no momento adequado. “O presidente Lula tem responsabilidade, sim, com as contas públicas.
Eu tenho certeza que isso vai acalmar os mercados muito em breve. Enquanto a política econômica do próximo governo é o próprio presidente que vai falar no momento oportuno”, declarou.
Brasil 247