Lula precisará reservar espaço para o Centrão no novo Gabinete

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Fonte da notícia: Valor Valor

Camilo Santana, que assumiu a coordenação da campanha de Lula no segundo turno, é um dos cotados para assumir a pasta da Casa Civil Cristiano Mariz/Agência O Globo - 8/7/2026

Reeleito para o quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá que reservar um espaço para o Centrão no Palácio do Planalto, sob pena de ficar sem governabilidade, diante de uma direita ainda mais hegemônica no Congresso. O ex-ministro e líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) terão mais protagonismo, enquanto a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) também sai fortalecida, e poderá indicar o próximo chefe de Gabinete da Presidência.

O deputado reeleito André Janones (Rede-MG), que teve papel decisivo no reposicionamento de Lula nas redes sociais no segundo turno, também terá um papel de destaque, mas não se sabe ainda se na Esplanada ou no Congresso. Enquanto uma ala do governo defende Alckmin no Ministério da Fazenda, pelo perfil moderado e boa interlocução com o setor produtivo, o ex-ministro da pasta e candidato derrotado ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), apoia a continuidade de seu sucessor no cargo, o atual ministro Dario Durigan.

Também há a expectativa de que o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, permaneça no posto. A se confirmar a vaga para o Centrão no Planalto, o mais cotado para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) é o deputado reeleito Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que foi ministro da Secretaria de Portos e Aeroportos no terceiro mandato.

O Valor apurou que o ministro da SRI e ex-líder do governo José Guimarães (PT), que ficou sem mandato, não vai se opor a, eventualmente, ceder a cadeira para um aliado do Centrão. Guimarães poderia assumir outra pasta, ou até mesmo, assumir uma secretaria no governo de Elmano de Freitas no Ceará.

Silvio Filho é considerado leal e habilidoso, além de ser um dos nomes mais próximos do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o que ajudará na governabilidade - isso porque Motta deverá ser reconduzido para o cargo. Ao mesmo tempo, Silvio também mantém boa relação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que poderia ampliar o diálogo do governo com a oposição.

Em contrapartida, mesmo com um nome do Centrão na SRI, Lula terá muita dificuldade para reeleger o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apesar do acordo com o aliado, que colocou em pauta antes do segundo turno as propostas de emenda constitucional (PECs) do fim da jornada 6 x 1 e da segurança pública, consideradas estratégicas para encorpar a pauta da reeleição.

Alcolumbre perdeu força após sair derrotado no Amapá e com a eleição de uma bancada majoritariamente de direita. Mesmo reeleito, Lula não terá força para esvaziar eventuais candidaturas da oposição, como a do senador Rogerio Marinho (PL-RN), que foi coordenador da campanha presidencial de Flávio.

Também estão de olho no posto o senador eleito Arthur Lira (PP-AL) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Para a Casa Civil, o ex-ministro da Educação Camilo Santana, que se tornou coordenador político da campanha no segundo turno, passou a ser citado para a cadeira.

Camilo passou a ser citado, pela proximidade de Lula na campanha, em especial, no segundo turno, quando se tornou coordenador político do time. O outro cotado é Fernando Haddad, considerado um dos nomes mais leais ao presidente.

Uma ala do governo defende Alckmin na Fazenda, mas Haddad apoia a continuidade de Dario Durigan Por sua vez, o titular da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), deve continuar na pasta, responsável por fazer interlocução com movimentos sociais, ou ser remanejado para um ministério de maior visibilidade.

Boulos, Camilo e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passaram a despontar como possíveis sucessores de Lula. Outro quadro que assumirá uma pasta na Esplanada é o presidente nacional do PSB e ex-prefeito de Recife João Campos.

Candidato derrotado ao governo de Pernambuco, Campos se somou à campanha lulista no segundo turno, e se manteve muito próximo do petista. Tradicionalmente, o PSB comanda a pasta de Ciência e Tecnologia nas gestões lulistas, mas aliados dizem que Campos pode assumir um ministério mais importante, como Integração e Desenvolvimento Regional.

Simultaneamente, com o afastamento do ex-chefe de Gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro - pelo envolvimento dele com a lobista Roberta Luchsinger -, o mais cotado para a vaga é o secretário-executivo do Ministério da Cultura Márcio Tavares. Um dos quadros mais próximos de Janja, eles se aproximaram antes mesmo da eleição de Lula em 2022, quando Tavares era secretário nacional de Cultura do PT.

O chanceler Mauro Vieira deve prosseguir mais um ou dois anos no Ministério das Relações Exteriores, enquanto prepara a sucessão para o embaixador Maurício Lyrio, que tem o apreço de Lula. O diplomata desempenhou papéis importantes, por exemplo, nas articulações da COP realizada no Brasil, nas discussões de Brics e G20, além das negociações com os Estados Unidos sobre o tarifaço.

No Planalto, o embaixador Audo Faleiro pode suceder a Celso Amorim na assessoria internacional do presidente, caso o ex-chanceler decida se aposentar. Lula já anunciou que se a PEC da segurança for aprovada, vai desmembrar o Ministério da Justiça e criar a pasta da Segurança Pública.

Um dos cotados é o atual secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lopes, que foi secretário da área no Piauí e aliado de primeira hora de Rafael Fonteles. Em paralelo, o PT deve continuar à frente das pastas que considera estratégicas: Saúde, Educação e Desenvolvimento Social, responsável pelo programa Bolsa Família.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), deve prosseguir mais um tempo no cargo. Criador do canal “Exército do Lula”, que reuniu mais de 10 milhões de apoiadores, André Janones estará na linha de frente da base lulista.

Ele já declarou que dará continuidade ao canal, a fim de defender as ações do Lula 4 e fazer o embate com a oposição. O canal foi utilizado para mobilizar a militância nas redes sociais e apontado como uma ferramenta fundamental para a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).

Embora citado para ministério, é mais provável que desempenhe essa missão no Congresso. Deputado federal eleito pelo Pará, Jader Filho (MDB) pode retornar para o Ministério das Cidades, retomando a condução do programa Minha Casa, Minha Vida.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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