Lula obtém apoio da direita em três votações e desafia oposição no Congresso

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu apoio de parlamentares da direita em três votações importantes no Congresso Nacional, envolvendo segurança pública, redução da jornada de trabalho e ampliação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs).

As aprovações, registradas em menos de um mês, colocam a oposição diante do desafio de estabelecer diferenças em relação ao governo em propostas que também encontram respaldo entre seus próprios integrantes. As informações são do Infomoney.

A aprovação unânime da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Senado, na terça-feira (3), consolidou a sequência de resultados favoráveis ao Palácio do Planalto. Mesmo com divergências sobre o enfrentamento à criminalidade, parlamentares oposicionistas votaram a favor da iniciativa encaminhada pelo Executivo.

O mesmo movimento ocorreu nas deliberações sobre o fim gradual da escala 6×1 e a atualização do teto de faturamento dos MEIs. A convergência parlamentar representa um desafio especialmente para o Partido Liberal (PL), que terá as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado a partir de 2027.

A legenda precisará conciliar sua atuação contrária ao governo com o apoio a medidas de impacto social e econômico que também integram as prioridades de parte de seu eleitorado. PEC da Segurança Pública recebe apoio unânime no Senado

A proposta de reforma da segurança pública recebeu 73 votos favoráveis e nenhum contrário no primeiro turno de votação. Na segunda etapa, o placar foi de 75 a zero.

O texto amplia a articulação entre União, estados e municípios, estabelece novas regras de financiamento e reforça instrumentos de combate às organizações criminosas. Entre as mudanças aprovadas estão a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e restrições à concessão de determinados benefícios penais a integrantes de facções criminosas.

A aprovação também fortalece as condições políticas para Lula avançar na criação de um Ministério da Segurança Pública, compromisso reiterado durante a campanha eleitoral. Apesar da unanimidade na votação principal, a tramitação foi marcada por divergências sobre a redução da maioridade penal.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma emenda para permitir a responsabilização criminal a partir dos 16 anos, com possibilidade de redução para 14 anos em casos específicos de crimes graves. O líder do PT, Camilo Santana (CE), também apresentou uma proposta sobre o tema, mas limitada à redução da maioridade penal para 16 anos em situações envolvendo crimes hediondos.

As duas emendas foram retiradas do texto principal por uma votação apertada, de 38 votos a 36. A decisão manteve a redação anteriormente aprovada pela Câmara e permitiu encaminhar a PEC à promulgação, sem necessidade de uma nova apreciação pelos deputados.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comprometeu-se a acelerar a análise da discussão sobre maioridade penal em uma tramitação independente. A solução permitiu concluir a votação da reforma, preservando a possibilidade de novos embates sobre o endurecimento da legislação criminal.

Fim da escala 6×1 e ampliação do MEI também uniram parlamentares A convergência entre governo e oposição também apareceu na votação da proposta que estabelece o fim gradual da escala de trabalho 6×1.

A medida foi aprovada pelo Senado com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada um dos dois turnos. A alteração prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a ampliação do descanso remunerado para dois dias.

Embora representantes do setor empresarial tenham manifestado preocupação com os possíveis impactos financeiros, a iniciativa recebeu apoio de diferentes correntes políticas. A ampliação do teto de faturamento dos microempreendedores individuais registrou uma adesão ainda mais expressiva.

Na Câmara dos Deputados, o projeto recebeu 461 votos favoráveis e quatro contrários. No Senado, foi aprovado por unanimidade, com 78 votos.

A mudança estabelece uma elevação progressiva do limite anual de faturamento da categoria, atualmente fixado em R$ 81 mil. O teto passará para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

A legislação também permite que os microempreendedores contratem até dois funcionários e prevê o perdão de determinadas dívidas tributárias. As medidas ampliam as possibilidades de crescimento de pequenos negócios e atingem um segmento econômico que mobiliza parlamentares de diferentes partidos.

PL terá de definir estratégia para a próxima legislatura O resultado das três votações antecipa um dos principais desafios políticos da oposição durante o quarto mandato de Lula.

Com o fortalecimento de sua representação parlamentar após as eleições de outubro, o PL terá maior capacidade de influenciar a tramitação de projetos, mas precisará definir em quais temas concentrará o confronto com o Executivo. Na segurança pública, a discussão sobre a maioridade penal deverá continuar como uma das principais bandeiras da direita.

Parlamentares oposicionistas também poderão apresentar propostas para ampliar penas e estabelecer novas medidas de repressão ao crime organizado. Na área trabalhista, o debate tende a se concentrar nos efeitos da redução da jornada sobre os custos de produção, a contratação de trabalhadores e a atividade econômica.

Já a ampliação dos benefícios aos MEIs poderá abrir novas negociações sobre regras tributárias e financiamento das medidas aprovadas. A estratégia da oposição dependerá ainda da relação com os partidos de centro, que participaram das votações favoráveis ao governo e continuarão exercendo influência sobre a formação de maiorias no Congresso.

Outro fator decisivo será a eleição das presidências da Câmara e do Senado, prevista para fevereiro de 2027. A composição das Mesas Diretoras terá impacto sobre a distribuição de espaços nas comissões e a definição das propostas prioritárias de cada Casa.

Agenda econômica deverá impor negociações mais difíceis O próximo teste para a capacidade de articulação do governo será a apresentação de medidas econômicas voltadas ao equilíbrio das contas públicas.

Diferentemente das três propostas aprovadas com amplo consenso, eventuais mudanças nas despesas obrigatórias e nos benefícios tributários poderão provocar maior resistência entre os parlamentares. A equipe econômica discute iniciativas que envolvem a revisão de incentivos fiscais e alterações na estrutura de gastos públicos.

Essas medidas podem atingir interesses de setores empresariais e grupos representados por partidos que apoiaram o Executivo nas votações recentes. Nesse cenário, o governo dependerá de negociações para construir maiorias e poderá enfrentar exigências de mudanças nos projetos antes de sua aprovação.

Para a oposição, a política econômica poderá oferecer oportunidades de diferenciação em relação ao Palácio do Planalto. Questões como tributação, controle de despesas e responsabilidade fiscal tendem a ocupar espaço nas disputas legislativas, especialmente diante da necessidade de conciliar demandas dos setores produtivos com os objetivos de ajuste das contas públicas.

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