Os novos Bose Ultra Open Earbuds de 2.ª geração e Bose Sport Open Earbuds reforçam a aposta da fabricante num conceito de áudio que contraria uma das tendências dominantes dos últimos anos. Em vez de te isolares completamente do mundo, a proposta é ouvires música, podcasts ou chamadas sem deixares de perceber o que acontece à tua volta.
Em Portugal, os preços anunciados começam nos 229 € para os Sport Open e nos 349 € para os Ultra Open. É uma abordagem que parece simples, mas levanta uma questão pertinente: e se os melhores auriculares para o teu dia a dia não forem aqueles que bloqueiam mais ruído? Para quem anda pela cidade, trabalha rodeado de pessoas ou corre ao ar livre, ouvir o ambiente pode ser uma vantagem.
Por outro lado, quando se quer silêncio absoluto num avião ou numa viagem de comboio, estes modelos não são a escolha óbvia. A tecnologia Bose OpenAudio é o ponto de partida dos dois produtos.
Ao contrário dos tradicionais auriculares intra-auriculares, que entram no canal auditivo e criam uma vedação, estes modelos ficam presos à parte exterior da orelha e direcionam o som para o ouvido. Ouves os conteúdos e, simultaneamente, continuas a ouvir conversas, avisos ou os sons da rua.
Importa esclarecer uma diferença frequentemente esquecida: este não é um sistema de condução óssea. A Bose utiliza transdutores convencionais e uma arquitetura acústica concebida para direcionar o áudio pelo ar, procurando limitar a fuga de som para quem está por perto.
Isso não significa privacidade absoluta nem elimina a possibilidade de outras pessoas ouvirem parte da música em ambientes muito silenciosos. Há também uma limitação assumida.
Nenhum dos dois modelos inclui cancelamento ativo de ruído (ANC). Não se trata de uma funcionalidade esquecida, mas de uma decisão coerente com o objetivo de preservar a perceção do espaço envolvente.
Ainda assim, ouvir trânsito não substitui a atenção necessária ao atravessar uma estrada ou circular de bicicleta. A Bose já tinha experimentado este formato na geração original dos Ultra Open, que analisámos anteriormente no AndroidGeek.
A nova geração procura resolver duas dificuldades comuns aos auriculares abertos: conseguir graves convincentes e manter a música audível quando aumenta o ruído à volta. Os Bose Ultra Open Earbuds (2.ª geração) mantêm a assinatura visual de um acessório em formato de clip, com uma peça flexível que abraça a orelha sem entrar no canal auditivo.
O acabamento metálico foi refinado e a marca continua a privilegiar um perfil discreto, pensado para longos períodos de utilização. A evolução mais significativa estará, segundo a Bose, nos novos transdutores.
A marca promete graves mais profundos e maior volume face ao modelo anterior, algo especialmente relevante quando a ausência de vedação dificulta a reprodução das frequências baixas. Uma promessa interessante, mas cujo verdadeiro alcance só uma audição comparativa poderá demonstrar.
A bateria apresenta também uma melhoria concreta: até 9 horas de reprodução por carga, contra cerca de 7 horas anunciadas para os primeiros Ultra Open. O estojo acrescenta até 19,5 horas de energia e, nesta geração, passa a suportar carregamento sem fios.
Para quem alterna entre trabalho, deslocações e momentos de lazer, é uma mudança útil que reduz a dependência de um cabo. Uma das novidades é o modo Cinema, apoiado na tecnologia Bose TrueSpatial.
A ideia é ampliar a sensação de espaço sonoro e manter os diálogos bem definidos quando estás a ver filmes, séries ou outros conteúdos. Não transforma automaticamente qualquer vídeo numa experiência de cinema, mas pode dar mais dimensão ao áudio sem obrigar a usar auscultadores volumosos.
Para os utilizadores Android há outra característica digna de nota: os Ultra Open de 2.ª geração suportam Snapdragon Sound com aptX Adaptive em equipamentos compatíveis. Em teoria, esta combinação permite melhorar a qualidade de transmissão e gerir melhor a latência.
Contudo, as vantagens dependem do smartphone, da compatibilidade com o codec e da origem do áudio. Não basta o nome aparecer na caixa para se obter um benefício universal.
Se os Ultra Open foram desenhados para acompanhar quase todas as atividades do quotidiano, os Bose Sport Open Earbuds assumem uma vocação mais específica. A proposta é manter uma ligação confortável e estável à orelha durante corridas, ginásio, caminhadas e outros treinos com movimento constante.
A estrutura em forma de C utiliza silicone macio com acabamento mate e foi concebida para permanecer no lugar mesmo em movimentos mais intensos. Os controlos físicos texturados permitem gerir música, volume e chamadas sem exigir gestos táteis demasiado precisos, uma vantagem possível quando tens as mãos húmidas ou estás a treinar.
A certificação IP54 assegura resistência a poeiras e salpicos de água nas condições de ensaio correspondentes. É adequada ao tipo de utilização anunciado, incluindo suor e salpicos, mas não significa que possas submergir os auriculares ou nadar com eles.
Quanto à bateria, a Bose anuncia até 7 horas de reprodução por carga e até 22 horas adicionais proporcionadas pelo estojo. Também aqui existe carregamento sem fios, uma característica que nem sempre encontramos em produtos mais orientados para desporto.
Os dois modelos partilham Bluetooth 5.4 e ligação multiponto a dois dispositivos. Para quem trabalha no computador e recebe chamadas no smartphone, é uma funcionalidade mais útil do que parece.
Evita ter de desligar e voltar a emparelhar os auriculares cada vez que mudas de equipamento. Ambos suportam os codecs SBC e AAC e a tecnologia Google Fast Pair, que simplifica o emparelhamento em dispositivos Android compatíveis.
A aplicação Bose permite ajustar a equalização de três bandas, gerir dispositivos, configurar atalhos, controlar o Auto Volume e instalar atualizações de firmware. O sistema Auto Volume ajusta o volume automaticamente em função do ruído ambiente.
Pode ser conveniente quando sais de uma rua movimentada e entras num espaço mais calmo. Ainda assim, vale a pena verificar como reage na prática, porque nem sempre uma subida de volume é a melhor solução para um ambiente ruidoso.
Nas chamadas, os dois modelos usam a tecnologia SpeechClarity, que combina captação de voz e processamento para procurar reduzir o impacto do ruído de fundo na voz enviada ao interlocutor. A qualidade final dependerá sempre das condições concretas, sobretudo de vento, trânsito ou locais muito movimentados.
A Bose anunciou ainda funcionalidades adicionais associadas a atualizações de software, incluindo integração com Google Find Hub, Alexa+ e atalhos para Apple Music. A disponibilidade efetiva pode variar consoante o firmware, o país e os serviços suportados.
Em Portugal, convém confirmar o que está ativo antes de tomar uma decisão de compra baseada nessas funções. O comunicado distribuído pela Bose para o mercado português indica os seguintes preços recomendados: 349 € para os Ultra Open Earbuds (2.ª geração) e 229 € para os Sport Open Earbuds.
A comunicação não apresenta uma data exata de chegada a todas as lojas nacionais, pelo que a disponibilidade das várias cores poderá variar entre vendedores. As informações sobre os produtos podem ser consultadas na apresentação oficial da Bose e no site da marca.
Os preços internacionais não substituem os valores recomendados para Portugal. É uma diferença de 120 € entre ambos.
E, apesar de os Ultra Open serem a opção mais sofisticada, não são automaticamente a melhor compra para toda a gente. Se passas muitas horas com auriculares, alternas entre trabalho, chamadas e conteúdos multimédia, os Ultra Open de 2.ª geração são os mais completos.
Oferecem maior autonomia por carga, novos transdutores, modo Cinema e suporte para aptX Adaptive em smartphones compatíveis. O preço, contudo, coloca-os num território em que a ausência de cancelamento de ruído ativo tem de ser uma escolha consciente.
Se o teu objetivo é correr, caminhar ou treinar com música enquanto manténs a perceção do ambiente, os Sport Open fazem mais sentido. Têm um encaixe especificamente desenvolvido para movimento, botões físicos, proteção IP54 e custam menos 120 €.
O menor tempo de reprodução por carga não será necessariamente uma limitação para sessões de treino. Convém fazer também a pergunta inversa: e se o que procuras é mesmo isolamento? Nesse caso, estes auriculares podem não corresponder às tuas necessidades.
O formato aberto existe precisamente para evitar essa separação do mundo exterior, pelo que não substitui os modelos tradicionais com bom ANC em todos os cenários. Com esta dupla, a Bose demonstra que o futuro dos auriculares não passa obrigatoriamente por bloquear cada vez mais sons exteriores.
Há espaço para outro tipo de experiência, especialmente para quem vive em movimento e prefere que a tecnologia acompanhe a rotina sem a dominar. Os Ultra Open Earbuds de 2.ª geração são a resposta mais versátil, enquanto os Sport Open Earbuds parecem melhor adaptados a quem pratica exercício físico.
Nenhuma destas conclusões substitui um teste de conforto, encaixe e qualidade sonora, mas ajuda a perceber onde cada modelo pode acrescentar valor. Para acompanhares as próximas novidades, análises e comparações de áudio, Android e tecnologia, continua a seguir o AndroidGeek.
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