Lula indicará 6 diretores do Banco Central até o fim de 2027 e terá chance de alterar rumo dos juros

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O presidente Lula (PT) poderá nomear seis novos nomes para a diretoria do Banco Central até o término de 2027, reconfigurando a correlação de forças na autoridade monetária, informa a Folha de São Paulo. Duas das cadeiras estão vagas desde janeiro e outras duas indicações podem ser oficializadas até fevereiro de 2026, enquanto as últimas duas vagas deste ciclo abrirão em 31 de dezembro de 2027.

A reestruturação garantirá que, a partir de 2028 — último ano de mandato do presidente do BC, Gabriel Galípolo —, a maioria do colegiado de nove integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) seja formada por indicados da atual gestão. Do grupo nomeado em mandatos anteriores, permanecerão apenas os diretores Gilneu Vivan (Regulação) e Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta), além de Galípolo, cujos mandatos se encerram no final de 2028.

A alteração do perfil do BC traz para o centro do debate a condução da política econômica e uma possível flexibilização da meta de inflação, atualmente fixada em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Em conversas com ministros na semana passada, Lula cobrou agilidade no envio dos nomes represados ao Senado para o preenchimento dos cargos vagos.

A vacância prolongada tem gerado sobrecarga no órgão, segundo analistas, já que a estrutura foi desenhada para atuar com a composição completa das nove diretorias. Outro ponto central na escolha das novas lideranças é a busca por maior diversidade de gênero na cúpula do órgão, que hoje conta com apenas uma mulher em sua diretoria.

A chefe do departamento de Organização do Sistema Financeiro, Carolina Bohrer, desponta entre os quadros cotados internamente para assumir uma das posições. Já para a diretoria de Fiscalização, que ficará aberta a partir de março, a tendência é a escolha de um servidor de carreira, com a possibilidade de recondução do atual diretor Aílton de Aquino.

A discussão sobre as escolhas ganhou novos contornos após o surgimento do nome do economista desenvolvimentista André Roncaglia, diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI). Diante dos rumores, Roncaglia afirmou ter ficado surpreso e reforçou o foco em suas funções no organismo internacional.

“Não me cabe comentar sobre algo que é prerrogativa do presidente Lula. O que posso dizer é que tenho mantido uma colaboração muito proveitosa com a Fazenda e o BC a partir de minhas atribuições no FMI”, declarou o economista.

Ele destacou ainda que o órgão internacional reconhece o valor das reformas implementadas no país e a atuação do BC na manutenção da estabilidade financeira, ressaltando o “momento excelente na relação do FMI com o Brasil”. O ajuste na condução dos juros é visto por economistas como um elemento estratégico para garantir que o crescimento econômico e a estabilidade caminhem juntos.

Sérgio Werlang, ex-diretor da autarquia e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que o governo deve focar em quadros moderados que compreendam o cenário macroeconômico amplo. “São pessoas que têm uma visão mais ampla [da economia], mas que entraram [no BC] com esse compromisso fixado de meta em 3%”, pondera Werlang.

“Não vejo uma grande modificação no Banco Central. Eu vejo uma manutenção do perfil médio conservador, não ultraconservador como chegou a ser no início do governo, com Roberto Campos Neto”.

Na mesma linha, o diretor do BTG Pactual Rodrigo Maia destacou a maturidade do chefe do Executivo na articulação das indicações institucionais. “Eu não acho que ele [Lula] fará diferente nas próximas nomeações.

O Lula é forjado na negociação”, concluiu.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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