Levantamento com dados do TSE dmostra que o presidente reeleito somou 72% dos votos válidos nos municípios com maior proporção de beneficiários do programa social O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu em 93 das 100 cidades brasileiras mais dependentes do Bolsa Família no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) foi o mais votado nas outras sete cidades desse grupo. Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), compilados pela setup.news e divulgados pela CNN Brasil.
Nos 100 municípios com a maior parcela da população atendida pelo programa social, Lula obteve 72% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro acumulou 28%, segundo a CNN Brasil. O petista venceu a eleição presidencial em segundo turno com 51,79% dos votos válidos em âmbito nacional, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
O benefício pode ter influência eleitoral decisiva em regiões mais vulneráveis, onde medidas como a liberação dos novos valores do programa e a antecipação do calendário de pagamentos pelo governo afetam diretamente o orçamento diário das famílias. Quando analisadas as 100 cidades com o maior número absoluto de famílias cadastradas no programa social, a margem entre os candidatos foi menor.
Lula registrou 52,5% dos votos válidos nesses municípios, contra 47,5% obtidos por Flávio Bolsonaro. Nas dez cidades com maior proporção de beneficiários em relação à população, os dados do Ministério do Desenvolvimento Social apontam as seguintes contagens de famílias atendidas:
Em relação aos maiores centros urbanos do país em números absolutos de beneficiários do Bolsa Família, a capital paulista lidera o ranking: Nas dez cidades com menor proporção de beneficiários em relação à população, os dados do Ministério do Desenvolvimento Social apontam as seguintes contagens de famílias atendidas:
O comportamento do eleitorado nas cidades com alta dependência do benefício já se mostrava favorável a Lula no primeiro turno. Entre os ten municípios mais dependentes, a liderança ficou com o candidato do PT.
Em Itaubal (AP), cidade com o maior índice de dependência do programa no país, Lula obteve 50,4% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 43%. Considerando as 50 cidades mais dependentes no primeiro turno, Lula venceu em 47 e Flávio Bolsonaro em três.
No universo de 1.660 municípios onde as famílias beneficiárias equivalem a mais da metade dos domicílios ocupados, Lula liderou em 1.583 e Flávio em 77. Em contrapartida, nas cidades com menor presença do Bolsa Família, o candidato do PL obteve ampla maioria.
Flávio Bolsonaro venceu em todas as 50 cidades menos dependentes do benefício. Em Braço do Trombudo (SC), município com o menor índice de dependência do programa no Brasil, o candidato registrou 79,15% dos votos válidos no primeiro turno, contra 14,89% de Lula.
A taxa de dependência dos municípios foi calculada a partir da comparação entre o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família em janeiro de 2026 e a quantidade de domicílios ocupados registrados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Censo 2022. Quanto mais próximo o número de beneficiários é do total de residências, maior é a dependência do município em relação ao benefício social.
O indicador pode ultrapassar 100% porque o Cadastro Único do governo federal permite a inscrição de mais de uma família residente no mesmo endereço, além da diferença temporal entre a coleta do Censo (2022) e a base do programa social (2026). Renato Becker é repórter e editor no Núcleo Nacional do ND Mais, onde escreve matérias de serviço e explicativas sobre benefícios, direitos, mercado e assuntos que afetam a vida dos brasileiros.
Seu trabalho se concentra na produção de notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial à política, à economia e aos negócios, além de temas de interesse público, trazendo informações claras, úteis e contextualizadas. Também participou da cobertura de casos de grande repercussão, tanto de segurança pública quanto de política.
Atuando no jornalismo desde 2018, já trabalhou na assessoria de comunicação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e assinou a série “Meu Voto, Nosso Futuro”, dedicada a acompanhar as eleições no país. Trabalhou como repórter na cobertura das Eleições 2022 e como editor de Distribuição nas Eleições 2024.
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