A vitória de virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) foi recebida com festa, emoção e reconhecimento à mobilização popular que tomou conta do país durante o segundo turno. Entre abraços, comemorações e gritos de “Lula é tetra”, lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) destacaram o papel decisivo da militância, da juventude e da força das ruas, que, em sintonia com as redes sociais, ajudaram a mudar os rumos da eleição.
Para o governador reeleito do Piauí e coordenador da campanha de Lula, Rafael Fonteles, a virada começou a ganhar força quando Lula ampliou o diálogo direto com os brasileiros e a mobilização popular passou a ocupar, simultaneamente, as ruas e o ambiente digital. “Eu acho que o presidente conseguiu se conectar mais com a população nesse segundo turno.
Ele passou a usar mais enfaticamente, mais frequentemente as redes sociais e também as ruas se levantaram mais, os jovens, a população em geral”, avaliou. Em clima de comemoração, o senador e coordenador da campanha Camilo Santana fez questão de dividir o protagonismo da vitória com os brasileiros que participaram da mobilização eleitoral.
“Viva o povo brasileiro, viva a juventude que foi às ruas durante esse segundo turno, viva os idosos que com coragem, com determinação foram às urnas votarem”, declarou. Camilo também celebrou o quarto mandato de Lula e reforçou a expectativa de que o novo governo avance nas conquistas sociais e no fortalecimento da democracia.
O ministro da articulação política do governo, José Guimarães, ressaltou o desempenho eleitoral de Lula na região e o trabalho da militância, que intensificou a mobilização durante as semanas decisivas da disputa. “Nós só ganhamos porque o Nordeste deu em média mais de quase 5% dos votos.
E nós devemos isso à militância nas ruas.” A avaliação do ministro reforça uma das principais mensagens compartilhadas pelas lideranças petistas após o resultado: a campanha ganhou novo impulso quando a mobilização ultrapassou os espaços tradicionais da política e passou a envolver diretamente a população.
A participação dos trabalhadores da saúde nas eleições foi destacada pelo ministro Alexandre Padilha, que dedicou uma mensagem especial aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Padilha agradeceu aos profissionais que decidiram se manifestar publicamente durante a campanha, mesmo diante da possibilidade de sofrer consequências pessoais e profissionais.
“Quero fazer um agradecimento enorme a cada profissional de saúde que se posicionou nessas eleições. Muita gente que, pela primeira vez, decidiu falar publicamente, mesmo correndo risco de represália, mesmo com risco de prejuízos pessoais.”
O ministro relacionou essa mobilização à preocupação dos trabalhadores com os rumos das políticas públicas de saúde diante de uma eventual vitória da candidatura adversária. “Vocês fizeram isso porque sabiam que nada seria pior do que o desastre na volta do Bolsonaro para o Brasil e, principalmente, para a saúde.
Vocês foram gigantes e, graças a vocês, a saúde e quem cuida dela vão continuar sendo prioridade absoluta para o presidente da República desse país.” Eleita deputada federal por Minas Gerais, Ana Elisa (PT-MG) também apontou a conexão entre as redes sociais e a mobilização presencial como um dos elementos centrais para a reação da campanha no segundo turno.
Para a parlamentar, a virada não pode ser explicada apenas pelo crescimento do engajamento digital ou pela presença de militantes nas ruas. O diferencial esteve justamente na capacidade de unir essas duas frentes.
“O movimento da rede se deu muito por conta da rua, e a rua se deu muito por conta da rede, então, foi uma união que, no final do dia, não se separa. Está todo mundo ali na rua e todo mundo ali na rede.”
Ana Elisa destacou ainda a rapidez com que essa dinâmica foi compreendida e incorporada à estratégia eleitoral. “Isso foi entendido no segundo turno, de forma muito rápida, que deu tempo de nós virarmos o resultado.”
A avaliação da deputada converge com a de Rafael Fonteles e ajuda a explicar o sentimento compartilhado entre os integrantes da campanha: a virada foi construída por uma mobilização que ganhou força nas conversas, nas manifestações, nos encontros e nas plataformas digitais.
PT