Lula expande território em Rio e SP e vence em 15 zonas eleitorais que votaram em Bolsonaro em 2022

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorreu junto a uma expansão territorial na sua votação nas duas maiores capitais brasileiras, São Paulo e Rio. Uma análise do GLOBO com base nas votações do PT desde 2018 aponta que o PT passou de uma única zona eleitoral carioca vencida há oito anos, com Fernando Haddad, para 21 em 2026, já com Lula.

Há quatro anos, o partido tinha vencido em 15 regiões da capital. Já em São Paulo, o avanço foi ainda mais forte: a legenda passou de apenas seis zonas em 2018 para 35 em 2022 e, neste ano, foram 43 vitórias de Lula.

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No caso de São Paulo, um cruzamento feito pelo GLOBO reforça também uma particularidade: em 23 das 57 zonas eleitorais, Tarcísio de Freitas obteve mais de 50% dos votos no primeiro turno e Lula foi o mais votado para presidente no segundo turno. Em todas as nove zonas em que a maioria presidencial passou da candidatura do PL em 2022 para Lula em 2026, o candidato a governador majoritário foi Tarcísio, aliado de Flávio Bolsonaro, sugerindo que milhares de eleitores na cidade adotaram o chamado voto “Tarula”, ou seja, votaram em Tarcísio para governador e em Lula para presidente.

No primeiro turno, pelo menos 472 mil eleitores de Tarcísio não votaram em Flávio, já que o governador recebeu 3,2 milhões de votos na sua campanha à reeleição e Flávio ficou com 2,7 milhões para presidente. No Rio, a análise territorial dos resultados mostra um aumento consistente do tamanho do PT na cidade nos últimos oito anos.

Em 2018, a única zona eleitoral vencida por Haddad foi a de Laranjeiras. Desde então, o crescimento ocorreu nas zonas eleitorais de bairros da Zona Sul, mas também no Centro e nas regiões da Tijuca, Méier e Bonsucesso, na Zona Norte.

Neste ano, as seis zonas em que houve virada estão em áreas da Zona Norte. São bairros como Piedade, Olaria, Vila da Penha, Brás de Pina e Del Castilho, além de parte de Madureira.

Mesmo em zonas eleitorais em que não virou, Lula aumentou seu percentual. O candidato do PT superou seus votos na capital em todas as 49 zonas.

Em São Paulo, o percentual de Lula cresceu em 56 das 57 zonas. Entre as novas maiorias estão zonas de classe média, como Saúde e Morumbi, na Zona Sul, e Casa Verde, na Zona Norte.

Ao todo, o presidente recebeu 55,5% dos votos válidos em São Paulo, um avanço em relação aos 53,54% recebidos há quatro anos. No Rio, a votação de Lula passou de 47,34% para 51,54%, fazendo com que o petista virasse também no resultado da cidade como um todo em relação aos candidatos do PL.

Uma análise histórica reforça o caráter relevante do crescimento de Lula nas duas eleições. Considerando as disputas presidenciais desde 2002, esta é a maior votação proporcional do PT na capital paulista.

Naquele ano, quando Lula derrotou José Serra (PSDB), o petista recebeu 51,06% dos votos válidos na cidade. Quatro anos depois, ao disputar a reeleição contra Geraldo Alckmin, caiu para 45,58%.

Sua sucessora, Dilma Rousseff, conquistou 46,36% em 2010, mas também perdeu participação na tentativa de reeleição, em 2014, quando ficou com 36,17%. Em 2018, Fernando Haddad recebeu 39,62% dos votos contra Jair Bolsonaro.

O PT só voltou a vencer na capital em 2022, com os 53,54% de Lula, percentual que foi superado em 2026. O resultado também representa uma particularidade na trajetória dos presidentes que disputaram a reeleição desde 2002.

Tanto Lula, em 2006, quanto Dilma, em 2014, haviam perdido participação nos votos válidos da capital paulista em relação à eleição anterior. O mesmo ocorreu com Jair Bolsonaro em 2022, quando recebeu 46,46% dos votos, contra 60,38% em 2018.

Com o avanço de 53,54% para 55,50%, Lula se tornou o primeiro presidente desse grupo a ampliar sua participação na cidade ao disputar um novo mandato. No Rio, o histórico revela uma trajetória diferente.

Quando venceu a eleição presidencial em 2002, Lula recebeu 80,96% dos votos válidos na capital fluminense. O percentual diminuiu para 65,91% na reeleição, em 2006, e continuou caindo nas eleições seguintes: Dilma obteve 60,98% em 2010 e 50,76% em 2014.

Em 2018, o PT registrou seu pior resultado nesse intervalo, quando Fernando Haddad recebeu 33,65% dos votos contra Jair Bolsonaro. A recuperação começou em 2022, com Lula alcançando 47,34%, embora ainda tenha sido derrotado por Bolsonaro na cidade.

Neste ano, ao chegar a 51,54%, o petista recuperou a maioria na capital pela primeira vez desde a vitória de Dilma em 2014.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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