O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (27) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu do Brasil e classificou a saída do país como vergonhosa. As declarações foram dadas em um evento de comemoração do aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, quando o presidente foi informado da notícia.
«Eu lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações não são verdadeiras», disse Lula, segundo o Metrópoles. «Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso.» Para o presidente, quem «sai escondido do país, é porque deve alguma coisa».
E resumiu: «Quem não deve não teme». Lula também atacou a família do senador: «Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso, é lamber botas dos EUA».
E rebateu o discurso que a oposição deve levar ao exterior: «Não vai dizer lá fora que o Brasil não tem democracia. Se não tivesse, um miliciano não seria candidato a presidente».
Segundo a Folhapress, o presidente lembrou ainda que tentou fazer o adversário «provar que é inocente, abrindo o meu sigilo». A crítica à fuga veio acompanhada de uma ressalva que o presidente não fez em público.
Em conversas com aliados, segundo a Folhapress, Lula manifestou preocupação com a decisão do ministro Alexandre de Moraes de reter o passaporte do adversário, por avaliar que a medida pode alimentar a narrativa de perseguição política. A rota até Washington
A sequência do dia 27 registrou a corrida da notícia: pela manhã, corria a informação do embarque; no início da tarde, a Reuters confirmou a saída rumo aos Estados Unidos com duas fontes; pouco depois das 17h, o The New York Times confirmou o trajeto com outras duas; no fim da tarde, Lula falava no Palácio da Alvorada.
Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, segundo as fontes ouvidas pela agência. Um jornal argentino apontou que o senador cruzou a fronteira da Argentina usando apenas o documento de identidade, mas o controle de imigração do país vizinho negou ter registro de entrada dele.
A apuração sobre o trajeto avançou nesta quarta-feira (28): segundo a coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, a Polícia Federal investiga se um jato ligado ao advogado Willer Tomaz, o mesmo alvo do esquema de apostas esportivas apurado contra o senador, teria sido usado para levar Flávio até a Argentina antes do embarque para os Estados Unidos.
Passaporte retido e prazo vencido A Polícia Federal apontava riscos “concretos e atuais” de fuga do parlamentar.
A determinação judicial para a entrega do passaporte, expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tinha prazo que se encerrou nesta terça — e o passaporte não foi entregue. O senador responde a dois fronts: as relações com o advogado Willer Tomaz em suposto esquema de apostas esportivas e a suspeita de financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A fuga é o desfecho de uma eleição em que Flávio foi o nome da direita contra a reeleição de Lula, que garantiu o quarto mandato no segundo turno contra o próprio senador do Rio de Janeiro. Nos dias seguintes à derrota, enquanto o Supremo endurecia as medidas cautelares e o passaporte virava o centro da disputa judicial, o senador saiu do país sem aviso público — e sem o passaporte entregue.
O quarto mandato ainda consolidou o presidente como o nome mais votado da política brasileira em votos acumulados ao longo da carreira — 516 milhões, segundo levantamento do colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, com base nos números do TSE. O contraste com o próprio histórico do senador não passou despercebido: registros antigos em que ele criticava publicamente o então ex-presidente Lula por questões envolvendo passaporte e viagens ao exterior voltaram a circular nas redes nas horas seguintes à notícia da fuga, revertendo a piada contra o autor.
Vistos americanos e o tom do governo O próprio Donald Trump confirmou publicamente que vai conceder vistos a Flávio Bolsonaro e à família, e o Departamento de Estado americano informou que o acolhimento inclui toda a família do senador.
Do lado brasileiro, o governo Lula trabalha sem expectativa de extradição e prefere sinalizar relação pragmática com Washington, segundo fontes do Planalto ouvidas pelo colunista Jamil Chade, do ICL Notícias. A saída do país transforma o desfecho da eleição presidencial em crise institucional: um candidato que disputou o segundo turno deixa o território nacional sem cumprir determinação judicial, enquanto o governo americano sinaliza acolhimento.
O caso agora depende do que o Supremo decidir sobre o descumprimento — e do alcance político de um senador derrotado que escolheu o exílio. Com informações do g1, O Globo e ICL Notícias.
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