Logística reversa depende de mudança de hábitos

Logística reversa depende de mudança de hábitos - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

A participação do consumidor é decisiva para ampliar a logística reversa no Brasil, e o comércio pode funcionar como elo entre a população e os sistemas de coleta. Entidades gestoras também buscam ampliar a conscientização e estimular o descarte correto dos resíduos.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) incentiva empresas a receber materiais e divulgar orientações sobre a destinação adequada, aproximando os pontos de entrega do cotidiano das pessoas. “Pequenos e médios empresários não têm um gestor ambiental na folha de pagamento, mas podem participar do processo.

Ser um ponto de divulgação é excelente”, afirma Cristiane Cortez, assessora do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP. A entidade orienta os estabelecimentos a aderirem a sistemas coletivos e, quando houver demanda e estrutura disponível, instalarem pontos de entrega voluntária (PEVs), com apoio dos materiais de divulgação fornecidos pelas entidades gestoras.

“O consumidor faz parte da logística reversa. Não é um ente de fora do processo.

Sem ele, não tem como funcionar”, diz Cortez. Para ela, a informação precisa ser constante, tanto para orientar sobre o descarte correto de itens como pilhas e celulares quanto para mostrar o impacto dessas atitudes.

Em municípios menores, onde nem sempre é viável manter coletores permanentes, campanhas temporárias e a divulgação de pontos em cidades próximas podem ampliar o alcance dos sistemas. A necessidade de mudar hábitos também aparece em pesquisa da Green Eletron, entidade gestora de logística reversa de eletroeletrônicos.

Em 2025, 66% dos entrevistados afirmaram saber o que é lixo eletrônico. Apesar disso, quatro em cada dez ainda guardavam pilhas ou eletroeletrônicos em casa por não saber onde descartá-los.

O levantamento aponta avanços: entre 2021 e 2025, o conhecimento sobre pontos de coleta passou de 67% para 78%, e o descarte correto de lixo eletrônico cresceu 10%. “Não adianta criar milhares de postos de coleta se o consumidor não levar os produtos ao local correto”, afirma Ademir Brescansin, gerente-executivo da Green Eletron.

Para ele, a mudança de comportamento exige tempo e ações contínuas de conscientização. Além da informação, incentivos econômicos podem estimular a adesão.

Algumas empresas promovem campanhas que oferecem descontos em troca de celulares usados ou outros equipamentos, enquanto entidades gestoras organizam atividades em escolas e universidades, incluindo gincanas e ações com premiações. Para Cortez, essas iniciativas ajudam, mas precisam ser recorrentes para consolidar hábitos de descarte adequado.

Na Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o presidente Pedro Maranhão aposta na educação desde a infância, com atividades regulares nas escolas. Outra proposta da entidade é desenvolver, em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ações educativas nos estádios, com coletores identificados, orientação ao público e divulgação das emissões geradas nos jogos.

A iniciativa ainda não avançou, mas a associação pretende retomar as conversas. Sem a participação do consumidor, ressalta Maranhão, a estrutura de coleta perde efetividade e o retorno dos materiais à cadeia produtiva fica comprometido.

Publicação Original Valor valor.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →