Com a chegada do verão, as altas temperaturas podem tornar ainda mais desconfortáveis alguns sintomas do lipedema, como sensação de peso, inchaço e sensibilidade nas pernas. Para mulheres que convivem com a condição e têm indicação de tratamento cirúrgico, a estação também pode trazer uma dúvida: é melhor esperar os meses mais frios para fazer a cirurgia ou o procedimento pode ser realizado mesmo nos dias quentes?
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Segundo o cirurgião plástico Rafael Erthal, o calor, por si só, não é uma contraindicação à lipoaspiração para o tratamento do lipedema. A decisão, porém, precisa considerar as condições clínicas da paciente, os benefícios esperados e a possibilidade de cumprir as recomendações durante a recuperação.
Dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso e limitações nos movimentos estão entre as manifestações que podem afetar a rotina de quem tem lipedema. Nesses casos, a cirurgia pode ser considerada como parte do tratamento, com o objetivo de retirar o tecido adiposo afetado e contribuir para o alívio dos sintomas.
A indicação depende de uma avaliação individual, e os resultados não são iguais para todas as pacientes. O que considerar antes de operar no verão?
Embora a temperatura não impeça a realização do procedimento, o período de recuperação exige alguns cuidados que podem demandar mais atenção durante o verão. O uso de malhas compressivas, quando prescrito, a hidratação adequada e o respeito às orientações médicas fazem parte dessa etapa.
O pós-operatório também envolve repouso relativo, caminhadas leves conforme a recomendação do cirurgião e retorno gradual às atividades habituais. O tempo de recuperação varia de acordo com a extensão da cirurgia e a resposta de cada organismo.
Viagens, exercícios físicos, banhos de mar e piscina precisam ser planejados considerando a evolução da cicatrização e a liberação médica. Para algumas mulheres, a possibilidade de aproveitar as férias ou reduzir temporariamente os compromissos profissionais pode facilitar a organização desse período.
Ainda assim, a conveniência depende da rotina de cada paciente, e não necessariamente da estação do ano. Quais mudanças a cirurgia pode proporcionar?
O tratamento cirúrgico do lipedema vai além da mudança no contorno das pernas. A retirada do tecido adiposo afetado pode contribuir para aliviar a dor e melhorar a mobilidade, tornando atividades cotidianas mais confortáveis.
Esses possíveis benefícios são relevantes para mulheres que enfrentam dificuldades para caminhar, praticar exercícios ou permanecer muito tempo em pé. A recuperação, no entanto, exige tempo.
O inchaço após a cirurgia pode persistir por semanas ou meses, e a evolução precisa ser acompanhada pela equipe médica. Por isso, os resultados não devem ser avaliados logo após o procedimento.
Durante o verão, alguns cuidados merecem atenção especial. A exposição solar sobre as regiões operadas deve ser evitada enquanto houver incisões recentes.
Já a volta à praia e à piscina depende da cicatrização e da liberação médica. Entre as abordagens cirúrgicas está a Lipedefinition, técnica desenvolvida por Erthal que associa a retirada do tecido adiposo afetado à definição do contorno das pernas.
Segundo o cirurgião, a proposta busca preservar estruturas como vasos linfáticos e nervos durante o procedimento. A escolha da técnica depende das características de cada paciente.
Mais do que escolher entre verão e inverno, a decisão de operar deve considerar a indicação médica e as condições para uma recuperação adequada. Quando esses fatores estão presentes, a estação do ano, isoladamente, não precisa determinar o adiamento do tratamento.
O Globo