247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou setores do mercado financeiro de tentar impor um “terceiro turno” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio da pressão sobre a política de juros. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar questionou as mudanças nas expectativas para a taxa Selic após a vitória eleitoral de Lula e cobrou uma reação do Banco Central, especialmente de seu presidente, Gabriel Galípolo.
“Pessoal, esse mercado financeiro bolsonarista começou o terceiro turno”, afirmou Lindbergh no início da gravação. Segundo o deputado, as projeções para os juros mudaram após o resultado das eleições, apesar de não haver, em sua avaliação, justificativa econômica para a alteração.
O parlamentar relatou que, antes da votação, agentes do mercado trabalhavam com a expectativa de redução da taxa básica de juros na reunião seguinte do Comitê de Política Monetária (Copom). Ele mencionou uma previsão de corte de 0,25 ponto percentual e questionou os fundamentos da mudança de cenário após a vitória de Lula.
“A coisa é muito grave, pessoal”, declarou, ao contestar a influência das expectativas do mercado sobre as decisões de política monetária. Lindbergh cobra posição de Galípolo e do Banco Central
A crítica do deputado se concentrou na possibilidade de o Banco Central acompanhar as projeções de agentes financeiros que, segundo ele, atuam politicamente contra o governo. Lindbergh classificou essas expectativas como parte de uma “torcida deles contra o presidente Lula” e dirigiu uma cobrança ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e aos demais integrantes da autoridade monetária.
“Com a palavra agora, Galípolo, Banco Central e toda essa diretoria”, afirmou o parlamentar, antes de questionar se a instituição deixaria de reduzir a taxa Selic na reunião do Copom. Na avaliação de Lindbergh, a condução da política monetária não pode ficar subordinada aos interesses de setores financeiros contrários ao governo.
O deputado associou a manutenção dos juros elevados às dificuldades para ampliar investimentos e sustentar uma agenda de desenvolvimento econômico. Deputado defende mudanças estruturais na política econômica
Lindbergh também afirmou que a discussão sobre os juros exige uma revisão mais ampla das bases da política macroeconômica brasileira. “Não dá pra governar em cima daquele tripé macroeconômico”, disse o parlamentar, ao defender mudanças na orientação econômica do país.
“A gente tem que mexer na estrutura”, acrescentou. Nesse contexto, Lindbergh destacou as contribuições do economista André Lara Resende, que tem questionado os fundamentos da política monetária convencional e a interpretação predominante sobre as causas do desequilíbrio fiscal brasileiro.
O deputado citou um artigo publicado por Lara Resende em 25 de setembro, no qual o economista apresenta uma série de acusações contra o Banco Central, a grande imprensa e os analistas do mercado financeiro. “Acuso o Banco Central”, diz artigo citado por Lindbergh
Ao comentar o texto de Lara Resende, Lindbergh destacou a crítica do economista à manutenção de juros elevados sob o argumento de combater o desequilíbrio fiscal. “Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater”, diz um dos trechos do artigo reproduzidos pelo deputado.
O parlamentar também chamou a atenção para a crítica à cobertura econômica da imprensa, especialmente à ênfase atribuída às despesas primárias como principal causa dos problemas fiscais brasileiros. “Acuso a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros”, afirma outra passagem do texto de Lara Resende.
A argumentação apresentada pelo economista, endossada por Lindbergh, coloca o custo financeiro da dívida pública no centro da discussão sobre o equilíbrio das contas do governo. Gastos com juros e crítica aos rentistas
Na sequência da gravação, Lindbergh comparou os gastos públicos com juros às despesas primárias, incluindo aposentadorias e políticas sociais. O deputado mencionou um gasto de aproximadamente R$ 1,275 trilhão com juros, equivalente a 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB), para ilustrar o peso da política monetária sobre as contas públicas.
O período de referência desses números não pôde ser confirmado na transcrição disponível. Lindbergh também criticou os ganhos obtidos por investidores com a remuneração dos títulos da dívida pública, em contraste com as dificuldades enfrentadas pelos setores produtivos.
“É gente rentista”, afirmou, ao questionar a concentração de rendimentos financeiros. O parlamentar voltou então ao artigo de Lara Resende, que acusa os analistas do mercado financeiro de confundir os interesses dos rentistas com a racionalidade econômica.
“Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica”, escreveu o economista. Lara Resende também criticou aqueles que, mesmo reconhecendo os efeitos negativos dos juros elevados, evitam confrontar as posições predominantes no debate econômico.
“E acuso todos os que, sabendo que juros absurdos inviabilizam o país, preferem o conforto do consenso ao incômodo da verdade”, afirmou no artigo citado por Lindbergh. Lindbergh critica mudança das projeções do mercado em relação à Selic após vitória de Lula e aumenta pressão sobre Gabriel Galípolo por redução da taxa básica de juros.
pic.twitter.com/b1MsJZoBmx— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) November 2, 2026
Brasil 247