O líder do partido Israel é Nosso Lar, Avigdor Lieberman, descartou nesta sexta-feira (30) a possibilidade de seu grupo se juntar a qualquer hipotético pacto do bloco de oposição anti-Netanyahu com as chapas árabes, que tiveram desempenho histórico neste pleito e cujas cadeiras na Knesset (Parlamento) são fundamentais para a formação de um governo de oposição ao primeiro-ministro.
“Não nos sentaremos com os defensores do terrorismo! Quem quiser apoiar os terroristas será amaldiçoado. Esse não é o lugar de Israel”, publicou o líder do partido de direita, que obteve sete cadeiras nas eleições, em sua conta no Facebook.
A Comissão Eleitoral Central (CEC) de Israel divulgou nesta madrugada os resultados definitivos das eleições desta terça-feira, que dão a vitória ao Likud, o partido de Benjamin Netanyahu, com 27 cadeiras, e 53 cadeiras à sua coalizão. Em segundo lugar ficou o partido de oposição Yashar!, do ex-general Gadi Eisenkot, com 21 cadeiras.
O bloco anti-Netanyahu ficou, assim, com 48 assentos e precisaria do apoio das chapas árabes — que somaram 19 deputados, o melhor resultado de sua história — para ultrapassar o limite de 61 parlamentares necessário para governar. No entanto, parte considerável do bloco da oposição judaico-sionista, composto inclusive por ex-aliados do atual premiê, garantiu durante a campanha que não faria acordos com as listas árabes.
Dentro dessa coalizão, apenas o partido Democratas, de esquerda, estendeu a mão aos árabes para impedir que Netanyahu renove seu mandato. "Após 7 de outubro, Ofer Cassif (da Lista Conjunta Árabe) apoiou um processo iniciado pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça, em Haia, no qual se alegou que Israel está cometendo genocídio e afirmou que 'o exército israelense está realizando atos terroristas'", lamentou o líder do Israel Nosso Lar na mesma publicação.
Ao mesmo tempo em que é crítico das siglas árabes, Lieberman também tem sido um opositor firme de Netanyahu pela gestão do premiê antes e depois dos ataques do grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023 e descarta qualquer possibilidade de aliança com o Likud caso o governante permaneça no cargo.
Nesse contexto, em que os assentos do Israel é Nosso Lar são fundamentais para o bloco de oposição caso queira tentar formar um novo governo, e diante da atual recusa de Lieberman em fazer acordos com Netanyahu ou com listas árabes, a repetição das eleições é um cenário que não pode ser descartado.
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Gazeta do Povo (Mundo)