Me sinto de pince-nez e polainas, à espera de um tílburi, quando leio os autores portugueses que não adoptaram o Acordo Ortográfico de 1990. Parece que falam de algum sítio no passado, com seus adjectivos desactualizados, os co-autores ainda atados por um hífen.
Imagino quanto sofreriam se me lessem começando uma oração por pronome oblíquo, como fiz neste parágrafo. Em minha defesa, invoco Oswald de Andrade, para quem “dê-me um cigarro” é coisa da gramática: a nação brasileira diz mesmo é “me dá um cigarro” — herança dos lusos do século XVI.
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O Globo