247 – A criação do Ministério da Segurança Pública é uma medida estratégica e urgente para o fortalecimento da democracia e o combate ao crime organizado no Brasil. A avaliação é do deputado estadual Leonel Radde (PT-RS), policial civil e parlamentar reeleito, em entrevista concedida à TV 247.
Durante a conversa, Radde ressaltou que a criação do ministério atende a um compromisso firmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda na campanha de 2022. Para o deputado, a centralização e a coordenação das políticas de segurança em um ministério dedicado são fundamentais para dar transparência, orçamento próprio e integração às forças policiais do país.
“Limpa” em cargos de gestão no Ministério da Justiça Um dos pontos centrais abordados pelo parlamentar foi a permanência de centenas de servidores e policiais alinhados à extrema-direita e ao bolsonarismo em cargos comissionados e de chefia no Ministério da Justiça, na Polícia Federal (PF), na Polícia Rodoviária Federal (PRF) e na Força Nacional.
Radde revelou que muitos desses gestores ocupam funções de confiança há quase uma década — atravessando os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro — e que mantêm postura refratária a diretrizes democráticas. “Não se trata de caça às bruxas ou perseguição política.
Essas pessoas são servidoras públicas e continuarão em seus cargos efetivos de origem. O que não pode acontecer é manter, em funções estratégicas de gestão do governo federal, indivíduos que não têm compromisso com o projeto democrático do presidente Lula.”
Redução de homicídios e disputa de narrativa Apesar de a gestão atual ter apresentado resultados expressivos — como a redução de 52 mil homicídios em 2022 para cerca de 32 mil no último balanço —, o parlamentar apontou que a extrema-direita ainda consegue capturar a narrativa sobre a violência devido ao medo da população.
Para Radde, a esquerda precisa mudar a forma como se comunica com a sociedade sobre o tema. Embora o combate aos abusos policiais e a garantia dos direitos humanos sejam pautas indispensáveis, o programa de segurança do campo progressista não pode se resumir à denúncia da violência policial.
PEC da Segurança Pública e o papel do SUSP Ao avaliar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, Leonel Radde destacou que o projeto é um passo decisivo para organizar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
O parlamentar rebatia as críticas de que a proposta retiraria autonomia dos governadores estaduais. Segundo ele, o projeto estabelece uma coordenação nacional indispensável para enfrentar facções criminosas que atuam em âmbito interestadual e internacional, mantendo com os governadores o comando das polícias militares, civis e do sistema prisional local.
Entre os nomes citados pelo deputado como quadros qualificados para assumir a gestão do novo Ministério da Segurança Pública estão o especialista Alberto Kopittke, o cientista social Luiz Eduardo Soares, o ex-ouvidor de polícia Benedito Mariano e o promotor paulista Lincoln Gakiya.
Brasil 247