Presidente do Paraguai, Santiago PeñaReprodução/ @santipenapy via Instagram O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua decisão de renunciar ao comando do país em meio a uma crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. Em comunicado publicado nas redes sociais, o então chefe do Executivo afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas.Na manifestação, Peña disse que tomou a decisão com respeito à Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais do país.
Também pediu desculpas à população caso tenha falhado durante o mandato e afirmou que sua principal preocupação é garantir que os paraguaios afetados pela crise financeira recuperem suas economias.“Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, declarou.Apesar do anúncio, a renúncia ainda não havia sido aprovada pelo Congresso paraguaio até a manhã desta sexta-feira (6).
Uma sessão conjunta das duas Casas legislativas foi suspensa na quinta por falta de quórum, depois que parlamentares governistas deixaram o plenário.Com isso, Peña continua formalmente na Presidência e também enfrenta um processo de impeachment, aprovado pela Câmara dos Deputados.
O Senado deve analisar o caso nesta sexta-feira.O que está por trás da renúncia de Santiago PeñaA crise política que levou ao anúncio da renúncia está relacionada ao Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai. O Banco Central do país iniciou um processo de resolução da instituição após identificar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.A medida atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem acesso às contas e aos serviços bancários.
A instituição também administrava cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,43 bilhões) em recursos públicos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social paraguaio.O caso ganhou dimensão política porque Peña foi acionista da Ueno Holding, empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025.
A oposição questiona possíveis conflitos de interesse e acusa o governo de favorecer a instituição financeira.O Ministério Público paraguaio abriu investigações para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao banco e à atuação de autoridades públicas. O presidente também passou a ser alvo de apurações, mas as suspeitas ainda dependem de investigação e não representam uma condenação.O escândalo provocou protestos em Assunção e aumentou a pressão sobre o governo.
A crise também levou à saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado anteriormente o Ueno Bank.Renúncia ainda depende do CongressoEmbora tenha anunciado a decisão de deixar a Presidência, Peña não deixou formalmente o cargo. Pela legislação paraguaia, a renúncia precisa ser analisada pelo Congresso.A sessão conjunta convocada para discutir o pedido foi interrompida depois que parlamentares governistas abandonaram o plenário, impedindo a formação do quórum necessário para a votação.Paralelamente, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura de um processo de impeachment contra Peña.
O caso segue para análise do Senado, que precisa decidir se o presidente será destituído.Caso a saída seja formalizada e a Presidência fique vaga, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país e completar o mandato, previsto para terminar em 2028.No comunicado, Peña também afirmou que a solução para os depositantes não pode depender do desfecho de sua situação política.
Ele cobrou a atuação do Fundo de Garantia de Depósitos, mecanismo criado para proteger os recursos dos clientes em caso de problemas com instituições financeiras.Leia na íntegra o comunicado de renúncia de Santiago PeñaConfira abaixo a íntegra da manifestação publicada pelo ex-presidente nas redes sociais:"Queridos compatriotas, hoje me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida, com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância.A história se encarregará de julgar e colocar na sua devida dimensão os acontecimentos que hoje nos toca viver.
Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas.Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como nação.
Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai.Também quero pedir desculpas ao povo, caso eu tenha falhado em algum momento; nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. Assumi esta responsabilidade todos os dias com a vontade de trabalhar pelo Paraguai, mas hoje a minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro.
Por trás de cada depósito, há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares.Meu maior desejo é que se garanta a devolução desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade e que sejam protegidos os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios.Queridos compatriotas, somos um país que atravessou momentos muito difíceis e que sempre soube se reerguer.
Confio profundamente na força do nosso povo e na capacidade das nossas instituições para superar esta situação.Hoje, devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia é respeitada, que as instituições são preservadas e que o Paraguai está acima das nossas diferenças. Nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República; nenhuma pessoa está acima do Paraguai.Agradeço pela confiança, por cada momento vivido e por terem me dado a honra de servir a esta grande nação.
Que Deus abençoe cada família paraguaia e que Deus abençoe o Paraguai."
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