Legado em xeque: bem avaliados, Ratinho, Leite, Helder e Zema sofrem ao transferir votos e veem aliados em dificuldades

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Pesquisas Quaest e Datafolha divulgadas ontem, na véspera do primeiro turno, mostram um quadro desafiador para governadores que tentam eleger seus sucessores neste ano, com divergências nos desempenhos entre os estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Atropelados pela polarização nacional, os governadores têm níveis distintos de sucesso para emplacar aliados no comando de seus redutos eleitorais pelos próximos quatro anos. Protagonismo inédito: de investigações à composição da Corte, STF tem futuro atrelado às urnas Apuração: Acompanhe aqui todos os resultados pelo Brasil Os levantamentos mostram que a situação mais crítica é a do atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que disputa a reeleição como sucessor do ex-governador Romeu Zema (Novo), de quem foi vice. Mesmo no comando do Executivo estadual desde abril, após a renúncia do aliado para concorrer na eleição presidencial, Simões chegou na véspera do pleito com 4% dos votos válidos tanto na Quaest quanto no Datafolha. O candidato do PSD se manteve distante do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera a disputa com 54% das intenções de voto e tem chance de vencer já no primeiro turno. Com alto índice de desconhecimento entre os eleitores mineiros, Simões também fica bem abaixo do deputado federal Patrus Ananias (PT), apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 23%, e aparece em empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, com Flávio Roscoe (PL), palanque do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no estado. Estratégia inócua Como estratégia para conter o favoritismo de Cleitinho, Simões tentou, ao longo da campanha, listar os feitos da gestão Zema, da qual participou como secretário-geral. Na reta final, no entanto, partiu para o ataque contra o candidato do Republicanos e passou a sinalizar que, em um eventual segundo turno, daria palanque em Minas para Flávio Bolsonaro, deixando o aliado do Partido Novo de lado. A situação de Zema e Simões em Minas diverge do quadro enfrentado pelo candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, em Goiás, onde tem chance de eleger hoje o sucessor, Daniel Vilela (MDB). Ele registra 57% na Quaest, distante dos 20% marcados pelo senador Wilder Morais (PL) e dos 18% contabilizados pelo ex-deputado federal Marconi Perilllo (PSDB). 'Com 17% de indecisos na espontânea, tudo pode acontecer': Em live, colunistas do GLOBO veem disputa presidencial aberta Na reta final, o ex-governador deixou o voo presidencial de lado para focar na sucessão em Goiás. Além de Vilela, ele tenta eleger a mulher, Gracinha Caiado (União), para o Senado. Já Zema, governador de Minas por dois mandatos, viajou ao menos cinco vezes ao estado durante a campanha, mas, em nenhuma delas, esteve ao lado de Simões. O presidenciável do Novo montou seu QG e concentrou suas agendas em São Paulo, para onde se mudou no início de agosto. As duas campanhas atribuem os desencontros a divergências de agenda. Mesmo com a máquina e com o maior tempo de televisão, a campanha do governador não conseguiu deslanchar. Na tentativa de atrair o eleitor de direita que apoia Cleitinho, Simões disse em 21 de setembro, durante debate na Record, que seria o candidato disposto a brigar pela eleição de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. No Rio Grande do Sul, por sua vez, o vice-governador Gabriel Souza (MDB), apoiado pelo governador Eduardo Leite (PSD), deve ficar fora do segundo turno, de acordo com pesquisa Quaest divulgada ontem. O emedebista pontuou 12%. Na frente, estão o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), com 52%, e a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), com 35%, transpondo a polarização da eleição nacional para a disputa estadual. Juliana Brizola está coligada com o PT, que indicou o vice na chapa. Já no Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD) conseguiu, na reta final, tornar competitivo o ex-secretário estadual Sandro Alex (PSD), que briga por uma vaga no segundo turno com o deputado estadual Requião Filho (PDT) para enfrentar o senador Sergio Moro (PL), que lidera com 43%, segundo pesquisa Quaest divulgada ontem. Ao longo da campanha, o governador, que tem a gestão aprovada por 80% dos paranaenses, foi presença frequente nos programas eleitorais do aliado exibidos na TV e nas agendas pelo interior do estado. O GLOBO ELEIÇÕES: Participe da comunidade e saiba tudo sobre as campanhas, debates e sabatinas O movimento influenciou no desempenho do ex-secretário, que chegou na Quaest deste sábado com 29%, em empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com o pedetista, que tem 27%. Caso fique em segundo lugar ao final da votação de hoje, o ex-auxiliar do governador participará de uma disputa apertada contra Moro no final do mês, projeta a Quaest, pontuando 37% ante os 42% do ex-juiz da Lava-Jato em eventual segundo turno. Cartada final Nas propagandas e atos de campanha, Ratinho apresentava Sandro Alex como “homem das obras” que marcaram sua gestão. O ex-secretário, porém, sofreu os efeitos da demora na construção de sua candidatura, após ter sido definido como sucessor do governador depois de outros três nomes terem sido considerados. Para intensificar sua presença na campanha e tentar evitar uma derrota já no primeiro turno, o governador se licenciou do comando do estado 15 dias antes do primeiro turno e escalou o pai, o apresentador Ratinho, para participar de comícios. Preparação: TSE verifica urnas para eleição e emite a zerésima da disputa pela Presidência Leite, por sua vez, enfrentou um cenário mais desafiador. Em seu desfavor há o histórico do estado, que tradicionalmente não reelege governadores e resiste a tentativas de mandatários de emplacar substitutos. A mesma dificuldade quase deixou Eduardo Leite fora do segundo turno em 2022, quando disputava a reeleição contra Onyx Lorenzoni (PL) e Edegar Pretto (PT). Tanto Ratinho Junior quanto Eduardo Leite eram cotados no PSD para disputar a Presidência. Favorito, o governador do Paraná desistiu justamente por vislumbrar uma disputa difícil no estado. Já Leite foi preterido pela direção do partido, que escolheu Caiado como candidato ao Palácio do Planalto . Também em uma disputa acirrada, o ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB), que concorre ao Senado, assiste a sucessora Hana Ghassan enfrentar, em desvantagem, Dr. Daniel (Podemos), ex-prefeito de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. Ontem, a emedebista apareceu com 40% na Quaest, contra 57% do adversário. Cobertura do 1º turno Para facilitar e enriquecer a cobertura da apuração das eleições 2026, neste domingo (4), a partir das 17h, o GLOBO desenvolveu um ambiente especial com um menu que contempla os cinco cargos em disputa (presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual) e pode ser acessado pelo site e pelo aplicativo do jornal. No mapa, o leitor vê quem está liderando, quem foi eleito ou quem irá para o segundo turno em cada um dos 26 estados, no Distrito federal e nos 5.569 municípios. Também é possível conferir a votação nas zonas eleitorais, a nova divisão partidária do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas e a composição do Senado.

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