A desconfiança em relação às plataformas digitais, sobretudo à Meta, deve incluir a regulamentação das big techs na agenda do governo federal caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, segundo interlocutores do governo. Os episódios envolvendo a empresa durante a campanha eleitoral acenderam o alerta no entorno do petista.
A campanha de Lula acionou a Justiça Eleitoral para apurar possíveis tratamentos desiguais a candidatos à Presidência em ferramentas de inteligência artificial (IA) da Meta e em canais de WhatsApp de apoio aos presidenciáveis.
O PT acusou a IA da empresa, responsável pelo Instagram, WhatsApp e Facebook, de barrar a criação de imagens de Lula geradas por inteligência artificial, enquanto o mesmo comportamento não ocorreria com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na manhã de quinta-feira (15), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, recebeu representantes da Meta. À Corte Eleitoral, a empresa informou que trabalha para aperfeiçoar seus filtros e afirmou que as campanhas dos dois candidatos à Presidência teriam sido afetadas pela “geração de conteúdos de inteligência artificial considerados inadequados”. Na véspera, advogados das campanhas do PT e do PL se reuniram com Nunes Marques para formalizar reclamações sobre a atuação da plataforma.
Desde o início da campanha, o governo monitora o uso das plataformas digitais e possíveis interferências externas na disputa eleitoral. Interlocutores avaliam, porém, que seria “leviano” afirmar, neste momento, que há uma orientação do governo americano ou de outro país para que uma empresa específica favoreça determinado candidato no pleito.
Após a experiência desta eleição, a regulamentação das plataformas digitais voltou ao horizonte do governo Lula. Caso seja reeleito em 25 de outubro, o presidente deverá buscar formas de corrigir falhas identificadas durante o período eleitoral e evitar que as empresas exerçam influência desproporcional na disputa presidencial. Fontes reconhecem, contudo, que esse será um desafio devido à dificuldade de antecipar as ações das big techs.
A regulamentação das big techs está na agenda de Lula desde o ano passado, inicialmente com foco no combate às notícias falsas. O tema, porém, enfrenta resistência no Congresso Nacional, onde propostas sobre o tema têm sido alvo de críticas.
Valor