Leão XIV vota pelo correio nas eleições de meio de mandato dos EUA, na primeira participação conhecida de um Pontífice em um pleito democrático

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Papa Leão XIV enviou por correio a sua cédula para as eleições dos Estados Unidos, tornando-se o primeiro Pontífice a votar em uma eleição americana e, muito provavelmente, o primeiro a votar em uma eleição democrática. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, o Vaticano informou que "O Papa Leão XIV exerceu seu direito ao voto como cidadão dos Estados Unidos sempre que teve a oportunidade".

No início do ano, o Papa e o presidente americano, Donald Trump, trocaram algumas críticas a respeito da repressão à imigração e ao conflito com o Irã. Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países

Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp — Pelo que se sabe, é a primeira vez que um Papa votou em uma eleição democrática.

É normal que os papas mantenham a sua cidadania de origem, no caso do Papa Leão, tanto Estados Unidos como Peru, mas não é comum que tenham envolvimento direto na política partidária — explica Filipe Domingues, especialista em Vaticano, diretor da residência universitária The Lay Centre em Roma, professor de Comunicação na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Michael Walsh, historiador britânico e autor de diversos livros sobre o papado, afirmou à rede americana CNN que Leão XIV provavelmente é o primeiro pontífice a votar em uma eleição. — Não acredito que os papas já tenham votado em uma eleição democrática antes — afirmou.

Eleitor em Chicago De acordo com registros, o Papa, que nasceu em Chicago, é eleitor de New Lenox, nos arredores de Chicago, no estado americano do Illinois, onde vive seu irmão, John.

Antes de ser eleito, o líder da Igreja Católica foi mesário por duas décadas e, posteriormente, bispo no Peru. Nos últimos anos, o Pontífice participou de prévias do Partido Republicano e do Partido Democrata, além de ter votado na eleição presidencial de 2024.

Desde sua eleição como Papa, em maio de 2025, Leão XIV tem incentivado que as pessoas manifestem suas opiniões sobre a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Para Filipe Domingues, Leão XIV passa recados com sua decisão de anunciar publicamente que participou das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

— É algo inusual para o Papado, que tende a adotar uma postura de neutralidade nas questões de política local e internacional, mas nos mostra duas coisas novas: que o Papa Leão tem seu estilo próprio de governar, e vai nos revelando ao poucos, e que ele quis expressar seu apreço pelas instituições democráticas, especialmente em um contexto internacional em que a democracia é ameaçada em diferentes países.

Divergências com Donald Trump No início deste ano, o Papa e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divergiram em relação ao conflito com o Irã e à política americana de repressão à imigração.

O presidente chegou a fazer críticas duras e sem precedentes ao Pontífice, chamando-o de “uma pessoa muito progressista” e afirmou que ele seria “fraco no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”. Por outro lado, o Papa afirmou que "não tem medo" do presidente americano.

— Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante — escreveu Trump em uma longa publicação numa rede social à época. — Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J.

Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.

Entenda: Juiz rejeita tentativas de Trump de interferir nas eleições de meio de mandato na Califórnia As críticas do Papa à guerra com o Irã tornaram-se mais incisivas à medida que o conflito avançou e autoridades americanas passaram a invocar argumentos teológicos para justificar a ofensiva ordenada por Trump sem autorização do Congresso, apoio popular ou adesão de aliados.

O presidente também acusou o Pontífice de “agradar a esquerda radical” e aconselhou que ele se concentrasse em “ser um grande Papa, não um político”. A postagem hostil indicou que praticamente não há limites para os alvos de Trump — nem mesmo o líder de 1,4 bilhão de católicos no mundo.

Pouco depois de publicar a mensagem, ao desembarcar do Air Force One, Trump afirmou a jornalistas que não considera que o Papa esteja fazendo um bom trabalho e sugeriu que Leão “gosta de crime, eu acho”. Também o acusou de apoiar armas nucleares e o classificou como “uma pessoa muito liberal”.

A reação enfurecida de Trump ao tom moderado de Leão, nascido Robert Francis Prevost, em Chicago, evidenciou estilos opostos de lidar com conflitos. Enquanto um pede resolução, o outro eleva imediatamente a tensão.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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