Assessor de Trump que ajudou Flávio a fugir acompanhou derrota ao lado de Eduardo Bolsonaro

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O estrategista político norte-americano Jason Miller, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanhou a apuração do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras ao lado de Eduardo Bolsonaro, em Miami, antes de participar da operação que levou Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O encontro ocorreu no domingo (25), um dia antes de Miller começar a organizar a saída do senador do território brasileiro. Segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, divulgadas nesta sexta-feira (30), Miller esteve entre os convidados de um evento realizado na Freedom Tower, em Miami, que reuniu aproximadamente 400 pessoas ligadas ao bolsonarismo para acompanhar a divulgação dos resultados eleitorais.

O estrategista integra o círculo de confiança de Trump e mantém relações políticas com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro há vários anos. Durante a apuração, Miller permaneceu parte do tempo em uma sala reservada para convidados VIPs, mas também circulou pelo auditório.

Ele chegou a ocupar um dos assentos das três primeiras fileiras, destinadas a integrantes próximos do núcleo bolsonarista. Entre os presentes estavam o ex-delegado Alexandre Ramagem, que também deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, o apresentador Paulo Figueiredo e André Porciúncula, ex-capitão da Polícia Militar que ocupou diferentes funções durante o governo Jair Bolsonaro.

Assessor de Trump deixou evento após virada de Lula O comportamento de Jason Miller mudou conforme os resultados eleitorais começaram a indicar a vitória de Lula.

De acordo com relatos de participantes do encontro, o assessor de Trump demonstrava otimismo no início da contagem dos votos e chegou a sorrir diante da expectativa de uma vitória de Flávio Bolsonaro. Entretanto, quando a apuração passou a favorecer o candidato petista, Miller mudou de expressão e deixou o local.

Eduardo Bolsonaro também se retirou do auditório e não voltou a acompanhar a divulgação dos resultados junto aos demais convidados. No dia seguinte, o estrategista norte-americano passou a atuar diretamente na organização da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

O senador derrotado afirma ter decidido deixar o país depois de receber uma notificação da Polícia Federal determinando a entrega de seu passaporte, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Miller foi responsável por providenciar a aeronave particular utilizada para transportar Flávio aos Estados Unidos.

Sua participação na operação foi revelada na quinta-feira (29) pelos jornais norte-americanos The New York Times e The Wall Street Journal. A atuação do assessor presidencial ganhou relevância política por envolver um integrante da estrutura do governo Trump na saída do Brasil de um candidato derrotado que estava submetido a uma determinação judicial.

Miller questionou resultado eleitoral e atacou decisão do STF Antes mesmo da conclusão da apuração, Jason Miller já demonstrava preocupação com a possibilidade de vitória de Lula.

No domingo (25), ele afirmou a aliados que Trump reconheceria o resultado das eleições brasileiras naquela mesma noite caso Flávio Bolsonaro fosse eleito. O estrategista, porém, declarou que não havia conversado com o presidente norte-americano sobre a possibilidade de uma vitória do candidato petista.

Durante a votação, Miller também utilizou suas redes sociais para atacar uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que determinou a ampliação do horário de funcionamento das seções eleitorais. “O advogado da campanha de Lula, agora ministro do STF, literalmente seu advogado, decidiu que as urnas ficassem abertas por mais duas horas.

Não dá pra inventar uma merda dessas”, escreveu. Na publicação, Miller omitiu que o próprio Flávio Bolsonaro também havia solicitado a extensão do período de votação.

Após a divulgação dos resultados, o assessor de Trump passou a publicar mensagens contestando a vitória de Lula. Em diferentes manifestações, afirmou que o resultado seria “matematicamente impossível”.

A alegação passou a ser reproduzida por integrantes do bolsonarismo como argumento para questionar a legitimidade da eleição, embora não tenham sido apresentadas evidências de fraude no processo eleitoral brasileiro. Relação com a família Bolsonaro e atuação na Casa Branca

Jason Miller possui um histórico de participação nas campanhas presidenciais de Donald Trump e integra o grupo de aliados próximos do republicano. Em agosto, retornou à Casa Branca para trabalhar no assessoramento político relacionado às eleições legislativas norte-americanas.

Atualmente, ocupa uma função classificada como funcionário especial do governo, categoria da administração federal dos Estados Unidos normalmente destinada a atividades temporárias ou de duração limitada. Sua proximidade com a família Bolsonaro também ficou evidente em maio, quando acompanhou uma entrevista coletiva concedida por Flávio Bolsonaro após uma reunião do senador com Trump na Casa Branca.

Na ocasião, Miller afirmou que não havia participado diretamente do encontro realizado no Salão Oval, mas compareceu à entrevista para demonstrar apoio ao então candidato brasileiro. “Estou aqui para apoiar meus amigos.

Eu apoio Flávio”, declarou. O estrategista também criticou Alexandre de Moraes, sustentou que Jair Bolsonaro era alvo de perseguição e afirmou que Trump acompanhava com preocupação os acontecimentos políticos no Brasil.

Questionado sobre a ausência de uma declaração formal de apoio do presidente norte-americano à candidatura de Flávio Bolsonaro, Miller afirmou que o republicano confiava no senador, mas ressaltou que a escolha do presidente brasileiro caberia aos eleitores. “O presidente Trump sabe que a população brasileira vai tomar a decisão correta e tem toda a confiança em Flávio.

Mas cabe ao povo brasileiro tomar essa decisão. Sei que o presidente está muito preocupado com a segurança do processo eleitoral no Brasil”, disse na ocasião.

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