KFC no show do BTS aposta nos fãs como a sua melhor mídia

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KFC prepara camarote, loja de produtos licenciados e distribuição de pulseiras para o último show do BTS no Brasil, no MorumBISFoto: Divulgação Neste sábado (31), o MorumBIS recebe o último dos três shows do BTS no Brasil, todos com ingressos esgotados. Entre os milhares de fãs que vão lotar o estádio, haverá uma marca tentando entrar no ritmo: o KFC.

A rede de frango frito montou uma loja de produtos exclusivos perto do portão 5, vai distribuir 20 mil pulseiras que brilham no escuro nas filas e terá um camarote próprio dentro do estádio.Há um detalhe curioso, porém. O material de divulgação da ação não cita o nome do BTS uma única vez.

Fala em "um dos maiores fenômenos do gênero" e em "banda sul-coreana". Quem completa a frase é o fã.Por que o KFC quer falar com o fã de K-popA escolha tem lógica.

O K-pop reúne um dos públicos mais engajados da internet, formado principalmente pela Geração Z. São fãs que se organizam, compartilham tudo e transformam qualquer detalhe de um show em conteúdo."Mais do que ampliar a presença da marca, buscamos gerar relevância cultural e proximidade", afirma Fernanda Harb, diretora de Marketing e Vendas do KFC Brasil.

O objetivo declarado é criar "experiências compartilháveis".Há ainda uma conexão menos óbvia. Na Coreia do Sul, frango frito é quase uma instituição, a ponto de ter nome próprio quando acompanhado de cerveja: chimaek.

A marca é americana, mas o produto conversa com o universo que os fãs admiram.A marca que não diz o nomeNão citar o artista é uma prática comum quando uma marca quer se associar a um grande evento sem ter o direito de usar a imagem de quem se apresenta. Usar o nome de um artista exige licença e as marcas costumam evitar esse risco.O resultado é uma comunicação feita de contexto.

A data, o estádio, o "fenômeno sul-coreano" e as pulseiras que brilham dizem tudo o que o nome diria.Funciona, mas tem um limite. A marca está no entorno da festa e não no centro dela.

Para que a associação aconteça, depende de que os próprios fãs façam a ligação e é exatamente nisso que a estratégia aposta.Os fãs como mídiaO ponto mais interessante da ação está nas ferramentas entregues ao público. As pulseiras que brilham no escuro não são só brinde: são um elemento visual que aparece nas fotos e vídeos das filas e da plateia.O mesmo vale para as câmeras.

Inspirado numa trend do TikTok, o KFC vai distribuir câmeras para convidados registrarem os momentos espontâneos da noite. Os influenciadores Allan Jeon, Ciclopin e Dani Soomin estão confirmados, numa estratégia conduzida pela agência Squid e por Juan Moraes.

O camarote e a loja ficam por conta da Blow Eventos.A lógica é clara. Um vídeo feito por um fã tem mais credibilidade do que qualquer anúncio.

Em vez de falar com o público, a marca entrega ao público as ferramentas para falar por ela.Fandom não perdoa marca oportunistaO desafio é que poucos públicos são tão atentos quanto os fãs de K-pop. Eles conhecem cada detalhe dos seus artistas e percebem rápido quando uma marca aparece só para aproveitar o momento.Por isso, a pergunta que importa não é o que o KFC fará neste sábado, mas o que fará depois.

A empresa afirma que a cultura pop é um território estratégico para se conectar com as novas gerações. Se for verdade, essa noite precisa ser o começo de uma relação e não uma aparição isolada.Fandoms costumam retribuir quem demonstra respeito e constância.

Marcas que entram e saem na mesma noite costumam ser esquecidas, ou lembradas pelo motivo errado.O que fica para quem trabalha com marcaA primeira lição é que, em grandes eventos, a marca nem sempre precisa estar no palco. Pode estar na fila, no pulso e na câmera de quem assiste, desde que ofereça algo que o público queira usar e mostrar.A segunda é que comunidades de fãs não são apenas audiência.

São mídia, crítica e termômetro ao mesmo tempo. Quem quer falar com elas precisa entrar com cuidado e ficar por tempo suficiente para ser aceito.

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