Justiça dos EUA condena brasileiro a 12 anos por esquema ligado ao PCC

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A Justiça dos Estados Unidos condenou o brasileiro Ygor Fokin Saviolli a 12 anos de prisão por comandar um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A organização movimentou mais de US$ 30 milhões, aproximadamente R$ 156 milhões, provenientes do tráfico de drogas. O FBI prendeu Saviolli na Flórida, e a Polícia Federal (PF) também o investigou no Brasil durante a Operação Exchange. A informação foi publicada nesta terça-feira (20) no G1.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) confirmou a sentença contra o brasileiro, apontado pelas autoridades como um dos responsáveis pela estrutura financeira utilizada para ocultar recursos da organização criminosa. A condenação ocorreu após investigações que identificaram operações financeiras e movimentações de valores entre os dois países.

Brasileiro foi preso pelo FBI na Flórida

Agentes do FBI prenderam Saviolli em janeiro de 2026, em um aeroporto da Flórida. Meses depois, em julho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange no Brasil e aprofundou as investigações sobre a rede responsável por movimentar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

Durante a operação, a juíza federal Monica Aparecida Bonavina Camargo, de São Paulo, decretou a prisão preventiva do brasileiro. As autoridades brasileiras não executaram a ordem em território nacional porque Saviolli já permanecia sob custódia do sistema de Justiça estadunidense. 

As investigações atribuíram ao condenado funções de comando na estrutura criminosa. Segundo as autoridades dos dois países, ele coordenava atividades financeiras, organizava a logística das operações e exercia controle sobre rotas utilizadas na distribuição de entorpecentes.

O Departamento de Justiça estadunidense identificou uma estrutura que recolhia recursos do tráfico em diferentes municípios dos EUA. O grupo utilizava criptomoedas e empresas de fachada para transferir valores ao Brasil e ocultar a origem do dinheiro.

Operação Exchange identificou rede de lavagem de dinheiro

No Brasil, a Polícia Federal incluiu Saviolli na mesma investigação que teve como um dos principais alvos o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada. Os investigadores atribuíram a ele a utilização de mais de 70 empresas para movimentar recursos vinculados ao crime organizado.

A PF descreveu Shimada como um “doleiro moderno”, em referência aos mecanismos financeiros que ele teria utilizado nas operações. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos também aplicou sanções econômicas ao empresário por sua suposta participação no esquema de lavagem de dinheiro.

As apurações identificaram outros integrantes que teriam desempenhado funções na movimentação de recursos. Entre eles, os investigadores apontaram Amauri Henrique de Oliveira como responsável pelo transporte, pela logística e pelo recolhimento de dinheiro em espécie no território brasileiro.

O empresário Amauri Henrique de Oliveira permanecia foragido, segundo as informações da investigação. Sua filha, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também entrou na apuração por sua atuação anterior como secretária de Victor Shimada.

A PF chegou a prender Stella temporariamente, enquanto autoridades norte-americanas aplicaram sanções contra ela. Posteriormente, a Justiça Federal determinou sua soltura após considerar a ausência de fatos novos que justificassem a manutenção da medida.

Outros três investigados também receberam ordens de prisão preventiva no Brasil: Anderson Gonçalves Amaral, Diego Lameiro Diz e Romany Cutolo Bonente. As autoridades apontaram os três como operadores financeiros vinculados à estrutura investigada.

Justiça determinou bloqueio de até R$ 10,4 bilhões

A Operação Exchange investigou suspeitas de associação criminosa, lavagem de capitais e evasão de divisas. Segundo a Polícia Federal, o grupo teria utilizado transferências de criptoativos, contas bancárias com movimentações elevadas e transporte de dinheiro em espécie para executar as operações.

As autoridades também identificaram indícios de utilização de empresas para dificultar o rastreamento dos recursos. A investigação procurou reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro desde sua arrecadação nas atividades criminosas até sua transferência para contas e estruturas financeiras no Brasil.

Durante a operação, a Justiça Federal autorizou medidas de bloqueio e sequestro de bens dos investigados, com limite de R$ 10,4 bilhões. A determinação buscou atingir o patrimônio associado às operações financeiras que integraram o objeto da investigação.

A condenação de Saviolli nos Estados Unidos representou um desdobramento judicial da apuração internacional. No Brasil, a Operação Exchange também alcançou empresários e operadores financeiros suspeitos de participar da estrutura utilizada para movimentar recursos do tráfico de drogas.

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