Justiça autoriza retorno de três bets, prevê multa diária de R$ 200 mil ao governo Lula e vê “verdadeiro confisco” na proibição

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Três plataformas de apostas online receberam autorização judicial para retomar suas operações no Brasil, apesar da proibição estabelecida pelo governo federal. A decisão foi concedida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo, e passou a valer nesta quinta-feira, 5.

Caso a determinação seja descumprida, a União poderá ser multada em R$ 200 mil por dia. A medida beneficia as plataformas Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online, pertencentes à empresa CDA Gaming.

A autorização tem caráter provisório e não se estende às demais operadoras do setor, que continuam impedidas de funcionar no país. O governo federal ainda pode recorrer.

Na manhã desta sexta-feira, 6, o site da Casa de Apostas já havia retomado suas atividades, conforme informações divulgadas pelo g1. A decisão foi assinada pela desembargadora federal Adriana Pileggi, que questionou a legalidade da interrupção imediata das operações de empresas anteriormente autorizadas pelo próprio governo.

Na avaliação da magistrada, impedir a continuidade das atividades sem prever compensação pelos investimentos realizados poderia representar um “verdadeiro confisco”. A desembargadora também considerou insuficiente o prazo concedido às empresas para encerrar suas operações.

Segundo ela, as plataformas realizaram investimentos em tecnologia, equipamentos e infraestrutura para atender às exigências estabelecidas pelo poder público. Outro ponto questionado foi a justificativa apresentada pelo Executivo para proibir as apostas, baseada na proteção da saúde pública e na redução dos prejuízos financeiros e sociais associados aos jogos.

“A MP seria um milagre, resolveria tudo!”, afirmou a magistrada ao contestar os argumentos utilizados para sustentar a proibição. Empresa pagou R$ 30 milhões por autorização

A CDA Gaming, sediada em São Paulo, havia recebido autorização do Ministério da Fazenda para explorar apostas esportivas e jogos online por meio da Portaria SPA/MF nº 255/2025. Para obter a licença, a companhia desembolsou R$ 30 milhões.

A autorização tinha validade originalmente prevista até 31 de dezembro de 2029. Essas condições foram utilizadas pela defesa da empresa para argumentar que a proibição comprometeu direitos adquiridos e investimentos realizados com base nas regras estabelecidas pelo próprio governo.

Inicialmente, a companhia teve seus pedidos rejeitados por dois magistrados da primeira instância. Após recorrer ao TRF3, conseguiu a decisão favorável.

Proibição das bets foi anunciada antes das eleições O governo do presidente Lula da Silva (PT) determinou, em 25 de setembro, a suspensão das atividades de apostas de quota fixa em todo o território nacional.

A proibição foi estabelecida por medida provisória publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União, nove dias antes das eleições. A determinação atingiu tanto as apostas esportivas quanto os cassinos virtuais e jogos online, incluindo modalidades popularmente conhecidas como “Jogo do Tigrinho”.

A iniciativa provocou reação de representantes do setor. Em 28 de setembro, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade da medida.

As entidades sustentam que a decisão do Executivo não apresentou justificativa suficiente de urgência e contraria o processo de regulamentação das apostas, aprovado pelo Congresso Nacional em 2023. As associações também argumentam que a mudança repentina nas regras prejudica empresas que investiram para atuar legalmente no mercado brasileiro.

STF também discute legalidade da proibição A controvérsia chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Luiz Fux é relator das ações que contestam a medida provisória.

Na terça-feira (3), o magistrado conduziu uma audiência pública com representantes do governo, clubes de futebol e organizações da sociedade civil para discutir os efeitos da proibição. Durante o encontro, Fux manifestou posição favorável ao banimento das apostas, mas reconheceu a necessidade de avaliar questões relacionadas à segurança jurídica, aos contratos firmados e às consequências econômicas da decisão governamental.

Embora as apostas esportivas tenham sido legalizadas no Brasil em 2018, a regulamentação do mercado foi concluída apenas no fim de 2023. Desde então, o setor passou a operar sob regras específicas de autorização e tributação.

Segundo os dados apresentados no debate, a arrecadação federal com a tributação das apostas chegou a aproximadamente R$ 15 bilhões. A Advocacia-Geral da União (AGU), responsável pela representação judicial do governo federal, foi procurada pelo g1 para esclarecer se apresentará recurso contra a decisão do TRF3, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem original.

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