Joice Hasselmann faz apelo dramático às mulheres do Brasil: “não se enganem mais com esta família”

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Em um dos momentos de maior carga emocional de sua entrevista à TV 247, a ex-deputada federal Joice Hasselmann dirigiu uma mensagem direta, urgente e pessoal ao eleitorado feminino brasileiro. Recordista histórica de votos para a Câmara dos Deputados em 2018, Joice fez um contundente mea-culpa pelo papel central que desempenhou na legitimação da candidatura de Jair Bolsonaro entre as mulheres, alertando para os riscos reais e cotidianos de confiar no projeto político capitaneado pelo clã.

O mea-culpa de quem abriu as portas do eleitorado feminino Durante a campanha eleitoral de 2018, a rejeição a Jair Bolsonaro entre o público feminino era o principal obstáculo para a sua vitória.

Naquele momento, cabia a Joice percorrer o país organizando encontros, palestras e comícios voltados para desconstruir a pecha de machista e misógino que cercava o então candidato. Com a distância do tempo e o saldo da convivência nos bastidores, a jornalista admitiu o peso na consciência por ter emprestado sua credibilidade àquela empreitada:

“Eu normalizei o Bolsonaro entre as mulheres. Me arrependo muito e me culpo muito por isso.

As mulheres tinham horror a ele, com toda a razão do mundo. Eu sabia que ele era machista, homofóbico, tudo aquilo, mas estava focada na pauta da honestidade, achando ingenuamente que ele fosse incorruptível.

As mulheres iam aos eventos para me ver, eu fazia a palestra, chamava ele ao palco no final e tirávamos fotos. Fiz o movimento das ‘princesas com Bolsonaro’.

Isso me corrói por dentro até hoje. Eu preciso consertar esse erro para limpar a minha história.”

Joice lembrou que, naquela época, Michelle Bolsonaro sequer participava ativamente das agendas públicas e a tarefa de humanizar a imagem do candidato recaía quase exclusivamente sobre seus ombros: “Eu peguei na mão das mulheres brasileiras e disse: ‘Confiem nele, ele não é machista’.

Foi o maior erro da minha vida.” “Olhem para mim: ele tentou me matar”

Ao ser questionada sobre o que diria às eleitoras que ainda cogitam apoiar candidatos da família Bolsonaro, Joice fez um apelo dramático baseado na violência real e psicológica que vivenciou após romper com o governo: “Pelo amor de Deus, não se enganem mais com esta família.

Olhem para mim! Olhem para a mulher que foi a principal figura feminina na campanha dele, que ajudou a elegê-lo, que foi a líder do governo no Congresso. Olhem o que fizeram comigo quando eu ousei não me dobrar aos esquemas de corrupção.

Eles destruíram a minha reputação, atacaram a minha família e tentaram me matar.” A ex-parlamentar resgatou a perseguição coordenada pelo chamado Gabinete do Ódio, comandado por Eduardo Bolsonaro, que envolveu campanhas de difamação em massa, montagens pornográficas disparadas inclusive para os colegas de escola de seu filho e ameaças explícitas de estupro e morte contra sua filha.

O ápice dessa retaliação ocorreu com o espancamento sofrido dentro de seu apartamento funcional em Brasília, no ano de 2021, que resultou em cinco fraturas na coluna e no rosto totalmente desfigurado: “Eles mandaram os ‘kids pretos’ para me quebrar inteira ou me deixar paraplégica.

A polícia arquivou dizendo que caí da própria altura. Essa gente não respeita mulher nenhuma, não respeita mãe, não respeita ninguém.

A violência deles não é retórica, ela é física e letal.” A farsa do falso moralismo e a omissão da bancada feminina

Joice também criticou a blindagem hipócrita construída em torno da família através de discursos religiosos e de moralidade de fachada. Ela apontou que figuras femininas promovidas pelo grupo vendem um papel de santidade que não condiz com a conduta real observada na intimidade do poder.

Além disso, a ex-deputada lamentou a ausência de solidariedade da bancada parlamentar alinhada à direita quando os ataques misóginos e a violência física se consumaram contra ela: “Quando começaram a me xingar de porca, de Peppa Pig, cadê a sororidade da bancada feminina? Cadê quando eu apareci ensanguentada com a coluna quebrada? Nenhuma delas se manifestou.

Faltou solidariedade em toda a direita. A solidariedade que recebi naquele momento veio de mulheres da esquerda, como a Manoela D’Ávila, com quem eu sempre divergi politicamente.

Na direita bolsonarista, mulher só tem valor se abaixar a cabeça e for cúmplice da bandidagem.” O voto pela sobrevivência e pela liberdade

Para Joice Hasselmann, o engajamento das mulheres contra o bolsonarismo é o elemento decisivo para evitar que o Brasil consolide um ciclo autoritário sem retorno. Segundo ela, romper com o clã ultrapassa divergências ideológicas e partidárias, tratando-se de uma questão de dignidade e sobrevivência:

“Eu tomei calmante, perdi o sono, emagreci quilos pensando nessa eleição porque é uma decisão difícil para quem passou a vida enfrentando o PT. Mas ficar em cima do muro agora seria covardia.

O voto contra essa família é um voto pela vida das mulheres, pela liberdade de expressão e pela democracia. Não se deixem enganar: se eles voltarem, serão 20 anos de tirania e vingança.”

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