A ex-deputada federal Joice Hasselmann declarou voto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais e fez duras críticas à família Bolsonaro em um vídeo publicado nas suas redes sociais nesta quinta-feira (22). "Apesar de todo meu histórico de enfrentamento ao PT, domingo, dia 25, eu, Joice Hasselmann, voto Lula, sem medo.
Dia 26, volto ao debate de ideias, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição”, declarou em seu vídeo. A declaração representa um posicionamento atípico na trajetória de Hasselmann que ao longo dos anos manteve uma postura crítica aos governos do PT e chegou a ser líder do governo de Jair Bolsonaro no Congresso em 2019, antes de romper com o bolsonarismo.
Em seu vídeo publicado nas redes sociais, Hasselmann afirma que errou ao acreditar na mudança que Bolsonaro prometia durante a sua candidatura. "Ainda, no primeiro ano do governo Bolsonaro, minhas esperanças de um país melhor foram embora.
Eu vi o clã por dentro. Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados”, disse.
Quem é Joice Hasselmann? Joice Cristina Hasselmann nasceu em Ponta Grossa, no Paraná, em 29 de janeiro de 1978.
Ela se formou em Jornalismo e trabalhou em veículos como CBN, BandNews FM, Jovem Pan e revista Veja. Ela ganhou projeção nacional como comentarista política, especialmente por sua atuação em defesa da Operação Lava Jato e do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Suas opiniões a aproximaram de movimentos conservadores e, em abril de 2018, ela anunciou sua filiação ao PSL e a intenção de disputar um cargo público nas eleições daquele ano. "Optei pelo PSL por causa do Jair Bolsonaro (...) é algo que me agrada".
Hasselmann foi eleita deputada federal por São Paulo, com mais de 1 milhão de votos, o que a fez a mulher mais votada para o cargo naquela eleição. Ela assumiu a liderança do governo de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional em 2019, mas rompeu com o então presidente ainda naquele ano e passou a criticá-lo publicamente.
Desde então, ela tentou se eleger prefeita de São Paulo em 2020, o que não conseguiu, e também perdeu as disputas pela reeleição à Câmara dos Deputados em 2022 e a eleição para a Câmara Municipal paulistana em 2024. Como Joice Hasselmann se aproximou da família Bolsonaro?
Em 2014, Hasselmann criticou a possibilidade de que Jair Bolsonaro concorresse à Presidência e disse que seria "uma piada". Mas já em 2016, ela se referia ao então deputado como amigo.
Em 2018, ela chegou a atribuir a sua filiação ao PSL a Bolsonaro, apesar de discordar de algumas ideias do agora ex-presidente. "Não concordo com tudo o que ele fala, mas concordo com a espinha dorsal do que ele acredita", disse durante a live em que anunciou a sua intenção de se candidatar.
Durante a campanha eleitoral de 2018, Hasselmann estreitou seus laços políticos com Bolsonaro e sua família, chegando a se autointitular "Bolsonaro de saias" após a eleição de ambos. Em março de 2019, já como líder do governo no Congresso, ela admitiu nas redes sociais que estava errada ao criticar Bolsonaro em 2014.
"Conheci Jair Bolsonaro e vi quanto ele é decente e corajoso", escreveu. O que causou o afastamento de Joice Hasselmann e a família Bolsonaro?
Em outubro de 2019, Hasselmann foi destituída da posição de líder do governo Bolsonaro no Congresso, após uma disputa pelo controle do PSL. Em entrevista ao Correio Braziliense, publicada em novembro daquele ano, ela criticou a postura do então presidente, que havia atuado para substituir o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) na liderança do partido por seu filho Eduardo Bolsonaro.
"Nunca tive carinho ou amizade pelo Eduardo, nunca houve essa aproximação. Prezo pelo diálogo e descobri muito cedo que ele não cumpre a palavra", disse em entrevista de novembro de 2019 ao Correio Braziliense.
Hasselmann e Eduardo chegaram a trocar acusações públicas devido ao ocorrido. O confronto com a família Bolsonaro se intensificou em dezembro de 2019, quando Hasselmann prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, acusando integrantes do governo de operar uma estrutura de ataques virtuais, conhecida como gabinete do ódio.
Naquele mesmo mês, assumiu a liderança do PSL na Câmara, substituindo Eduardo Bolsonaro. Hasselmann fez diversas denúncias contra membros do governo e relatou ter passado a receber ameaças após o rompimento com a família Bolsonaro.
Um dos episódios de maior repercussão envolvendo a ex-deputada aconteceu em julho de 2021, quando ela acordou com diversos ferimentos no apartamento onde morava, em Brasília. Inicialmente, ela levantou a possibilidade de ter sido vítima de um atentado político, mas a investigação da Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que as evidências apontavam para uma queda da própria altura, possivelmente associada aos efeitos de um medicamento para dormir.
A polícia não encontrou indícios de agressão por terceiros. Em seu vídeo publicado nesta quinta-feira (22), no qual declarou apoio a Lula, Hasselmann afirmou que uma minuta de golpe de Estado já existia desde o primeiro ano do governo Bolsonaro.
A ex-deputada também fez acusações contra a família do ex-presidente.
Valor