Em entrevista ao podcast americano "Louder with Crowder", Eduardo Bolsonaro atacou as urnas eletrônicas, defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e disse que o irmão, Flávio Bolsonaro, deveria deixar o país caso perca a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, neste domingo.
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Ao ser perguntado sobre a segurança das urnas eletrônicas, Eduardo questionou a ausência de comprovantes impressos dos votos e afirmou que o modelo brasileiro depende da confiança nas autoridades responsáveis pela apuração. Segundo ele, a falta de registros físicos impediria uma recontagem independente em caso de suspeita de irregularidades.
“Não há garantia. O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina.
Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, disse Eduardo, que descreveu o sistema eleitoral como centralizado e criticou decisões do STF que barraram propostas de impressão dos votos.
Ele ainda citou uma frase atribuída ao ditador soviético Josef Stálin: “Como disse Stálin, não importa em quem você vota, a questão é quem conta os votos, esse é o problema. Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve".
Durante a participação ao vivo no podcast apresentado pelo comentarista político Steven Crowder, o ex-deputado também foi questionado por um espectador sobre o que o irmão Flávio deveria fazer caso perdesse as eleições. Primeiro, em tom de brincadeira, respondeu: "Mandar os fuzileiros navais".
Uma alusão à força de elite americana. Em seguida, ele disse:
— Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza.
Com certeza. Na entrevista, ele destacou que Lula, durante o debate da Band, ameaçou o irmão.
— Teve uma parte do debate em que o Lula disse: "olha, você vai perder a eleição. No ano que vem você não vai mais ser senador.
Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você".
Ele disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão — afirmou Eduardo ao comentarista político Steven Crowder.
Em 2021, o apresentador teve o canal no YouTube suspenso por uma semana por divulgar alegações falsas sobre a eleição presidencial dos EUA de 2020. Anistia e críticas ao STF
Sobre o pai Jair Bolsonaro e os presos pelos atos de 8 de janeiro, Eduardo defendeu uma anistia ou um perdão para os condenados. Segundo ele, uma das prioridades de um eventual governo de Flávio seria aprovar no Congresso uma medida para “virar a página” e permitir que o país avançasse para outras pautas.
Eduardo também defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele alegou que decisões judiciais teriam bloqueado projetos de infraestrutura aprovados pelo Congresso e poderiam dificultar a atuação de um futuro governo de direita.
Ex-deputado prevê contestação do resultado Na avaliação de Eduardo, a oposição já estaria preparando uma narrativa para contestar a legitimidade de uma eventual derrota.
Ele acusou aliados de Lula de responsabilizar as plataformas digitais, como a Meta, pelo desempenho eleitoral do bolsonarismo. Afirmou ainda que, nos próximos anos, poderiam atribuir o resultado a uma suposta interferência estrangeira:
— Essa é a essência dessas pessoas: elas nunca culpam a si mesmas. Não têm capacidade de olhar para dentro e fazer uma reflexão honesta sobre si mesmas.
Então querem culpar outra pessoa. Agora estão culpando a Meta.
É inacreditável. Mas alguém precisa ser culpado por eles.
E isso é bom, porque mostra que estão preparados para perder a eleição e já estão preparando a narrativa para os próximos quatro anos. Nos próximos quatro anos, vão dizer que estão defendendo a democracia, que a Meta e os americanos estão a favor de Flávio e que o que aconteceu em 2026 não foi democrático.
O deputado também mencionou o caso da Romênia, onde a eleição presidencial de 2024 foi anulada após acusações de interferência externa, e disse acreditar que uma medida semelhante seria um fracasso no Brasil diante do apoio popular ao bolsonarismo.
O Globo