Depósito Bear, da Lion Copper, soma cerca de 7 milhões de toneladas de metal sob até 240 metros de sedimentos, mas ainda é recurso estimado, sem viabilidade provada A jazida que circula como “bilionária” debaixo do deserto de Nevada tem nome e dono: é o depósito Bear, da mineradora Lion Copper, listada no Canadá, no distrito de Yerington, condado de Lyon.
A primeira estimativa oficial, divulgada em 4 de agosto de 2026, aponta 6,71 bilhões de libras de cobre contido na categoria indicada e mais 8,77 bilhões na categoria inferida. O “bilhão”, portanto, está nas libras de metal, e não num valor em dólares, que a empresa não divulgou.
O comunicado também não traz ouro: a jazida de cobre e ouro das manchetes estrangeiras aparece, no documento técnico, como um depósito só de cobre. A estimativa saiu em comunicado da Lion Copper & Gold ao mercado, negociada na bolsa canadense CSE.
Em setembro, já com o nome Lion Copper Corp., a empresa protocolou o relatório técnico no padrão canadense NI 43-101, assinado pelo geólogo Tim Maunula. O presidente-executivo, John Banning, chamou o resultado de “marco técnico decisivo” para a companhia.
O Bear integra um acordo de entrada com a Nuton, empresa do grupo Rio Tinto, que pode chegar a 65% de uma nova sociedade se cumprir as metas de financiamento previstas. Pelo comunicado, a parte indicada soma 1,064 bilhão de toneladas de rocha com 0,29% de cobre.
A parte inferida chega a 1,77 bilhão de toneladas com 0,22%, sempre com teor de corte de 0,1%. Convertidas para o sistema métrico, as duas categorias somam cerca de 7 milhões de toneladas de cobre.
Cerca de 43% desse volume é indicado, o grau de confiança mais alto do levantamento. A rocha mineralizada não aflora.
Segundo o resumo técnico entregue à SEC, o órgão regulador do mercado americano, as rochas vulcânicas da área ficam sob até 800 pés, cerca de 240 metros, de sedimentos que preenchem o vale. A detecção veio da sondagem.
O mesmo documento registra 60 furos no Bear desde 1961, dez deles feitos pela Lion desde 2015, e o modelo de agosto usou 79 furos e 25.825 análises químicas. A própria Lion escreve que recursos minerais “não são reservas minerais e não demonstram viabilidade econômica”.
Recurso é o metal que a sondagem indica existir; reserva é a parte que um estudo de engenharia prova ser lucrativa extrair. A empresa também informa que ainda não controla todos os direitos necessários e que licenças e financiamento não estão garantidos.
Por isso, qualquer valor em dólares atribuído ao depósito, hoje, é conta de terceiros, não da mineradora. O cobre passa em quase tudo que leva eletricidade: cabos, motores de carros elétricos, baterias, painéis solares e linhas de transmissão.
Em novembro de 2025, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) incluiu o metal na lista final de 60 minerais críticos do país. A Agência Internacional de Energia projeta, no relatório de minerais críticos de 2025, um possível déficit de 30% na oferta de cobre até 2035.
A IEA cita teores em queda, custos maiores, poucas descobertas novas e o longo prazo para abrir uma mina. O tema tem rendido outras reportagens no site, como a de uma jazida de ouro avaliada em R$ 900 bilhões perto da fronteira brasileira e a do tesouro de 82 moedas achado sob uma cozinha em Massachusetts.
No Brasil, a referência é a Província Mineral de Carajás. Um estudo do Serviço Geológico do Brasil (SGB) publicado em 2024 a descreve como a maior reserva de cobre do país e a segunda maior província do mundo do tipo cobre e ouro.
Só a mina de Salobo, da Vale, tem cerca de 6,8 milhões de toneladas de cobre contido, segundo o SGB, volume próximo ao do Bear somado. A diferença é que Salobo já opera, e o ouro da província sai como subproduto do cobre, enquanto o depósito de Nevada ainda depende de estudos, licenças e dinheiro para sair do papel.
O Antogonista